O primeiro mês do ano conta com a campanha nacional “Janeiro Branco” com várias ações pelo Brasil dedicadas à conscientização, prevenção e promoção do cuidado emocional. Nesta quarta-feira, 28, a Prefeitura de Paranaguá, por meio do setor de Saúde Mental, promoverá uma caminhada aberta à população, reforçando a importância do diálogo, do autocuidado e da busca por ajuda profissional quando necessário.
A gerente de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde, Rafaela Soccio, explica que a ação busca aproximar esse debate da população. “É um momento de trazer para a sociedade essa reflexão sobre como cuidar da saúde mental, como prevenir o adoecimento emocional. Também é um convite para o autocuidado, quando buscar por apoio para situações em que exige o atendimento profissional também”, ressalta.
A profissional conta que a caminhada terá concentração às 9h, na Praça Fernando Amaro. Às 9h30 os participantes seguirão em direção à Praça Eufrásio Corrêa, conhecida como Praça dos Leões. A proposta visa ainda, estimular conversas abertas sobre sentimentos, limites, qualidade de vida e redes de apoio, reduzindo estigmas que ainda cercam o tema. “Os participantes receberão frases importantes relacionadas à saúde mental e a conscientização. Todos estão convidados a participar conosco. Aconselhamos que levem suas garrafinhas com água e proteção como bonés, por exemplo para se protegerem do sol e calor durante a caminhada”, reforça a psicóloga.
A participação é aberta a pacientes, familiares, população em geral e profissionais da rede de proteção, incluindo saúde, assistência social, inclusão e educação.
Aumento na procura por atendimento
Após a pandemia da Covid-19, a demanda por serviços de saúde mental tem crescido de forma significativa em todo o país, e em Paranaguá não é diferente. Rafaela Soccio relata que dados da Organização Mundial da Saúde mostram que, antes da pandemia, o Brasil ocupava o quinto lugar no ranking mundial de casos de depressão. No período pós-pandemia, o país subiu para o terceiro lugar.
Em relação à ansiedade, o cenário é ainda mais alarmante: o Brasil passou do terceiro para o primeiro lugar. “Hoje o Brasil se tornou o país mais ansioso do mundo. Esse reflexo nacional também é percebido no município, com aumento expressivo na procura por atendimento psicológico e psiquiátrico”, lamenta a psicóloga.
Atualmente, Paranaguá conta com uma rede pública de atenção à saúde mental que começa na atenção primária, por meio das Unidades Básicas de Saúde, passa pelo ambulatório de saúde mental e pelo Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), além dos serviços de urgência e emergência, como UPA, SAMU e Hospital Regional.
CAPS e ambulatório: quem atende quem?
Rafaela Soccio observa que o CAPS não atende apenas casos relacionados ao uso excessivo de álcool e outras drogas. “O serviço é voltado para o tratamento de saúde mental de alto risco, incluindo situações de intenso sofrimento emocional, que podem ou não configurar transtornos mentais, além dos casos de uso abusivo de álcool e outras drogas”, informa.
Já o Ambulatório de Saúde Mental atende os casos moderados, com foco principalmente no atendimento individualizado, podendo também oferecer grupos terapêuticos, conforme a necessidade de cada paciente. O serviço atende crianças, adolescentes, adultos e idosos. “Enquanto o ambulatório trabalha o acompanhamento clínico, o CAPS atua na reabilitação psicossocial, promovendo atividades em grupo, oficinas, convivência social e desenvolvimento de habilidades para fortalecer a autonomia e a reinserção social dos pacientes”, comenta.
Números e estrutura
Atualmente, o ambulatório de saúde mental atende cerca de 650 pacientes, enquanto o CAPS acompanha aproximadamente 380 pacientes ativos. “A fila de espera é significativa e por isso, desde outubro do ano passado, o Município iniciou um projeto de requalificação da fila, com a antecipação de triagens e consultas para reavaliar cada caso e direcionar o paciente ao tratamento mais adequado”, salienta.
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O ambulatório conta hoje com um psiquiatra, dois psicólogos, um assistente social e uma enfermeira. Já o CAPS possui uma equipe ampliada, com três psicólogos, assistente social, terapeuta ocupacional, equipe de Enfermagem especializada em saúde mental e um médico clínico geral em formação em Psiquiatria.
Como acessar o atendimento
A porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS) são as unidades básicas de saúde (UBS) e isso também ocorre no caso da saúde mental. É na UBS mais próxima de sua residência que o paciente passa por uma estratificação de risco que pode ser realizada por médicos ou enfermeiros.
Rafaela Soccio destaca que casos leves são acompanhados na própria unidade, casos moderados são encaminhados ao ambulatório e casos de alto risco seguem para o CAPS. “Em situações de crise psiquiátrica, quando há risco para a própria pessoa ou para terceiros, o encaminhamento deve ser feito para a UPA, com possibilidade de acionamento do SAMU caso necessário”, esclarece.





