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Direito & Justiça

Dupla acusada de assassinato de filho de empresário é levada a júri popular

O julgamento aconteceu durante todo o dia, adentrando a noite com o Fórum lotado e teve grande repercussão em virtude do número de testemunhas a serem ouvidas

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Um dos réus acrescentou que o crime não teria sido passional

Na quarta-feira, 18, ocorreu em Paranaguá o júri popular de Herique Mendes Alves e Fernando Lopes Gonçalves, acusados do homicídio de Rodrigo de Oliveira da Silva, filho de um empresário de Paranaguá, em crime ocorrido em abril de 2016. Na ocasião, a vítima foi assassinada com três tiros na nuca e na cabeça. O julgamento aconteceu durante todo o dia, adentrando a noite com o Fórum lotado e teve grande repercussão em virtude do número de testemunhas a serem ouvidas e pelo caso ter ocorrido há cerca de dois anos em Paranaguá, mobilizando a sociedade.

Participaram do júri a Juíza Presidente, Cintia Graeff, o promotor de Justiça, Rodrigo Otavio Mazur Casagrande, e o assistente da acusação, o advogado Giordano Sadday Vilarinho Reinert, o advogado do réu Herique Alves, Felipe Strapasson e o advogado do acusado Fernando Gonçalves, Werner Kovaltchuk. Durante a fase de instrução, que é quando os réus e testemunhas do caso são sabatinados pelos advogados, promotor e juíza, Herique confessou que foi autor do homicídio de Rodrigo da Silva. Entretanto, se discutiram as circunstâncias do crime e, principalmente, como ocorreu ou não a participação de Fernando Lopes Gonçalves, que conduziu a moto que serviu de transporte ao acusado para efetuar os disparos contra a vítima. 

PROCESSO E CRIMES

O processo, protocolado sob o n.º 0004307-21.2016.8.16.0129 pelo Poder Judiciário do Estado do Paraná, afirma que os acusados foram pronunciados ao julgamento pelo crime de homicídio, previsto no artigo 121 do Código Penal, por motivo fútil e por recurso que dificultou a defesa da vítima, previstos no parágrafo 2.º em seus incisos II e IV.

RELEMBRE O CASO

O assassinato de Rodrigo Oliveira da Silva aconteceu no dia 21 de abril de 2016. A vítima teria se desentendido dentro de uma casa de shows de Paranaguá com Herique Alves, o qual após a saída do local teria procurado o rapaz junto com Fernando, ou seja, ambos que posteriormente foram acusados pelo crime.

A dupla encontrou Rodrigo, a vítima, na Rua Alípio dos Santos, na Vila Rute, por volta das 6h, quando ele estava junto a um amigo em um Fiat Strada deixando uma moça na casa onde ela residia. No local, houve o “acerto de contas”, quando os acusados chegaram de motocicleta e desceram no local, onde Herique efetuou vários disparos contra Rodrigo, com três acertando sua cabeça e nuca, vindo ele a óbito no local. Na época, houve também a suspeita do homicídio ter ocorrido por motivos passionais.

Rodrigo, que foi assassinado, era filho de Ricarte Siqueira da Silva, proprietário de uma empresa de locação de empilhadeiras e considerado por todos que o conheciam um rapaz tranquilo.

Herique Mendes Alves e Fernando Lopes Gonçalves foram acusados do homicídio de Rodrigo de Oliveira da Silva, em abril de 2016 (Foto: Arquivo – Folha do Litoral News)

FASE DE INSTRUÇÃO 

FERNANDO GONÇALVES

Durante a tarde, além de inúmeras testemunhas, os réus Herique Mendes Alves e Fernando Lopes Gonçalves foram questionados pelas autoridades presentes na fase de instrução. O primeiro foi Fernando, conhecido como “Fernandinho”, acusado de ter sido cúmplice no crime, que diz ter sido ameaçado para não se entregar às autoridades meses depois de Herique ter sido preso pela Polícia Militar, em janeiro de 2017, no entanto não revelou quem o ameaçou. Fernando Gonçalves se apresentou acompanhado pelo seu advogado à polícia cerca de 15 dias após o assassinato, sendo que desde então está preso.

Ainda no depoimento, Fernando disse não integrar qualquer facção criminosa e, inclusive, de acordo com o acusado, havia sido ameaçado na cadeia por indivíduos. Ele não soube explicar como aconteceu a possível “emboscada” para o assassinato de Rodrigo, bem como apenas afirmou que a vítima teria os ameaçado dentro de uma casa noturna de Paranaguá, situação que foi confrontada pelo Ministério Público, que apontou que a vítima, na verdade, teria sido ameaçada dentro do estabelecimento por Herique e outros amigos dele que estavam ingerindo bebida alcoólica na oportunidade. Além disso, o réu confessou ter dirigido a moto após ter ingerido álcool no local e que teria assistido aos tiros e ficado em choque com o crime, mas que no entanto teria fugido com Herique do local.

Além disso, Fernando disse que conhecia a vítima e teria trabalhado com ele em uma empresa portuária de Paranaguá e não tinha desavenças com o rapaz. Além disso, o réu afirmou que Herique em momento algum falou algo sobre o assassinato.

HERIQUE ALVES

Em sua instrução, Herique Alves disse que estava preso há um ano e confessou que responde pelos crimes de associação ao tráfico de drogas, de ameaça, porte ilegal de arma, receptação e possível participação em um feminicídio, algo que ainda está sendo investigado. Ele confessou que cometeu o assassinato de Rodrigo após discussão em uma casa noturna local. Em todo momento, ele afirmou ter cometido o delito sozinho, e que Fernando não estaria com ele antes do homicídio. Ele não falou sobre a origem de arma do crime e não afirmou quem a disponibilizou para o assassinato. Segundo ele, o outro réu foi encontrado ao acaso na rua do crime e teria fugido com ele, sendo que Fernando não sabia do homicídio.

Sobre a sua prisão, que aconteceu em 8 de fevereiro de 2017, quase um ano após o crime, quando o réu estava na casa da tia na Vila Rute foragido há quase um ano, foi confessado pelo réu que ele estava com uma arma calibre .32, por estar sendo supostamente ameaçado. Na ocasião, ele teria empreendido fuga, mas foi preso pela Polícia Militar. Ele argumentou que não pertencia a qualquer facção criminosa, nem o seu pai, que também está preso. 

O réu ainda acrescentou que o crime não teria sido passional, em virtude de sua “ex-ficante”, estar com Rodrigo no dia do crime. Em momento algum ele quis detalhar a discussão que teve com a vítima na casa de shows, garantido pelo seu direito ao silêncio. Ele afirma que após a “balada”, no fim da madrugada, ele teria ido com amigos a um posto de gasolina beber e, posteriormente, ido para casa da sua mãe, no entanto não deu detalhes de como encontrou o outro réu e argumentou que não sabia onde a vítima estava, apesar de o ter assassinado com três tiros. 

Herique afirmou estar de capacete quando disparou contra Rodrigo, porém afirma que não lembrava quantas vezes atirou e se atirou quando a vítima já estava ao chão. Ele ainda confessou que não pretendia se entregar, mas que não teria ameaçado Fernando para não se entregar. A defesa não apresentou perguntas no caso, sendo que apenas o Ministério Público e o assistente de acusação fizeram questionamentos. 

Por volta das 15h15 de quarta-feira, 17, a fase de instrução foi encerrada, sendo que após isso iria ser iniciada a fase de debates entre Ministério Público e advogados e sentença formulada pelos jurados presentes. 

Até o fechamento desta edição, o júri ainda não havia sido finalizado. A Folha do Litoral News acompanhará todo o caso e divulgará a decisão da Justiça na próxima edição.
 

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