Os Agentes Comunitários de Saúde (ACSs) de Paranaguá participaram de mais uma capacitação promovida pela Secretaria Municipal de Saúde com foco no fortalecimento da assistência prestada às gestantes. O treinamento, aborda a importância do pré-natal, os indicadores do município e o papel dos profissionais que atuam diretamente junto à população.
A enfermeira Jessica Cristina de Lima Alípio Borges, integrante do Comitê de Mortalidade Materna e Infantil, explica que os treinamentos são realizados de forma direcionada para cada categoria profissional da rede de saúde. “Hoje foi somente com os agentes comunitários. O comitê de mortalidade materna faz os treinamentos e traz os dados de mortalidade do município para os profissionais da assistência”, afirma.
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Na oportunidade, a enfermeira transmitiu diversas informações importantes aos profissionais no acompanhamento do pré-natal. Segundo ela, a estratégia busca adequar o conteúdo à realidade de cada área de atuação. “A gente separa os profissionais em grupos. A gente faz o grupo de assistência, que a gente chama médicos e enfermeiros, e também fazemos o grupo dos ACS. Para daí trazer esse treinamento para eles, falando da importância do pré-natal, quais são os dados, o que a gente busca melhorar e o que eles têm que fazer lá na ponta, na casa do paciente com a orientação correta”, detalha.
A enfermeira destaca que o compartilhamento das informações é fundamental para que os profissionais compreendam os desafios enfrentados pelo município e contribuam para a melhoria dos indicadores. “Não adianta nós, como gestão, saber os dados e quem está lá na ponta não saber o que está acontecendo. Então a gente traz esses dados para eles e as possibilidades de melhoria, ou seja, para que esses dados lá na frente melhorem”, avalia. O objetivo, segundo Jessica Borges, é que cada profissional entenda claramente seu papel dentro da rede de atendimento.
Melhorias no pré-natal
As capacitações vêm sendo realizadas regularmente e, de acordo com a enfermeira, já apresentam reflexos positivos no atendimento às gestantes. Jessica Borges ressalta que o pré-natal desenvolvido no município tem avançado graças ao comprometimento das equipes de saúde. “O pré-natal no município é um potencial. Ele tem melhorado cada vez mais. Os profissionais estão engajados nessas melhorias”, comemora.

Indicadores ainda preocupam
Durante a capacitação, também foram apresentados os dados mais recentes relacionados à mortalidade infantil e fetal. Segundo Jessica, os dados consolidados de 2025 mostram que o município ainda está acima dos índices preconizados. “Ainda estamos acima da taxa de mortalidade preconizada pelo estado e orientada pelo Ministério da Saúde. Então, a Secretaria de Saúde tem trabalhado em cima disso com o foco em melhorias”, informa. Quando se fala de mortalidade fetal, os índices estão relacionados ao município, independente do pré-natal ter sido realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ou pela rede privada de saúde.
Para a integrante do Comitê de Mortalidade Materna e Infantil, os resultados dependem de um trabalho contínuo e da construção de confiança junto à população. “Não é do dia para a noite. A gente tem que trazer a confiança da população para o que é feito dentro da Unidade Básica de Saúde (UBS). Muitas vezes a pessoa lá atrás não teve uma experiência boa no SUS e ela acha que tudo que vem do SUS é ruim. Então, a gente tem que desmistificar isso”, enfatiza.
Segundo Jessica, essa mudança de percepção exige tempo. “A gente só vai desmistificar com o passar dos anos, mas se o serviço não for começado, a gente nunca vai chegar a esses resultados, nunca vai ter essa melhoria”, frisa.





