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Educação

Terceira idade nas faculdades: cada vez mais pessoas têm buscado o sonho de se formar

Aos 60 anos, Ivonete cursa o primeiro ano de Pedagogia na Unespar Paranaguá

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Aos 60 anos, mãe de três filhos e na universidade. Esse é o resumo da história de Ivonete Luiza do Amaral, costureira que atualmente cursa Pedagogia na Unespar (Universidade Estadual do Paraná), campus Paranaguá, e faz parte de uma estatística importante sobre educação no País. 

O Brasil registrou um crescimento expressivo do número de pessoas com mais de 60 anos no Ensino Superior. Segundo dados da última edição do Mapa do Ensino Superior, lançada em 2021, existem quase 198 mil idosos matriculados em cursos superiores, o que corresponde a 2,3% dos 37,7 milhões de idosos registrados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Houve um aumento de 50% das matrículas entre 2015 e 2019, segundo dados do Censo da Educação Superior. O ingresso no Ensino Superior de alunos com 59 anos ou menos cresceu apenas 7% no mesmo período. Entre 2013 e 2017, o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) também já havia registrado avanço de 46% no número de ingressos da terceira idade à universidade.

Dona Ivonete passou neste ano no vestibular da Unespar e contou um pouco da sua trajetória até a chegada à universidade.

“Tem uma fase da vida que a gente investe nos filhos. Eu falava muito em perda de tempo, mas na verdade é um investimento que fazemos nos filhos. Só guardamos os nossos sonhos, adiamos, para formar os filhos. Venho de uma família onde poucos se formaram e sabemos das dificuldades em arrumar emprego”, disse.

EJA

Com formação até o quarto ano do Ensino Fundamental, após a separação do primeiro marido, ela retomou os estudos através do Ensino de Jovens e Adultos (EJA).

“Me formei pelo EJA em 2017 e agora consegui ingressar na universidade. O receio da gente que sai de dentro do lar para meter a cara em uma faculdade é de estar muito velha, se a gente vai conseguir trabalhar depois. Lavar, passar e cozinhar não desenvolve a nossa mente, é automático. A faculdade é uma coisa nova, meu cérebro parece que vai explodir de tanta informação, mas é também uma euforia como se eu tivesse começando agora na escola, é emocionante. Eu sou a vovó da sala”, afirmou Ivonete.

“Precisamos entender a importância da criança na sociedade”, disse Ivonete sobre a escolha do curso de Pedagogia

Vestibular

O convite para fazer o vestibular veio da irmã um pouco mais nova que também passou na seleção e cursa Pedagogia na mesma sala. A notícia da aprovação foi comemorada com emoção. “Ela me mandou uma mensagem para abrir o site e ver que passamos. Foi um susto, não sabia se contava logo para os meus filhos, foi uma felicidade enorme. Agora, é um dia após o outro. Ficamos muito tempo longe da escola e é tudo novo. Estamos em mais de 40 alunos na sala e a maioria são muito jovens”, observou Ivonete.

No começo, ela não sabia como seria recebida na sala de aula. Mas, Ivonete contou que teve ajuda dos colegas e a troca de experiência tem sido enriquecedora. “Uma ajuda a outra”, ressaltou.

De acordo com ela, a escolha do curso de Pedagogia se deve a já participar na igreja no ensinamento de crianças e adolescentes. “Precisamos entender a importância da criança na sociedade. Também já fiz o curso de Defensoria Pública para poder ajudar, também já fiz curso de cuidador de idoso. Hoje, estou muito feliz de estar na universidade”, relatou.

Depois de se formar e ter o diploma do Ensino Superior, Ivonete não quer parar de estudar. “A educação é algo muito amplo. Temos que continuar estudando, abriu uma porta na minha cabeça e eu me vejo dando aula, quero ter esse prazer. Fiquei de voluntária no antigo Hospital Infantil, onde tinha uma pedagoga que eu auxiliava. Tinha algumas crianças que estavam sem os pais e eu me apaixonei por esse trabalho. Acho que eu gostaria de correr atrás dessa área de pedagogia hospitalar. Eu tenho isso de ajudar as pessoas, de orientar”, finalizou Ivonete.