Ciência e Saúde

Ansiedade: Quando o corpo entra em alerta constante

Psicólogo Wilson Silva explica que ansiedade cresce em meio à sobrecarga de informações, rotina acelerada e falta de descanso

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Psicólogo Wilson Silva: “Se o organismo não entra em estado de relaxamento, ele acumula energia e passa a funcionar acima do limite da capacidade. É aí que começam a surgir problemas físicos, como dores de cabeça, pressão alta, insônia e dores musculares”

Tem dias em que o coração dispara sem motivo aparente. A respiração fica curta, o corpo cansa, a mente não desliga. Do lado de fora, tudo parece normal. Por dentro, é como se algo estivesse sempre prestes a dar errado. A ansiedade não avisa quando chega e nem sempre é fácil explicar o que se sente quando ela toma conta. Cada pessoa vive a ansiedade de um jeito, mas o impacto costuma ser parecido: a sensação constante de estar em alerta, mesmo quando não há perigo real. Em silêncio, muita gente aprende a conviver com o medo, a angústia e a cobrança diária, sem saber que aquilo tem nome e que tem tratamento.

Segundo o psicólogo Wilson Silva, a ansiedade se tornou algo muito presente na vida moderna e está diretamente ligada às transformações da sociedade. “Quando a gente fala de ansiedade hoje, a pergunta é: o que está acontecendo e o que leva a isso? São muitos fatores. Há mudanças na sociedade e na cultura, hoje o acesso à informação é muito grande por meio da internet. As pessoas trabalham muito e, ao mesmo tempo, são hiperinformadas”, explica.

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Ele destaca que, embora esse acesso amplo à informação tenha aspectos positivos, também traz consequências. “Existe a questão da informação muito rápida. Vídeos curtos, reels, stories, tudo isso faz parte do cotidiano. Esse excesso gera uma sobrecarga do sistema nervoso e mantém a pessoa em estado de ansiedade porque ativa um mecanismo dopaminérgico, no qual o indivíduo está sempre em busca de algo que lhe dê prazer ou satisfação”, afirma.

De acordo com o psicólogo, as rolagens constantes nas telas acabam criando um ciclo difícil de interromper. “Essas rolagens podem trazer informação e entretenimento, mas em um espaço de tempo muito curto o cérebro não consegue digerir tanta coisa ao mesmo tempo. A busca incessante por informação, principalmente de diversão e entretenimento, faz com que o cérebro esteja o tempo inteiro procurando algo que gere prazer. Isso provoca uma sobrecarga muito grande, que leva a níveis elevados de ansiedade e estresse”, diz.

Sintomas físicos

Além do impacto emocional, a ansiedade também pode se manifestar fisicamente. “Ela começa no sistema dopaminérgico, que é físico, orgânico. A definição de ansiedade ou de estresse é a preparação do nosso organismo para a luta ou para a fuga diante de um risco iminente”, explica Wilson Silva.

Nesse processo, o cérebro avalia a situação e, ao identificar risco, prepara o corpo para reagir. “É ativado o sistema adrenérgico, com liberação de adrenalina. O coração dispara, a respiração fica ofegante, porque o corpo precisa de força e energia para lutar ou fugir”, detalha.

O problema, segundo ele, surge quando esse estado de alerta não é interrompido. “Se a pessoa consegue lutar ou se esquivar do risco, o organismo entra numa fase de relaxamento, mas se isso não acontece ou se o estresse se prolonga, essa carga de energia permanece elevada. É como um carro de Fórmula 1 funcionando acima do limite: mesmo com alta tecnologia, se operar no máximo por muito tempo, o motor acaba falhando”, compara.

Wilson Silva explica que o mesmo sistema que reage a riscos físicos também responde a riscos psicológicos. “Se o organismo não entra em estado de relaxamento, ele acumula energia e passa a funcionar acima do limite da capacidade. É aí que começam a surgir problemas físicos, como dores de cabeça, pressão alta, insônia e dores musculares. Ansiedade e estresse, para fins clínicos, são termos correlacionados”, afirma.

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Cada pessoa vive a ansiedade de um jeito, mas o impacto costuma ser parecido: a sensação constante de estar em alerta, mesmo quando não há perigo real. Em silêncio, muita gente aprende a conviver com o medo, a angústia e a cobrança diária, sem saber que aquilo tem nome e que tem tratamento

Há ainda situações em que a pessoa aparenta calma, mas o corpo continua em sofrimento. “Quando a ansiedade se prolonga por muito tempo, o organismo entra em um estado de fadiga crônica. A pessoa pode parecer tranquila, mas não está em equilíbrio. Ela está em fadiga. Pode apresentar irritação, dores e cansaço, mesmo parecendo calma externamente”, alerta.

Tratamento

Diante desse cenário, o psicólogo reforça que o primeiro passo é identificar as causas. “Geralmente não é um único fator, são vários. Muitas vezes descobrir essas causas sozinho é difícil, por isso é importante buscar acompanhamento profissional, psicológico ou psiquiátrico”, orienta.

Ele também destaca a importância de mudanças na rotina. “É fundamental reservar tempo para relaxar, para estar consigo mesmo, permitir que o cérebro trabalhe menos. Vivemos uma sobrecarga constante de informação, e isso gera cansaço e fadiga. Reduzir o consumo de telas é essencial, já que está comprovado que elas colaboram para o aumento da ansiedade”, enfatiza.

Outros cuidados incluem trabalhar a respiração e o sono. “Dormimos cada vez menos, e isso impacta diretamente a saúde mental. À noite, é importante reduzir a exposição à luz azul e buscar um sono reparador. Quando necessário, procurar ajuda profissional”, completa.

Segundo Wilson Silva, a vida moderna impõe um estado de vigília constante. “Esse estado nos coloca em situação de vulnerabilidade psicológica. É nesse contexto que a ansiedade e o estresse se desenvolvem. Tornar a vida um pouco mais tranquila, respeitar limites e tempos – algo que existia mais no passado -, é fundamental”, avalia.

O psicólogo alerta que tratar a ansiedade e o estresse não é apenas uma questão de bem-estar emocional. “Além dos sintomas físicos, essas condições podem levar a doenças graves, como problemas cardiovasculares, distúrbios do sono, problemas gástricos e digestivos. O estresse começa no sistema físico e, com o tempo, pode evoluir para doenças sérias, como Síndrome de Burnout, depressão, além de aumentar o risco de acidentes de trânsito, acidentes de trabalho e até suicídio”, conclui.


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Flávia Adans

Com mais de 28 anos de atuação no jornalismo, construiu uma trajetória marcada pela paixão em comunicar, informar e se conectar com as pessoas. Ao longo dessa caminhada, passou por diversas emissoras de rádio, onde viveu o dia a dia da notícia, deu voz a histórias importantes e levou informação de forma clara, responsável e acessível aos ouvintes, em diferentes momentos e realidades. Sua experiência também se fortaleceu na assessoria de comunicação da Prefeitura de Paranaguá, com atuação destacada na Secretaria Municipal de Saúde. Nesse período, uniu técnica e sensibilidade para transformar ações e políticas públicas em mensagens compreensíveis e relevantes para a população, sempre com atenção ao impacto social da informação. Além disso, atuou como cerimonialista, área em que organização, atenção aos detalhes e boa comunicação caminham juntas. Conduzir eventos e cerimoniais com profissionalismo, empatia e segurança faz parte de um perfil construído ao longo dos anos, pautado pela responsabilidade e pelo cuidado com cada etapa do processo.

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