A Secretaria de Estado da Saúde confirmou, por meio do último boletim epidemiológico, um caso de doença meningocócica no município de Paranaguá em 2025. Diante da confirmação e da circulação da bactéria em outras regiões do estado, o médico pediatra Dr. Jhonatan Aredes, que atua no litoral, reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.
“A doença meningocócica tem grande impacto na saúde pública pela sua gravidade e rápida evolução. É causada pela bactéria Neisseria meningitidis, e pode levar à morte em poucas horas. Por isso, é fundamental ficar atento aos sintomas e à vacinação”, alertou o médico.
Segundo Dr. Jhonatan, o meningococo pode causar dois quadros clínicos principais: meningite, inflamação das meninges (membranas que envolvem o cérebro); e a sepse, uma infecção generalizada que pode evoluir rapidamente.
“É importante lembrar que nem toda meningite é causada pela Neisseria meningitidis. Existem meningites virais e fúngicas também. Mas a forma bacteriana, especialmente a meningocócica, é a mais grave”, explicou o pediatra.
SINTOMAS CONFUNDEM COM GRIPES COMUNS
Nos estágios iniciais, os sintomas podem ser confundidos com doenças virais, o que pode atrasar o diagnóstico: febre alta e súbita, dor de cabeça intensa, vômitos, irritabilidade em crianças pequenas, sonolência e alteração da consciência, rigidez na nuca e, em bebês, a moleira pode ficar abaulada.
“É aquela criança que estava bem e, em poucos minutos, está com febre de 39 ou 40 graus. Isso deve acender um alerta nos pais e responsáveis”, orienta o médico. “Todas as idades podem ser afetadas, mas crianças e adolescentes estão entre os grupos mais vulneráveis”, completou.
VACINAÇÃO
O Dr. Jhonatan Aredes reforçou, durante a entrevista para a Folha do Litoral News, que a vacinação é a principal arma contra a doença, e que as famílias devem manter a caderneta vacinal em dia, especialmente nos primeiros anos de vida.

“Pelo SUS, são oferecidas: a vacina Meningocócica C (doses aos 3, 5 e 12 meses); a vacina ACWY (contra os sorotipos A, C, W e Y) disponível a partir de 12 meses e reforço aos 11 anos. Felizmente, o Paraná já incorporou a vacina ACWY na rede pública. Mas a vacina contra o meningococo do tipo B, que também é muito importante, ainda não está disponível no SUS. Para quem tiver condições, é recomendável buscar na rede privada”, complementou.
PREVENÇÃO SALVA VIDAS
O Dr. Jhonatan destacou ainda que, além da vacinação, a atenção aos sintomas e o pronto atendimento são fundamentais para evitar complicações. “Sempre que houver suspeita, principalmente com febre alta e rigidez na nuca, é essencial procurar imediatamente o pronto atendimento para avaliação e diagnóstico diferencial”, finalizou o pediatra.
DOENÇA NO PARANÁ
De acordo com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), entre janeiro e 21 de junho de 2025 (Semana Epidemiológica 25), foram registrados 22 casos confirmados e seis óbitos pela doença. No mesmo período do ano passado, foram 11 casos e nenhum óbito. Em todo o ano de 2024, o Estado contabilizou 33 casos e quatro mortes.
Os casos desse ano foram registrados em Ponta Grossa (4), Curitiba (3), Paranaguá, Campina Grande do Sul, Fazenda Rio Grande, Araucária, General Carneiro, Palmas, São Jorge D Oeste, Cascavel, Três Barras, Céu Azul, Cianorte, Apucarana, Londrina, Wenceslau Braz e Jacarezinho.
As mortes de 2025 ocorreram nos municípios de Ponta Grossa (dois homens, de 2 e 59 anos), Curitiba (homem de 32 anos), São Jorge D’Oeste (mulher de 48 anos), Céu Azul (mulher de 49 anos) e Wenceslau Braz (homem de 84 anos). Entre os óbitos, dois foram provocados pelo sorogrupo C, dois pelo sorogrupo B e dois não foi possível realizar a identificação do surogrupo.





