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Crônicas

A magia do Sítio

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Por: Kátia Muniz

O canal Viva tem reprisado, de segunda a sexta, alguns episódios do Sítio do Picapau Amarelo, que foram exibidos, originalmente, no final da década de 70 e início dos anos 80. Assim, desde março, cumpro um ritual que considero sagrado: paro tudo que estiver fazendo e coloco meus olhos na televisão. Volto a ter oito, nove, dez, onze anos.

Absorta, esqueço que há vida lá fora. Sou toda concentração no desenrolar da história. Dessa forma, consigo relembrar quando sentava no sofá da casa de meus pais e assistia, atentamente, a todas as cenas, ainda em preto e branco, no único aparelho televisivo da residência. 

Hoje, vejo os episódios e rio alto. Acho graça daquela ingenuidade gratuita, com capítulos cheios de aventuras e peripécias, e recordo quantas vezes quis morar naquele sítio.

Quantos sonhos cabiam naquela narrativa fértil! Uma boneca que fala feito gente. Um sabugo sábio. Uma avó que abraçou todas as crianças de uma geração. 

Sou capaz de sentir o cheiro daquelas tardes em que saía da escola apressada para chegar a tempo de escutar os versos: “Marmelada de banana, bananada de goiaba, goiabada de marmelo, Sítio do Picapau Amarelo”, eternizados na voz de Gilberto Gil.

Que tempo bom foi aquele em que se podia falar sem se preocupar com a censura do politicamente correto.

São inúmeras as cenas em que Pedrinho aparece com um bodoque pendurado no pescoço. Algo inconcebível nos dias atuais. 

Talvez o episódio de “O Minotauro”, que também foi reprisado recentemente, tenha sido o que mais causou alvoroço por parte do público. Botou medo numa geração inteira de crianças. Geraldo Casé, diretor da atração, afirmou em entrevista que pais enviavam cartas à emissora solicitando que tal episódio fosse retirado do ar porque provocava medo nas crianças. Sabe qual foi a resposta de Casé? “A ideia é justamente essa. Crianças também precisam sentir medo.” 

Assim crescemos, sem ser poupados de nada. Um cardápio que incluía o bem e o mal, o doce e o amargo, a alegria e a tristeza… Dessa maneira, fomos absorvendo os sentidos antagônicos da vida.

Anos passaram. Tornei-me adulta, e a internet chegou.

Há vários vídeos no Youtube em que se pode constatar como a casa do sítio, que serviu de locação à época, estava abandonada, praticamente em ruínas. Ao ver, chorei por dentro, aquele choro abafado de uma dor interna. Chorava a infância, o sonho, a ilusão, a fantasia. Chorava o que um dia tinha sido.

Eis que surge uma boa notícia: o sítio foi comprado, e a casa, reformada. A atual proprietária foi fiel à construção da década de 70. Recuperou detalhes destruídos com a ação do tempo e colocou o espaço para visitação. 

Fica em Barra de Guaratiba, no Rio de Janeiro. As visitas são agendadas diretamente com a proprietária, sendo possível acessar a página do Facebook: www.facebook.com/sitiodopicapauamareloomundomagicodelobato/, para informações.

Quero ir até lá. Estar naquele espaço encantado que embalou a minha infância. Enquanto isso não acontece, sigo acompanhando a programação matinal do canal Viva com a mesma empolgação e intensidade de quando era apenas uma menina. 

Em tempos tão sisudos, é imprescindível para a saúde que a gente reserve momentos destinados ao lúdico e aos sonhos.

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