O crescimento de Guto Silva nas pesquisas eleitorais não é apenas um número. É um movimento político. Ao atingir 14% na mais recente sondagem do IRG sua melhor marca até aqui, o pré-candidato do PSD deixa de ser coadjuvante e passa a ocupar, de fato, uma posição estratégica no tabuleiro da sucessão estadual.
Mais do que comemorar, Guto Silva tratou de dar o tom político correto ao resultado, vinculou seu avanço ao “reconhecimento do trabalho realizado junto com o governador Ratinho Junior. E aqui está o ponto central da sua narrativa que não se trata de um projeto isolado, mas de uma tentativa clara de herdar um ciclo administrativo.
A pesquisa revela nuances importantes. O desempenho expressivo entre jovens, onde Guto alcança 20%, indica que sua mensagem começa a furar bolhas e dialogar com uma nova geração de eleitores. Ao mesmo tempo, sua aceitação equilibrada entre diferentes faixas de renda e escolaridade mostra consistência, algo raro em candidaturas ainda em fase de construção.
Por outro lado, o cenário ainda impõe desafios evidentes. Sergio Moro lidera os cenários testados, enquanto Requião Filho aparece consolidado na segunda posição em boa parte das simulações. Isso significa que, apesar do crescimento, Guto ainda disputa espaço em um ambiente competitivo e fragmentado.
E há uma questão que não pode ser ignorada que é o alto índice de indecisos, especialmente na pesquisa espontânea, onde quase 70% do eleitorado ainda não definiu seu voto. Isso não é apenas um dado estatístico é um campo aberto. Um terreno fértil para quem souber ocupar o espaço com narrativa, presença e posicionamento.
Dentro do próprio PSD, o crescimento de Guto também reconfigura o debate interno. Ele passa a dialogar em pé de igualdade com nomes como Alexandre Curi e Rafael Greca, ambos com recall semelhante na lembrança espontânea do eleitor.
E é aqui que a política se impõe com suas perguntas inevitáveis:
O eleitor paranaense quer continuidade ou ruptura?
Quem, dentro do PSD, tem maior capacidade de ampliar alianças e enfrentar adversários já consolidados?
A resposta ainda está em construção. Mas um fato é incontestável Guto Silva entrou, definitivamente, no radar competitivo da eleição.
Em política, crescimento não se mede apenas em números, mede-se em percepção, viabilidade e capacidade de se tornar inevitável.
A pesquisa realizou 1.000 entrevistas entre os dias 13 e 18 de março no Estado do Paraná, com base em dados como: sexo, faixa etária, grau de escolaridade e renda. A margem de erro máxima para o total da amostra é de 3,1 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%. Ela está registrada com o número TSE PR-02737_2026.





