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Ciência e Saúde

Butantan explica papel histórico essencial da vacina para erradicação de doenças

Em tempos de fake news, OMS reforça que vacinas salvam milhões de vidas

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Foto: Renan Viana/ASCOM UEPA

Em tempos de fake news, movimentos que pregam a não-vacinação e renegam discursos com base na ciência, o Instituto Butantan, na segunda-feira, 14, trouxe dados sobre a importância da vacina, não somente com relação à pandemia da Covid-19, mas em torno da erradicação de doenças na história humana, gerando aumento da expectativa de vida das pessoas e saúde para diversas gerações. Segundo a Organização Mundial da Saúde (MS), os imunizantes salvam cerca de três milhões de vidas anualmente no mundo, reforçando que o mundo antes das vacinas era de cidadãos com menos anos de vida e precariedade sanitária, algo reforçado pelo historiador e educador do Museu Histórico do Instituto Butantan, Gabriel Orlando.

Segundo Gabriel Orlando, antes de existirem as vacinas, a expectativa de vida era menor, a saúde das pessoas era precária e a mortalidade era muito maior, resumidamente. “No século 19, pouco depois da criação da primeira vacina, a expectativa de vida mundial não passava de 32 anos. Atualmente, com imunizantes contra dezenas de doenças à disposição da população, esse número é de 72,6 anos”, informa o Butantan.

De acordo com o historiador, a preocupação ia além dos óbitos, mas também em torno dos problemas de saúde, como é o caso de vítimas de poliomielite, conhecida também como paralisia infantil, doença que hoje é prevenida com vacina de gotinhas que foi criada por Albert Sabin e que passou a ser usada em todo o mundo a partir de 1962.  Segundo a assessoria, “o Brasil recebeu o certificado de eliminação da pólio em 1994, mas é preciso manter a cobertura vacinal alta para que o vírus não retorne”, completa. 

“Acredito que esse é o grande legado da vacinação: aumento da qualidade e expectativa de vida”, ressalta Gabriel.

Ciência e vacina

A vacina está relacionada ao avanço da ciência no decorrer dos séculos. A primeira criada foi desenvolvida em 1796 por Edward Jenner e protegia contra a varíola, que é considerada uma das doenças mais letais da história. “Ela matou mais de 300 milhões de pessoas no século 20 e foi erradicada em 1980. A OMS estima que mais de cinco milhões de vidas são salvas anualmente com a extinção da doença devido à vacinação, com uma economia de mais de US$ 1 bilhão por ano”, destaca o Butantan.

Outro exemplo da importância do imunizante é o sarampo, que já conta com uma vacina segura e eficaz. “Antes da vacina ser aplicada em massa a partir de 1963, a doença causava cerca de 2,6 milhões de mortes por ano no mundo. Em 2017, foram 110 mil óbitos no mundo, a maioria de crianças com menos de cinco anos. Em 2019, uma queda na cobertura vacinal contra a doença ocasionou um aumento no número de mortes, que foi de 207 mil mortes, também atingindo majoritariamente crianças”,  acrescenta.

O historiador do Butantan afirma ser essencial aprender com o passado, comparando como era a sociedade humana antes e depois das vacinas, com redução da mortalidade e contaminação, algo que é percebido até hoje. “Temos que nos amparar nas experiências que as gerações passadas tiveram com as doenças e apostar na vacina como o principal caminho para evitar sua disseminação na sociedade”, finaliza Gabriel.

Com informações do Butantan