Apesar de poder ser registrada durante todas as estações do ano, o verão é o período com mais casos e mais propício para o surgimento da Síndrome mão- pé-boca, uma infecção viral e extremamente contagiosa. “Geralmente acomete crianças abaixo de 5 anos, mas pode também aparecer em adultos ou adolescentes”, observa a enfermeira Andrea Gomes de Moura, do departamento de Epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) da Prefeitura de Paranaguá.
A profissional explica que a transmissão geralmente é fecal-oral, através do contato com secreções da pessoa contaminada, secreção da parte respiratória ou secreção das lesões. “Pode ser também através do contato com as fezes do paciente contaminado, ou de objetos ou brinquedos contaminados com a secreção”, explica Andrea Moura.
Nesta época em que as pessoas vão muito à praia, piscinas, parques e o contato entre as crianças brincando reforça a importância de lavar bem as mãos em especial, porque o vírus pode estar no ambiente.
“Geralmente ela aparece mais nesse período do verão e primavera, porque está mais quente, tem mais umidade e também mais aglomeração, como piscina, praia e parque, onde todo mundo fica junto, por isso reforçamos muito a questão da higiene. Lavagem sempre das mãos, se a criança pegar brinquedo de alguma outra criança que possa estar com o vírus, a mãe tem que lavar esse brinquedo. Cuidar na troca de fraldas, lavar as mãos sempre, colocar a fralda em saco plástico, jogar no lixo e tampar bem, porque as fezes também estão contaminadas”, detalha.
Sintomas
De acordo com a enfermeira, a Síndrome mão- pé-boca geralmente inicia com febre, mal-estar e falta de apetite. “Depois, em um ou dois dias, aparecem pontos vermelhos na boca, causando lesões na parte interna e nos lábios. Após cerca de dois dias, aparecem as lesões na palma da mão e na ponta dos pés. Também podem surgir lesões na nádega, no abdômen, no tronco e na face”, informa.
Andrea Moura comenta que o tratamento geralmente é sintomático, ou seja, de acordo com os sintomas da criança. “Ela precisa ficar em repouso e ter muito cuidado com alimentação e hidratação, porque a dor na garganta pode dificultar comer e beber. A alimentação deve ser pastosa, com líquidos frios, sem condimentos, para facilitar a alimentação e manter a hidratação”, aconselha. A enfermeira enfatiza que é importante procurar uma unidade de saúde ou médico da família. “Sempre com orientação médica, sem automedicação, até para confirmar se realmente é da Síndrome mão- pé-boca”, frisa.
O nome da Síndrome mão- pé-boca vem do fato de as lesões aparecerem na mão, no pé e na boca, mas isso não significa que todos terão os mesmos sintomas. “Alguns casos são mais leves, outros um pouco mais complicados, mas geralmente a doença evolui bem e cura em torno de 7 a 10 dias. Mesmo após o desaparecimento das lesões, o vírus ainda pode ser eliminado pelas fezes por até quatro semanas. Porém, o período de maior contaminação é na primeira semana. Por isso, a criança ou adulto deve ficar afastado por cerca de 5 a 7 dias após o início dos sintomas, em repouso, evitando transmitir a doença no trabalho, na escola ou na creche”, reforça.
Cuidados
Em creches, é preciso cuidado redobrado com mamadeiras, chupetas, talheres, roupas e objetos pessoais. Não se deve compartilhar esses itens. As roupas da criança ou do adulto com secreções devem ser lavadas todos os dias, assim como a roupa de cama. A lavagem frequente das mãos é essencial, principalmente em ambientes onde há troca de fraldas.
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Notificações
A Síndrome mão- pé-boca não é de notificação obrigatória, o que pode gerar subnotificação. O que é notificado são surtos. Até o momento, foram registrados quatro casos em janeiro, com diagnóstico clínico, sem necessidade de exames.
A doença pode ocorrer durante todo o ano, mas tende a aumentar no verão por conta da maior aglomeração em piscinas, praias e parques. Além disso, o período de férias pode facilitar a transmissão, que depois se reflete com a volta às aulas, caso não haja isolamento adequado. O período mais crítico de transmissão é a primeira semana dos sintomas.
Por isso, reforça-se sempre a orientação de higiene nas escolas e creches: lavar as mãos, higienizar superfícies e nunca compartilhar chupetas ou objetos pessoais, independentemente de haver ou não a Síndrome mão- pé-boca confirmada.





