conecte-se conosco

Centro de Letras

Pistola

Enquanto as promessas políticas continuavam sendo apenas promessas, a vida do parnanguara permanecia difícil, principalmente para os mais pobres

Publicado

em

milho

Enquanto as promessas políticas continuavam sendo apenas promessas, a vida do parnanguara permanecia difícil, principalmente para os mais pobres. “O problema do ensino primário […] a par com o problema de luz é o mais aflitivo e grave”, afirmava o jornal “Última Hora”. Lupion teria prometido “diversos estabelecimentos de ensino”, mas a “maioria ficou no papel, enquanto o restante teve sua construção interrompida no início”. Destino parecido tiveram a ampliação da Escola Normal e a construção do Grupo Escolar na Vila Guarani, esta paralisada quando estava em condições de receber o telhado: “Agora é uma tapera invadida pelo mato” e as crianças precisam caminhar três quilômetros para estudar, pois também não existia transporte até o Rocio. Sem iluminação, os cursos noturnos foram fechados, gerando uma enorme demanda no ensino diurno. Por conta da superlotação nas escolas diurnas, “Alguns pais para matricularem seus filhos, comprometem-se a fornecer os bancos e carteiras, implorando apenas que lhes dêem um cantinho na sala de aula”.

O mesmo jornal, através de uma pequena crônica sobre a falta de eletricidade em Paranaguá, ironizava a briga política: o “esporte predileto” de Brasílio Abud seria “jogo de palitos no bar do portuga”; como ele era oposição ao govenador, este não resolvia a carência de energia elétrica em Paranaguá apenas para atrapalhar os jogos de palito do vereador. Ainda segundo a crônica, Abud não se deixaria abalar pelas manobras do governador e iria “continuar, quer às claras ou no <escuro>, combatendo o governo”.

Uma das promessas não realizadas era o “Ginásio de Paranaguá [ao] lado do prédio dos Correios e Telégrafos” na Praça João Gualberto. Colocaram as estacas com muita comemoração no início do primeiro governo Lupion, mas há tempos a obra estava abandonada, sendo apelidada de “Pistola”.

Alexandre Camargo de Sant’Ana.

Continuar lendo
Publicidade

Em alta