O greening, doença que afeta o cultivo de frutas cítricas, segue avançando pelo Paraná. Segundo levantamento da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), até dezembro de 2025, 164 municípios têm registro da bactéria Candidatus Liberibacter spp, transmitida pelo inseto psilídeo-dos-citros (Diaphorina citri). Diante da disseminação, o Sistema FAEP reforça a necessidade de os produtores adotarem medidas de prevenção e controle nos pomares.
Os registros abrangem diferentes regiões do Estado, incluindo Norte, Noroeste e Vale do Ribeira, importantes áreas de produção de frutas cítricas. Nos pomares, a doença provoca sintomas como folhas com amarelamento irregular, frutos manchados e queda na produção. A infecção pode levar à morte precoce das árvores. A presença da doença exige atenção também nos municípios vizinhos, já que o inseto transmissor pode circular entre propriedades e levar a bactéria de plantas infectadas a pomares saudáveis.
“A sanidade depende do compromisso de todos os elos da cadeia produtiva. Precisamos unir esforços para que a orientação chegue ao produtor e se traduza em ações no campo. No combate ao greening, o cuidado em cada propriedade contribui para proteger os pomares de toda a região e do Paraná”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette.
A Portaria 105/2026 da Adapar, publicada em março e que contou com a participação do Sistema FAEP na elaboração, estabelece obrigações para prevenir novas infecções e conter os focos existentes. Do contrário, segundo Elisangeles Baptista de Souza, técnica do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP, a ausência de monitoramento, o controle ineficiente do vetor, pomares abandonados e a não erradicação de plantas infectadas contribuem para a disseminação da doença.
“A prevenção exige atenção mesmo onde ainda não há sinais da doença. Uma propriedade pode manter o controle do próprio pomar e continuar exposta ao inseto vindo de áreas próximas. Por isso, identificar plantas com sintomas, controlar o psilídeo e eliminar fontes de contaminação são tarefas que dependem da participação dos produtores de uma mesma região”, explica.
Fiscalização e controle
O combate ao greening envolve pomares comerciais, plantas cultivadas em quintais em áreas urbanas, além de viveiros e estabelecimentos que vendem mudas. Segundo Diego Juliani de Campos, chefe de divisão de Sanidade da Citricultura da Adapar, a fiscalização nessas diferentes frentes busca identificar plantas com sintomas e verificar o controle do psilídeo, inseto transmissor da doença.
“Essas áreas não comerciais e urbanas, apesar de terem menos plantas, contribuem para a disseminação da doença, para manter a bactéria e também a presença do psilídeo”, explica Campos.
Nos municípios com ocorrência de greening, a fiscalização dos pomares comerciais verifica tanto a presença de plantas com sintomas quanto a eficiência do manejo do inseto. Quando são encontradas irregularidades, a Adapar notifica o produtor para adotar as medidas previstas na Portaria 105/2026. Já nos municípios sem registro da doença, folhas de plantas com sintomas suspeitos são coletadas e encaminhadas ao laboratório da Agência, em Curitiba, para diagnóstico.
A portaria determina o cadastro das propriedades com produção comercial de citros e ao menos 50 plantas. Nos municípios com ocorrência de greening e nos limítrofes, os produtores devem monitorar e controlar o psilídeo conforme a metodologia da Adapar. Nos pomares comerciais, também são obrigatórias vistorias trimestrais e a apresentação de dois relatórios anuais com os resultados das inspeções, até 15 de julho e 15 de janeiro.
Nos imóveis com manejo eficiente do inseto, árvores com até oito anos ou mais de 15 anos devem ser retiradas imediatamente. Para plantas de nove a 12 anos, o prazo é de quatro anos, enquanto para aquelas de 13 a 15 anos, de três anos, contados a partir da publicação da portaria. Ao final dos quatro anos, a retirada passa a ser imediata, independentemente da idade. Quando mais de 50% das plantas de um talhão apresentarem sintomas, todas as árvores devem ser eliminadas.
As medidas também alcançam os cultivos sem finalidade comercial. Segundo Campos, nos municípios com presença da doença, não é permitida a manutenção de plantas hospedeiras em áreas não comerciais, rurais ou urbanas, situadas em um raio de quatro quilômetros dos pomares comerciais. Fora dessa distância, as plantas podem ser mantidas, desde que não apresentem sintomas da doença.
A fiscalização inclui ainda produtores e comerciantes de mudas, que devem estar cadastrados na Adapar e cumprir as exigências sanitárias. Entre os cuidados está a manutenção das mudas em ambientes protegidos por telas, para impedir o acesso do inseto transmissor durante a produção e a comercialização.
Da assessoria




