Crônicas

Festa de criança

Por: Kátia Muniz

Kátia Muniz

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Começam a chegar os convites para as festas de aniversário dos amiguinhos e das amiguinhas. Oh, que lindo! Mas, como os pimpolhos ainda estão na faixa dos dois, três e quatro anos, a mamãe vai junto.

Na realidade, mamãe queria estar num SPA, esticada numa espreguiçadeira, lendo um livro ou vendo um filminho. Tudo isso são sonhos que ficaram para trás desde o exato momento em que você sai da sala de parto. Daqui para frente, é só aventura. Acostume-se!

Pronto. Você já está na festa, instalada numa roda de mães que conversam animadíssimas. E sabe sobre o quê? Vai ganhar um brigadeiro se adivinhar. Sobre filhos, é claro!

Fraldas, chupetas, pomadas, alimentação, desenvolvimento da fala, banho, escolinha, brincadeiras, horário de dormir, avós, creches, primeiros dentinhos, troca dos dentes de leite, desenhos animados… Em cada quesito, uma mais PHD do que a outra. Aguente firme!

Música infantil no último volume. Uma piscina de bolinhas, com mais bolinhas fora do que dentro. Como não poderia faltar, também há uma cama elástica, com cenas que deixam as mamães atônitas. Enquanto um salta, outro cai; um pula em cima do outro; um enfia o dedo no olho do amiguinho; um chora; todos gritam. Os anjinhos da guarda pedem demissão, porque não é nada fácil proteger essas crianças do século XXI.

Nesse momento, as mamães se entopem de guloseimas, porque os filhos quase não comem durante a festa. Não dá tempo, já que passam o período todo correndo, pulando, suando, perdendo os laçarotes de cabelo e se divertindo.

Hora de cantar os parabéns! Os pequenos rodeiam a mesa, todos descabelados e sujos, mas felizes.

Acendem-se uns palitinhos que mais parecem fogos de artifício. Aquilo provoca um clarão e, em caso de emergência, anote aí: bombeiros, 193.

O grande final fica por conta de uma bexiga gigante pendurada no teto. A criançada se aglomera embaixo, esperando o estouro. Três, dois, um… Bum! Voam balas, gomas de mascar, pirulitos e brinquedinhos de plástico. Os pequenos se atropelam, trocam socos e se pisoteiam por causa de três balas. Em seguida, as mães aproveitam a confusão para se despedir e levar seus pimpolhos embora. 

“Vocês já vão? Esperem um pouco, que vou buscar as lembrancinhas”, diz a mãe-anfitriã.

Lembrancinhas? Imagina se precisa! Você vai ficar com a festa retumbando na cabeça por um bom tempo.

Chega, querida! Recolha o que sobrou do seu filho ou da sua filha e volte para o aconchego do seu lar. Recupere-se, porque no outro fim de semana tem mais.


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Kátia Muniz

Kátia Muniz é formada em Letras e pós-graduada em Produção de Textos, pela Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Paranaguá (hoje, UNESPAR). Foi colaboradora do Jornal Diário do Comércio por sete anos, com uma coluna quinzenal de crônicas do cotidiano. Nos anos de 2014, 2015 e 2016 foi premiada em concursos literários realizados na cidade de Paranaguá. Em outubro de 2018, foi homenageada pelo Rotary Club de Paranaguá Rocio pela contribuição cultural na criação de crônicas.

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