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Centro de Letras

Pão, milho e café

Quando a década de 20 chegava ao fim, a Praça João Gualberto era bem diferente daquele antigo banhado

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Por Alexandre Sant’Ana

Quando a década de 20 chegava ao fim, a Praça João Gualberto era bem diferente daquele antigo banhado. Além da retirada dos velhos elementos, como a cruz do Pica-Pau, a Fonte Nova e a Lavanderia, a região estava aterrada e continuava em processo de urbanização. Já havia a Nova Estação, o Instituto de Educação (Escola Normal) e um campo de futebol utilizado para partidas profissionais, inclusive contra equipes de fora. Mas a Praça permanecia um grande descampado e ainda não existiam: o prédio dos correios, o ginásio de esportes nem a biblioteca.

Em março de 1931, quando visitava a capital paranaense, o prefeito de Paranaguá Didio Costa, eleito para o quadriênio 1928-32, concedeu uma entrevista ao jornal “O Dia”. Segundo ele, quando assumiu a Prefeitura as finanças estavam em boa ordem e recebeu muito apoio da Câmara Municipal para continuar com as melhorias na cidade. Abriu, aterrou e calçou várias ruas, facilitando o trânsito para os 200 (isso mesmo, duzentos) automóveis que existiam na cidade. Também melhorou o aterro da Praça João Gualberto e colocou calçamento em uma parte do logradouro. As obras no Porto Dom Pedro II continuavam e finalmente a água potável encanada chegava ao Rocio.

No final daquele ano, repórteres do jornal “O Dia” visitaram a “Padaria Mechanica Salim Cury”, localizada na Praça João Gualberto. Foram recebidos pelo gerente e filho do proprietário, senhor Tuffi Cury, que apresentou o estabelecimento. De acordo com o jornal, além da higiene do local, chamava a atenção os “machinismos modernos” e elétricos (energizados por um gerador de 6,1HP) que possibilitavam a fabricação do pão sem “a interferência do padeiro”. Junto à padaria, havia uma fábrica de beneficiamento de milho, produzindo farinha e fubá, e uma de café torrado.