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Ciência e Saúde

UFPR Litoral utiliza testes próprios para levantar incidência da Covid-19 na região

Resposta imunológica de pessoas de comunidades indígenas é estudada

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Assim como em toda a evolução humana moderna, a ciência está sendo essencial para o enfrentamento à Covid-19 e será a responsável, futuramente, pela superação da pandemia por meio da vacina. Para se ter ideia de avanços científicos, não é necessário ir para fora do Brasil ou para as grandes capitais, basta analisar a própria região: a Universidade Federal do Paraná (UFPR) Litoral, campus localizado em Matinhos, está desenvolvendo na região e em todo o Paraná uma série de projetos que utiliza testes imunológicos próprios desenvolvidos pelo Laboratório de Microbiologia Molecular da universidade para levantar a incidência do Coronavírus na população, bem como estudar a resposta imunológica ao vírus em comunidades indígenas litorâneas e de todo o Estado.

Segundo a assessoria, os testes  são aplicados em vários projetos de pesquisa e essa metodologia está aberta a parcerias com pesquisadores e instituições públicas. De acordo com o professor Luciano Huergo, coordenador  do projeto que desenvolveu os testes imunológicos, cerca de 8 mil  análises sorológicas já foram realizadas desde o início do estudo. “Além do teste imunológico tradicional do tipo ELISA a equipe desenvolveu um novo método onde resinas magnéticas de níquel são revestidas com proteínas recombinantes do novo coronavírus contendo caudas de histidinas (https://pubs.acs.org/doi/abs/10.1021/acssensors.0c02544)”, informa a UFPR.

Segundo Huergo, a maioria das proteínas produzidas para fins de diagnóstico tem em sua composição estas caudas de histidinas que facilitam sua purificação. Assim, acredita-se que a técnica desenvolvida terá uma ampla gama de aplicações no futuro inclusive para investigar outras doenças: “Já conseguimos avaliar que a técnica pode ser usada para investigar a presença de anticorpos contra várias proteínas do SARS-CoV-2 como a proteína do Nucleocapsideo, a proteína Spike e o RBD que é o ponto de fixação do vírus às nossas células. A capacidade de investigar anticorpos reativos ao RBD abre um novo leque de possibilidades uma vez que podemos usar a técnica também para quantificar a presença de anticorpos protetores ou aqueles gerados em resposta à vacinação. Ao longo do estudo o ensaio já foi aperfeiçoado, hoje é aplicada uma versão que tem capacidade de processar até 96 amostras fornecendo resultado em cerca de 7 minutos o que é uma grande vantagem em relação às técnicas disponíveis. Estes dados já estão disponíveis na forma de publicação pre-print não revisada por pares https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2021.04.13.21255396v1“, complementa o pesquisador.

Milhares de amostras já foram processadas pela UFPR Litoral e estão sendo utilizadas em uma multiplicidade de projetos realizados pelos estudiosos. “A maior parte das amostras são de um projeto conjunto entre a UFPR, Hospital Erasto Gaertner e a Fiocruz. Neste projeto, coordenado pelos pesquisadores Dra. Dalila Zanette e Matheus Aoki do ICC-Fiocruz e Jeanine Nardin do Hospital Erasto Gaertner, está sendo avaliado o Perfil imunológico e a cinética viral de pacientes onco-hematológicos com COVID-19. Os dados preliminares indicam que pacientes com alguns tipos de câncer apresentam uma resposta imunológica reduzida após infecção e isto pode ter impactos significativos na severidade da doença destes pacientes”, detalha.

Litoral

Um projeto está sendo executado na região pelo professor Alexander Welker Biondo do Departamento de Medicina Veterinária UFPR, onde se estuda a resposta imunológica da Covid-19 em comunidades indígenas, incluindo comunidades do litoral. “Estes dados serão de extrema importância para compreender a incidência de COVID-19 nestas comunidades”, informa a assessoria. Há também um projeto em andamento junto à professora Juliana Lucena Schussel do Programa de Pós-Graduação em Ondontologia da UFPR, visando efetuar a vigilância epidemiológica dos profissionais de saúde e pacientes.

“Outra proposta, que está em fase inicial, irá avaliar a relação entre COVID-19 e diabetes através de um projeto coordenado pela professora Fabiane Rego e pelo professor Geraldo Picheth do programa de pós-graduação em ciências farmacêuticas”, afirma a UFPR Litoral.

Incidência da Covid-19 na população litorânea

“Também estamos trabalhando para levantar a incidência da COVID-19 na população no Litoral do Paraná e na cidade de Toledo através de projeto coordenado pela professora Kadima Teixeira da UFPR Toledo. Cerca de 800 amostras já foram analisadas no litoral e os dados estão sendo compilados a fim de obter um panorama da evolução da doença e da presença de anticorpos na população”, afirma Luciano Huergo.

Segundo Huergo, está sendo possível observar a evolução da doença com cerca de 7% das amostras analisadas em 2020 positivas, número que em 2021 subiu para cerca de 9% das amostras coletadas positivadas. “Em alguns grupos específicos de trabalhadores, em especial daqueles que permaneceram em trabalho presencial durante a pandemia, a incidência chega a mais de 18%. O teste de IgG tem um aspecto importante que é a capacidade de detectar casos assintomáticos. Detectamos soro conversão em voluntários que estamos acompanhando desde 2020, eles relatam que não apresentaram quaisquer sintomas, mas tiveram casos confirmados por PCR no núcleo familiar.  Agora estamos contando com o apoio da equipe de TI que vêm desenvolvendo uma plataforma para agilizar o cadastramento / agendamento e entrega rápida dos resultados dos testes para os voluntários participantes do estudo”, completa, destacando que há diversos outros projetos em desenvolvimento na questão da pandemia.

“O laboratório está aberto à colaboração com outros projetos de pesquisa e instituições públicas. Estamos tratando com as prefeituras do litoral (Matinhos e Guaratuba) para testagem em maior escala da população em geral”, afirma o pesquisador. Huergo frisa ainda que possui interesse em desenvolver tecnologias para detectar outras doenças, além da Covid-19. “Usar a metodologia para investigar dengue será o próximo passo, já estamos estabelecemos as parcerias necessárias para isto”, salienta.

Parcerias com setor produtivo

O professor Luciano destaca que há oferta de transferência de tecnologia para parcerias junto ao setor produtivo. Um dos gargalos informados é a ausência de um sistema robotizado que faça a automação das análises. “Estamos abertos a parcerias com pessoas interessadas em auxiliar nesta questão”, completa. O teste da UFPR Litoral possui foco específico de pesquisa, e não pode ainda ser usado no diagnóstico inicial da doença. “Infelizmente não temos condições de registrar um produto na ANVISA por questões de infraestrutura e financeira”, lamenta. Entretanto, “há possibilidade de laboratórios de análises clínicas usarem o teste, caso seja realizada uma validação in house da metodologia”, completa.

O pesquisador afirma que há a necessidade de maior investimento de recursos em pesquisas científicas mais avançadas, bem como que há uma equipe reduzida, com a maior parte do trabalho desenvolvida por ele mesmo junto ao aluno de iniciação científica, destacando que, com a volta às aulas, o ritmo de trabalho no laboratório fica comprometido. “Temos agora um projeto de extensão aprovado para contratação de bolsistas de graduação interessados em participar destas ações (http://www.litoral.ufpr.br/portal/blog/noticia/projeto-de-enfrentamento-ao-covid-19-ufpr-litoral/?fbclid=IwAR3PzJD54XnsfqwH4nm0Es8BM1I3kgORVt-04WYLcC-HmCdX-SEViDb7yr4)”, finaliza Luciano Huergo.

Segundo a UFPR Litoral, as pesquisas estão sendo desenvolvidas com o apoio do Laboratório de Engenharia de Cultivo Celular, coordenado pela professora Luciana Castilhos, da UFRJ, que forneceu a proteína Spike do SARS-Co-V-2; o apoio do professor Karl Forchhammer, na Alemanha, que em conjunto com a Fundação Alexander von Humboldt tem provido equipamentos modernos e reagentes para as ações. As pesquisas também contam com suporte financeiro/logístico do Setor Litoral da UFPR, Integra UFPR, Proind UFPR, Programa de Pós-graduação em Ciência – Bioquímica – UFPR, Fundação Araucária, SAPS e PET Litoral.

Com informações da UFPR Litoral

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