Na tarde de quinta-feira, 19, aconteceu uma entrevista ao vivo direto dos estúdios da Folha do Litoral News com o Cláudio Apiacas, presidente da Escola de Samba Filhos da Gaviões, agremiação campeã do Carnaval 2026 de Paranaguá. Cláudio destacou a conquista do título, após quase seis anos sem desfiles oficiais na cidade.
Logo no início da conversa, Cláudio demonstrou gratidão e alegria pela vitória. “Ainda a gente se sente muito feliz de estar aqui, principalmente sendo o campeão do Carnaval de 2026”, afirmou.
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Emoção e superação
Ao relembrar o momento da apuração, o presidente destacou que o sentimento foi além da conquista do troféu. “A sensação maior foi uma mistura de emoção e superação. A superação que não só a Filhos da Gaviões, mas como todas as outras escolas tiveram para fazer esse Carnaval de 2026”, disse.
Segundo ele, o período sem desfiles impactou profundamente as agremiações. “Quando houve essa pausa, nós nos sentimos um pouco menores dentro da nossa cultura. O tempo era curto para organizar tudo, mas conseguimos fazer com humildade e buscando a perfeição no que queríamos demonstrar na avenida”.
A vitória veio de forma apertada, por apenas um décimo de diferença. “Foi bem apertada, respeitando todas as outras. A gente entra para competir. Ganhar ou perder faz parte, mas alguém vai ganhar. E esse ano conseguimos”, contou o presidente da escola.
Enredo de fé e inspiração
A escola levou para a avenida a história de Santa Josefina Bakhita, primeira santa africana, com forte ligação com a comunidade da região Sul de Paranaguá. Cláudio contou que a escolha do enredo foi construída com diálogo e respeito. “Antes de tudo, eu consultei o nosso bispo para saber se poderíamos fazer essa homenagem. Ele deu o ‘ok’. Depois aguardamos o padre assumir a paróquia para também ter essa segurança”.
O presidente destacou que a proposta era fazer um Carnaval respeitoso e evangelizador. “Era explicar que a gente iria fazer um Carnaval com respeito à santa. Estamos falando de uma pessoa santificada. Ela serviu de inspiração. Quando você serve de inspiração para outras pessoas, é porque está no nosso coração”, destacou em entrevista à Folha do Litoral News.
Ele também ressaltou a simbologia feminina do enredo. “Foi um momento de superação e empoderamento feminino. Josefina Bakhita foi muito maltratada na vida, mas conseguiu superar tudo através da fé. Eu digo para as meninas: estudem. A vida para a mulher é ainda mais difícil. O estudo é o caminho”.
Desfile nota 10
No domingo de Carnaval, a escola apresentou comissão de frente caracterizada como gaviões, seis alas temáticas, ala das baianas, bateria, mestre-sala e porta-bandeira e dois carros alegóricos construídos praticamente do zero. “A nossa comissão de frente foi perfeita. Levaram nota 10. O mestre-sala e porta-bandeira foram de uma perfeição que emocionou. A bateria veio simbolizando amor ao samba, à santa e ao Carnaval”.

Cerca de 200 componentes participaram do desfile. “Foram seis alas, dois carros grandes, tudo feito com muito esforço depois de tantos anos parados. Mas valeu a pena”, frisou Cláudio Apiacas.
Trabalho social o ano inteiro
Fundada em 20 de outubro de 2003, a Filhos da Gaviões mantém sede no bairro Jardim Guaraituba desde 2011. Além do Carnaval, a escola desenvolve ações sociais permanentes. “Nós temos capoeira, balé, aula de música, teatro, violão e vamos iniciar oficina de cozinha. Tudo gratuito. Também distribuímos cestas básicas para famílias em situação de vulnerabilidade. A Gaviões não é só Carnaval, é comunidade o ano inteiro”, disse.
O presidente destacou ainda que o espaço hoje é reconhecido como ponto de cultura e que as atividades devem ser retomadas oficialmente já no início de março.
Olhar para 2027
Mesmo com o título recém-conquistado, o pensamento já começa a se voltar para o próximo desfile. “Eu sinto que em 2027 a gente pode fazer melhor. Não só nós, mas as outras escolas também. Isso é importante. Eleva o nível do Carnaval da nossa cidade”, disse.
Cláudio também confirmou apresentações já agendadas nas universidades de Paranaguá e em eventos religiosos, além da festa do título.
Missão cumprida
Para o presidente, o troféu representa mais do que um resultado na avenida. “O nosso trabalho maior foi alcançado, que foi a vitória. Mas precisamos alcançar outras vitórias, não só no mundo do Carnaval, mas em termos gerais. A nossa cidade merece continuidade na cultura, no respeito e no desenvolvimento social”.
Ao final da entrevista, emocionado, ele agradeceu o apoio da comunidade e reforçou seu amor por Paranaguá. “Quando a gente chega numa idade como a nossa, a gente já não conta a história. A gente já é uma história. E isso é construído com as pessoas. Que Deus abençoe todas as escolas de samba e viva o Carnaval da nossa cidade”, finalizou.
A Filhos da Gaviões apresentou o enredo “Santa Josefina Bakhita – Fé na Adversidade”, contando a trajetória da mulher sudanesa sequestrada na infância, escravizada e posteriormente canonizada pela Igreja Católica.
Entrevista na íntegra
A entrevista na íntegra pode ser conferida acessando o YouTube da Folha do Litoral News:






