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Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá

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Colônia Japonesa em Cacatu

22 de outubro de 2017

Na Coluna do IHGP de março foi publicado que Vicente Nascimento Junior foi residir em Antonina e, como Secretário de Agricultura naquele município, acompanhou a instalação da Colônia Japonesa em Cacatu.

As localidades de Cachoeira e Cacatu em Antonina registraram a presença de japoneses em 1915.

Os imigrantes japoneses trabalhavam como empregados em fazendas realizando serviços braçais, com o sonho de juntar dinheiro, comprar terras e tocar lavouras por conta própria num futuro próximo. A possibilidade de se tornarem proprietários de terras era a grande esperança de progredirem.

Em 1917 foi iniciada a Colônia Cacatu, a primeira fundada por japoneses no Paraná. Os irmãos Jingoro e Missaku Hara compraram 200 alqueires e Mokichi Yassumoto comprou 50 alqueires. Com a necessidade de mão de obra para cultivo, resolveram trazer colonos do Japão.

Os relatos contam que o início da vida na Colônia Cacatu foi marcado por sacrifícios: maleita, falta de escolas e dificuldade de comunicação. Plantava-se arroz, banana, cana de açúcar, café. Para ir à cidade de Antonina, levavam aproximadamente duas horas para percorrer a distância com o único meio de transporte, a canoa.

Em 1928 o Prefeito Soares Gomes sancionou uma lei para isentar de impostos municipais uma empresa de “bananas passadas” durante o prazo de cinco anos, onde consta que foi registrada e publicada em 08/11/1928 pela Secretaria da Prefeitura de Antonina e tendo como Diretor Secretário o Sr. Vicente Nascimento Junior.

No início da década de 1930 a Colônia Cacatu apresentava um grande crescimento, com lavoura de cana de açúcar e fabricação de pinga, com trabalhadores japoneses e nativos locais. Havia escola, armazém de secos e molhados, várias casas e na escola primária também havia curso de língua japonesa. A Segunda Guerra Mundial influenciou na desestruturação da colônia, quando os imigrantes japoneses tiveram que abandonar o litoral.

Diante de um mundo diferente e desconhecido, os imigrantes com suas ansiedades, lutas e coragem, transferem para o presente uma bagagem de experiências. Eles e seus descendentes construíram e mantém seu espaço no contexto social, atualmente com organizações que revelam sua visão de mundo e da etnia, abertos à comunidade.

Ryu Mizuno, um dos japoneses pioneiros no Brasil, relata em seu diário: “É fundamental amar a terra escolhida para emigrar; e, é ato de supremo amor, não abandoná-la, fixando-se nela.”

 

Carla Cristina Tonetti Zaleski - Diretora de Geografia - IHGP