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Dia da Mulher

Colaboradoras enaltecem a presença feminina nos Portos Paranaenses

Maricy e Manuela são portuárias e representantes femininas na atividade

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Maricy Meira da Rocha é portuária há 48 anos. Grande parte da trajetória da colaboradora é até hoje dedicada ao Porto de Antonina, cidade onde cresceu, estudou e escolheu para exercer o trabalho até hoje. Em Paranaguá, a engenheira civil Maria Manuela da Encarnação Oliveira também atua na área portuária desde agosto de 1987. Neste Dia Internacional da Mulher, elas contam como construíram suas trajetórias profissionais em um universo majoritariamente masculino, mas que tem tido cada vez mais representatividade feminina.

Funcionária de carreira em Antonina

Maricy é colaboradora no Porto de Antonina e iniciou na atividade há 48 anos, tomando um caminho diferente das mulheres na época. “Eu tinha recém terminado o segundo grau e precisava arranjar um serviço. Aqui, em Antonina, a maior parte dos colegas foi para o magistério. E aí surgiu a oportunidade de fazer o concurso para o porto. Meu cunhado incentivou, fiz o concurso e passei”, conta a portuária orgulhosa sobre a convocação do concurso realizado em 1974.

“Aqui em Antonina não tinha perspectiva de ter mulher no porto. Em Paranaguá, tudo bem”, diz a portuária, que inicialmente realizou o trabalho na cidade e seguiu até 1977, quando pediu transferência para Antonina para evitar deslocamentos entre as cidades do litoral paranaense.

O primeiro setor em que Maricy trabalhou se chamava seção de cadastro, o equivalente aos Recursos Humanos. Depois, passou por mais duas áreas. “Eu vim para Antonina como secretária do diretor onde fiquei 19 anos. Depois, fui para a seção de operação, onde permaneço até hoje”, diz a portuária.

O prédio Barão de Teffé, sede da Portos do Paraná em Antonina, segundo Maricy, funciona como suporte ao terminal privado que opera na cidade, com pátio de caminhões e triagem. Hoje, a colaboradora divide o local com oito colegas, entre colaboradores, serviços gerais e Guarda Portuária.

“Hoje todo o meu serviço é feito por computador. Antes, era feito por quatro ou cinco funcionários”, explica a colaboradora sobre a transformação do trabalho ao longo dos anos no porto. “Aprendi a usar o computador no serviço. Antigamente, eu fazia a cobrança de navios no manual, um a um. Hoje em dia é só usar o computador. ”

Dona Maricy, que planeja a aposentadoria, diz que quer aproveitar para descansar e viajar. “O que eu tinha que fazer, eu fiz no porto”, diz a portuária, sobre a trajetória profissional. A colaboradora que está perto de completar Bodas de Ouro define em uma só palavra o Porto de Antonina: “Segunda casa”.

“Entrei na minha juventude, criei dois filhos e continuo, né? Tudo que eu faço, primeiro vem o Porto. Em 48 anos de porto, tive apenas duas faltas descontadas. E por motivo de viagem”, conta a trabalhadora, ao falar da dedicação à empresa pública.

Primeira diretora técnica

Maria Manuela da Encarnação Oliveira trabalha no Porto de Paranaguá desde agosto de 1987. Com dupla nacionalidade, portuguesa e brasileira, nasceu em uma ex-colônia portuguesa localizada na costa oriental africana, em Moçambique. “Isso porque meus pais, de nacionalidade portuguesa, haviam emigrado para a África antes dos anos 50. Quando emigrei para o Brasil, em 1976, por causa da guerra colonial na África, eu já tinha três filhos que, acabaram sendo criados no Brasil”, contou Manuela sobre sua história.

Manuela foi a primeira mulher a assumir o cargo de diretora técnica no Porto de Paranaguá
Foto: Arquivo pessoal

Nessa época ela já era bacharel em Engenharia Civil, mas se formou também pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e, mais tarde, já exercendo a profissão, foi reconhecida pelo Instituto Superior Técnico de Lisboa, como engenheira civil.

“Passei, portanto, a poder exercer engenharia tanto no Brasil, quanto na Europa. No entanto, as minhas aspirações profissionais não pararam por aí. Entrei num concurso para ampliar os meus conhecimentos técnicos e, entre oitenta candidatos, dos quais eram escolhidos apenas quatro para diversas especializações no campo da engenharia civil, fui escolhida para uma pós-graduação em Engenharia Portuária na região da Catalunha, entre 1984 e 1985”, relatou Manuela.

Segundo ela, toda essa evolução profissional exigiu bastante sacrifício familiar, incluindo a distância dos filhos. “Eu regressei ao Brasil já especializada em “Puertos, Camiños y Canales”. No entanto, nessa época, estava passando por uma fase mais complicada em termos de opções de emprego e eu tive de voltar a trabalhar em Construção Civil. Por sorte, ao lidar profissionalmente com pessoas ligadas aos Portos do Paraná, que souberam da minha especialização, acabei sendo chamada a integrar a equipe portuária do Paraná e é onde trabalho até hoje”, disse Manuela.

Para ela, o ponto de maior destaque na carreira foi a nomeação como Diretora Técnica do Porto de Paranaguá. “Segundo informações divulgadas por altura da minha nomeação, pelo Governo do Paraná, fui a primeira mulher a exercer esse cargo em todo o Brasil. Isso me enche de orgulho, mas também colocou grande responsabilidade sobre os meus ombros”, lembrou Manuela.

O seu trajeto de vida é avaliado como de sorte. “Minha mãe que era professora primária, madura e independente, e meu pai maravilhoso, não era machista e respeitava a sua esposa. Por essa razão, não tenho traumas de infância nesse sentido e lido muito bem com colegas do sexo masculino. A minha profissão sempre me obrigou a ter de lidar com um predominante universo masculino, principalmente no passado (anos 80 até ao século XXI), porém, hoje em dia a realidade já é outra”, acredita Manuela.

Na época, as dificuldades, de acordo com ela, surgiram pela postura das próprias mulheres, que não eram solidárias com o seu gênero. “Homem e mulher se complementam e é assim que deve ser entendido o convívio social, obviamente incluindo os que se integram no grupo LGBTQIA+, todos merecedores do respeito pessoal e profissional. Felizmente, hoje em dia, no ambiente portuário já há muito mais mulheres integradas por concurso e, portanto, a convivência profissional tende a harmonizar-se sem prejuízo em relação à competência profissional. O importante é sermos felizes e realizados, respeitando e sendo respeitados. Afinal somos todos humanos”, finalizou Manuela.

Com informações da Portos do Paraná