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Polícia Civil deflagra Operação Terra Prometida

12 de março de 2019

Os suspeitos chegaram a vender uma única propriedade, localizada no Balneário Albatroz, para diversas pessoas ao mesmo tempo.

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A Polícia Civil do Paraná (PCPR) está nas ruas, nesta terça-feira (12/03), para cumprir oito mandados de prisão contra integrantes de duas quadrilhas distintas, ambas suspeitas de aplicar o golpe da “falsa venda” de imóveis no litoral do Estado. Os suspeitos utilizavam documentos falsos para ludibriar as vítimas e consumar as vendas.

NÚCLEO UM - A primeira quadrilha seria comandada por uma transexual, de 48 anos, da qual também fazia parte, seu companheiro, de 48 anos; um corretor de imóveis, de 29 anos; um tabelião, de 83 anos; e uma escrevente do tabelionato, 52 anos.

Três integrantes passavam-se por proprietários e corretor, de um imóvel localizado no Balneário Guaciara, em Matinhos. O trio criou um anúncio, ofertando a falsa propriedade, em um site de compra e venda da internet, que atraiu as vítimas. 

Demonstrando interesse no imóvel, as vítimas entraram em contato e começaram a negociar com os suspeitos. Após diversas tratativas, elas marcaram de concluir a compra e formalizar o contrato em um escritório, situado no bairro Flamingo, em Matinhos, que um dos suspeitos utilizava para atender pessoas que caíam no golpe.

No local, a transsexual, passando-se por proprietária do imóvel, e as vítimas assinaram um Instrumento Particular de Compra e Venda. Diante do fato, todos deslocaram-se para um cartório localizado em Mandirituba, ao invés de um cartório de Matinhos, para realizar a parte burocrática da tramitação.

Ao serem questionados, pelas vítimas, da razão pela qual fariam a Escritura Pública de Compra e Venda em um cartório de Mandirituba e não de Matinhos, o suspeito respondeu que só faziam procedimentos ali, pois os servidores do local eram seus amigos e por isso teriam preferência no atendimento e ainda receberiam descontos especiais na documentação. 

Ao chegarem no local, o tabelião do cartório já estava aguardando a quadrilha para dar suporte na consumação do golpe, junto da escrevente juramentada, que lavrou a Escritura Pública de Compra e Venda do imóvel fraudulento. 

O imóvel havia sido anunciado por R$80 mil. As vítimas deram um sinal de R$5 mil para a reserva do imóvel e pagaram R$25 mil em cheque, no ato da assinatura do Instrumento Particular de Compra e Venda.

Conforme apurado, no momento da assinatura da escritura pública, embora as vítimas tivessem solicitado, os suspeitos não realizaram a apresentação de documentos que comprovassem a propriedade do imóvel adquirido, afirmando que posteriormente iriam apresentar escrituras e certidões pertinentes.

Posteriormente, ao pesquisar em registros públicos, perceberam que teriam sido vítimas de uma fraude e que o imóvel seria de propriedade de uma construtora, a qual teria sido objeto de execução judicial e estaria registrado como sendo de propriedade da União Federal. 

Diante do fato, as vítimas procuraram a PCPR, que deu início às investigações no mês de outubro de 2018 e através de um intenso trabalho de inteligência conseguiu identificar e localizar os suspeitos.

NÚCLEO DOIS - A segunda quadrilha é composta por um homem, de 42 anos, e duas mulheres, de 27 e 35 anos. Essa associação criminosa é suspeita de vender terrenos e até uma fazenda utilizando documentos falsos em Matinhos, Litoral do Estado. 

De acordo com a PCPR, os suspeitos chegaram a vender uma única propriedade, localizada no Balneário Albatroz, para diversas pessoas ao mesmo tempo. As investigações apontam que as vítimas teriam pago valores entre R$1 mil e R$15 mil por cada lote, valores esses, pagos em dinheiro diretamente para ao líder da quadrilha ou depositado em contas bancárias uma das integrantes.

Os suspeitos levavam as vítimas ao escritório da outra suspeita, onde assinavam um documento intitulado “Compromisso Particular de Compra e Venda”. Isso era feito sem que as vítimas tivessem qualquer assistência jurídica, bem como, sem ter conhecimento e informações corretas a respeito da burocracia de aquisição de um imóvel

Os suspeitos também realizavam reuniões com as vítimas, nas quais apresentavam a necessidade de se abrir vias públicas no local e cobravam R$250 por cada lote adquirido. Valores pagos diretamente aos suspeitos.

Embora os fatos tivessem ocorrido entre os anos de 2015 e 2018, somente no ano passado as vítimas tiveram conhecimento de que caíram em um golpe, pois foram tentar realizar melhorias nos terrenos e foram impedidas por um amigo do verdadeiro proprietário do local, que confirmou para as vítimas que esse golpe era recorrente ali. 

Ao tomar conhecimento dos fatos, a PCPR iniciou todas as diligências e realizou todos os procedimentos cabíveis para identificar e prender o grupo criminoso. De acordo com as investigações esse golpe já conta com mais de dez vítimas e o prejuízo é de aproximadamente R$100 mil, até o momento. 

As investigações devem continuar com o intuito de identificar outras vítimas e responsabilizar todas as pessoas envolvidas com o crime. 
 

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