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Ciência e Saúde

Médico especialista esclarece principais dúvidas sobre sexualidade

Dr. José Antonio Leprevost Neto é formado há mais de 30 anos pela antiga Faculdade Evangélica de Medicina do Paraná, possui residência médica em ginecologia e obstetrícia, com pós-graduação em sexualidade e em Longevidade Saudável

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Neste espaço do Momento Saúde Unimed Paranaguá, Dr. José Antonio Leprevost Neto esclarece as principais dúvidas sobre sexualidade.

Nesta entrevista, Dr. Leprevost aborda que é necessário diferenciar diminuição de desejo sexual de neutralidade sexual.

Ele também comenta sobre um questionamento muito comum entre as mulheres, se os anticoncepcionais podem diminuir o desejo sexual e finaliza comentando se sexo e sexualidade são a mesma coisa. Confira:

Muitas mulheres relatam uma aparente diminuição do desejo sexual. Como isso se explica?

Dr. Leprevost: Temos que diferenciar diminuição de desejo sexual de neutralidade sexual. As mulheres, principalmente as que estão em relacionamentos longos, geralmente não têm muita iniciativa quando o assunto é sexo. Isso é uma coisa muito comum porque elas geralmente necessitam de estimulação para responderem sexualmente. É o chamado “modelo cíclico de resposta sexual”, descrito por Basson em 2002, porque antes se achava que homens e mulheres eram iguais. Não são. A resposta sexual feminina é mais elaborada que a masculina e dependente de vários fatores, como a satisfação no relacionamento, experiências sexuais anteriores, ambiente adequado e estimulação física prazerosa. Além disso, as mulheres com frequência têm outras preocupações, principalmente quando têm filhos. Elas geralmente partem de uma situação de neutralidade sexual, na qual precisam da estimulação física, além dos outros pré-requisitos, para que seja despertado o desejo de se envolverem em uma relação sexual. A estimulação física com frequência vem antes do desejo. Para ser satisfatório é importante que a mulher conheça seu próprio corpo, suas reações e seus limites, para que compartilhe sua sexualidade com seu parceiro. A maior parte das mulheres não conhece sua anatomia nem suas próprias reações. Muitas nunca se tocaram e não conhecem quais ações que lhe podem despertar essas reações. Ninguém conhece melhor o seu corpo do que a própria mulher e ninguém pode buscar melhor seu prazer em um relacionamento do que ela própria.

Anticoncepcionais podem diminuir o desejo sexual?

Dr. Leprevost: Sim, essa é uma queixa frequente das mulheres que usam os contraceptivos hormonais.  Talvez muitos médicos não ouçam isso com frequência por que não perguntam sobre sexualidade a suas pacientes, ou porque elas mesmas usem há tanto tempo essas drogas que nem percebam isso. Muitas mulheres só se dão conta de o quanto sua libido está prejudicada quando suspendem o anticoncepcional. Isso é facilmente explicável: A função dos anticoncepcionais é bloquear a ovulação, mas também atrapalham a produção dos hormônios ovarianos, inclusive a testosterona, que é o hormônio mais relacionado com o desejo sexual e as respostas sexuais. Nas mulheres 30% da testosterona é produzida nos ovários, mas os outros 70% são produto das glândulas suprarrenais. A testosterona total se liga, em sua maior parte, a uma proteína chamada SHBG. Essa proteína tem a função de regular a quantidade de testosterona livre, mas os anticoncepcionais agem no fígado, aumentado a produção de SHBG, consequentemente, mesmo da testosterona das suprarrenais sobra pouca testosterona livre agindo sobre o cérebro, coração, músculos etc. Isso pode impactar de forma negativa no desejo sexual e na resposta sexual, mas também na capacidade de raciocínio e no ganho de massa muscular. Contraceptivos não medicamentos inocentes.

Sexo e Sexualidade são a mesma coisa?

Dr. Leprevost: Eu costumo dizer que, em termos comportamentais, sexualidade é algo que é seu e sexo é o que você compartilha com outra pessoa. Mas isso é uma definição pessoal que utilizo para explicar a importância de uma pessoa ter suas próprias questões corporais e emocionais resolvidas, antes de dividir seu corpo e suas emoções com outrem. Pode ser difícil para alguém ter uma vida sexual prazerosa sem cuidar antes ou com seu(sua) parceiro(a) de sua própria sexualidade.

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