Casarios retratam a história de Paranaguá

Casas na Rua da Praia eram utilizadas como armazéns para produtos embarcados em navios

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Os casarios de Paranaguá contam muito da história parnanguara. Conforme José Maria de Freitas, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá (IHGP), a história dos casarios é muito importante. “É importante em vários aspectos, eles representam todo o momento econômico, a ocupação territorial da cidade, entre outros aspectos. A rua principal não era a Rua da Praia e sim a da Igreja Matriz que era o ponto mais alto e a Rua Viera dos Santos que é a que passava atrás e dava no Campo Grande, chamava-se Rua do Fogo, porque os tropeiros que vinham trazer produtos, comida, entre outros ficavam parados no Campo Grande que era uma das principais praças da cidade”, contou.

De acordo com Freitas, com a chegada do porto, aumentou a influência da Rua da Praia. “A região onde está a Catedral representou o primeiro momento econômico da cidade, mas depois o espaço foi abandonado para as atenções se voltarem à Rua da Praia. As casas irão representar um movimento e automaticamente trazem história”, revelou.

Paranaguá era passagem dos navios que, na época, eram pequenos e abastecidos com 5 toneladas, no máximo 20. “As casas têm muito a ver com o porto. Na época, o porto se chamava Porto de Nossa Senhora do Rosário de Paranaguá”, comentou. Os navios passavam pela Rua da Praia, era naquela região que se localizava o porto. “A importância começa no momento em que o porto começa a se estender na direção da Ilha da Cotinga. Por isso, era preciso ter armazéns e, em virtude disso, havia a necessidade de construir sobrados que contassem com uma parte para armazenagem embaixo e outra para a moradia dos proprietários em cima”, ressaltou. “A Rua da Praia tem todos aqueles sobrados porque todos eram usados como armazéns”, acrescentou. O atual Palacete Mathias Böhn também foi utilizado como armazém e moradia. O surgimento do porto com representatividade ocorreu no início de 1800, aproximadamente. “Paranaguá era uma cidade de passagem, uma porta de entrada e de saída, um porto de cabotagem para quem vinha do Norte e ia para o Sul. Aqui eles faziam o conserto de cordaria e calafetagem. Paranaguá tinha uma comunicação com o País através do mar”, comentou. “Já somos um ponto de referência desde 1600”, salientou.

 

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José Maria de Freitas: “O porto começa a se estender na direção da Ilha da Cotinga, por isso, precisavam ter armazéns e era necessário construir sobrados que contassem com uma parte para armazenagem embaixo e outra para a moradia dos proprietários em cima”

 

Com o passar do tempo e a alteração do porto (hoje Dom Pedro II) de local, o crescimento, dimensão dos navios, entre outros fatores, os sobrados que eram utilizados como armazéns, além de moradia, não tinham mais sua importância nesse aspecto. “Com isso, em 1945, aproximadamente, as casas foram abandonadas, vendidas, alugadas. A Rua da Praia começou a perder seu interesse naquele segmento”, salientou.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) tem seu olhar voltado a Paranaguá e seus casarios. Conforme o Iphan, o Centro Histórico, tombado pelo Iphan, em 2009, apresenta importantes exemplares da arquitetura colonial brasileira, como as construções da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco das Chagas e o Colégio dos Jesuítas. Destaca-se, ainda, o conjunto de sobrados da Rua da Praia, típicas moradias de quem detinha o poder econômico, na região, no final do século XVI. Outras influências estéticas, como o neoclassicismo, foram absorvidas e podem ser observadas no prédio da Câmara Municipal e no Palacete Visconde de Nácar.

Sua condição de cidade portuária propiciou a Paranaguá influências do neoclassicismo, em função do contato com a cidade do Rio de Janeiro e outros países. Essas características estão em construções como a Câmara Municipal, o Palacete Visconde de Nácar e o prédio comercial da Rua XV de Novembro (Casas Jaraguá), com fachada de azulejos e emolduramento de vãos em cantaria. Com a construção do novo porto, em 1935, muitas áreas foram urbanizadas.

 


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