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Ciência e Saúde

Médico destaca que vacinação é essencial para o combate à febre amarela no litoral

Unidades de saúde de Paranaguá oferecem gratuitamente a vacina contra a febre amarela (Foto: Prefeitura de Paranaguá/Secom)

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João Felipe Zattar Aurichio explica situação de estado de alerta de febre amarela no litoral 

Desde a confirmação da morte de macacos em área de floresta de Antonina devido à febre amarela, algo feito pela Secretaria de Estado da Saúde após exames laboratoriais na sexta-feira, 25, Paranaguá, o litoral e o Paraná estão em estado de alerta com a doença. O médico clínico João Felipe Zattar Aurichio afirma que a vacina contra a febre amarela é a principal arma contra a doença, algo que está sendo disponibilizado em unidades públicas de saúde de Paranaguá e do litoral. Além disso, ele afirma que para se vacinar há algumas orientações necessárias aos pacientes, bem como aborda sobre a doença da febre amarela e as suas diferenças com relação à dengue.

“A febre amarela é uma doença infecciosa causada por um vírus e transmitida pelo mosquito haemagogus, na forma silvestre, ou Aedes aegypti, na forma urbana. Ambas podem causar febre, dor no corpo, náusea ou vômito e diarreia. Em casos mais graves podem ocorrer icterícia (amarelão), problemas renais e no fígado. Geralmente os sintomas aparecerem três a seis dias após a picada, podendo ocorrer 15 dias em alguns pacientes. O homem funciona como hospedeiro definitivo, aquele que desenvolve a doença, como macaco. Enquanto o mosquito, como hospedeiro intermediário, aquele que transmite a doença”, afirma o médico João Felipe.

Segundo ele, a principal forma de combate à doença é a vacina. “O tratamento que temos disponível hoje é somente suportivo, ou seja, somente tratamos os sintomas para que o próprio corpo elimine o vírus. Dessa forma, a vacina é de extrema relevância. Todos aqueles que estiverem em área de risco ou alerta, como Paranaguá, Antonina e Morretes e o litoral, ou que irão viajar para esses locais devem se vacinar. Porém, em alguns grupos de pessoas, essa vacina pode ocasionar algumas reações adversas e, portanto, deve ser analisado o real benefício da vacina”, explica o médico.

De acordo com o profissional, na dúvida sobre tomar ou não a vacina, o médico deve ser sempre procurado. “As pessoas que estão fora dos grupos de contraindicação podem procurar por conta própria para aplicação da vacina. No entanto, aqueles que se enquadram no grupo de risco devem sempre procurar o médico antes de tomá-la”, acrescenta. Segundo o médico, entre o grupo de risco temos: adultos mais de 60 anos, crianças com menos de nove meses, gestantes, lactantes, portadores de doenças que prejudiquem imunidade como câncer, lupus, HIV, diabetes descompensado, indivíduos com alergia grave ao ovo e pessoas que utilizam medicamentos que diminuam a imunidade. 

Segundo o médico, entre as reações adversas à vacina existem as locais, que são no local de aplicação como dor ou avermelhamento da região. “Além disso, há reações sistêmicas, ou seja, em todo o corpo. Como a vacina é feita de vírus vivo, mas bastante fraco ou atenuado, o paciente do grupo de risco que tomá-la sem a devida orientação médica pode até mesmo desenvolver sintomas similares da doença”, completa.

“A vacina é de extrema relevância. Todos aqueles que estiverem em área de risco ou alerta, como Paranaguá, Antonina e Morretes ou que irão viajar para esses locais devem se vacinar”, afirma o médico João Felipe

QUEM SE VACINOU UMA VEZ NÃO PRECISA TOMAR OUTRA VEZ

Várias dúvidas entre os cidadãos com relação a tomar a vacina ou não surgiram, entre elas o fato de que se quem tomou uma vez na vida, necessita tomar outra dose. “Outra orientação bastante controversa é com relação ao tempo de tomar novamente a vacina. Antes de 2014, havia a orientação por parte da OMS (Organização Mundial de Saúde) de tomar a vacina a cada 10 anos, mas após inúmeras pesquisas chegou-se à conclusão de que uma única dose daria a imunidade necessária. Dessa forma, atualmente, a orientação pelo Ministério da Saúde é tomar uma única dose, não mais de dez em dez anos”, explica o médico João Felipe.

Caso o paciente contraia a febre amarela, é realizado um tratamento médico com foco no combate aos sintomas, principalmente com antitérmico para febre, analgésico para dores e contínua hidratação adequada. “Ou seja, o tratamento não é diretamente no vírus, mas para controlar a doença. E a importância de consultar o médico é não somente para iniciar de imediato o tratamento, mas para que o próprio profissional faça a notificação da doença e assim ajudar no combate da doença através das estratégias da Saúde Pública”, diz o médico.

DIFERENÇAS DOS CASOS DE FEBRE AMARELA NA REGIÃO E DA EPIDEMIA DE DENGUE EM 2016

Segundo o profissional médico, a epidemia de dengue em Paranaguá no ano de 2016 não possui relação com a possibilidade de ocorrência de uma epidemia de febre amarela no município. “A dengue não tem relação com a febre amarela. A febre amarela que temos casos atualmente é da forma silvestre, transmitida pelo mosquito Haemagogus e Sabethes. A forma urbana, que é transmitida pelo Aedes Aegypti não há no Brasil há cerca de 60 anos já. Dessa forma, o Haemagogus é um mosquito muito diferente do Aedes Aegypti, ele tem predileção por copas de árvore e habitat florestal, enquanto o outro prefere entulhos com água parada e está mais em ambientes urbanos. Apesar das duas doenças terem sintomas similares no início, nada tem uma  a ver com a outra”, explica.

No caso de haver uma epidemia de febre amarela, segundo João Felipe, a orientação médica é de que de imediato profissionais de saúde devem organizar os serviços de atendimento para poder realizar o diagnóstico de forma mais rápida, triar casos de diferentes gravidades e tratá-los logo em seguida. “Além disso, a população deve se vacinar e, na suspeita de algum sintoma, procurar logo o médico, para não atrasar o diagnóstico e tratamento. E a última orientação: busquem informações com profissionais de saúde, jamais tenham notícias de fontes diversas, isso também gera uma desorganização em um possível atendimento que deve ser feito em uma epidemia”, finaliza o médico.
 

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