O Marujo

A Parábola da “Semente do Mau”

Quando o caráter não cria raiz, até a própria sombra abandona o homem

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Dizem que toda semente carrega em si o destino do que será. Umas florescem, outras apodrecem antes mesmo de romper a terra. E havia, entre elas, uma que nunca quis ser árvore, preferiu ser erva daninha. Chamavam-no de “Seme”, abreviação cruel de “Semente do Mau”, apelido dado por seus inseparáveis companheiros, a “Incompetência”, a “Inveja” e o “Larápio”. Não era amizade, era espelho.

“Seme” jamais conheceu bons costumes. Em seu primeiro emprego, numa rádio, não saiu pela porta da frente foi expulso pela dos fundos, carregando nos ombros o peso de um velho vício: o roubo. Sim, roubo. Seus próprios aliados, acostumados à mediocridade, ainda assim se espantaram. Não pelo crime em si, mas pela falta de pudor. Até para o erro existe limite e “Seme” nunca soube onde ele ficava, nem numa “Frequência Modulada”.

Mas há um detalhe que o torna ainda mais trágico porque sua memória é curta e conveniente. “Seme” não entende por que a vida não prosperou, por que as portas se fecharam, por que os convites cessaram. Culpa as pessoas, nunca o espelho.

Hoje, da janela de sua casa, contempla o vazio que construiu. Isolado, sem raízes e sem frutos, encontrou consolo em defender aquilo que lhe é familiar isto é, o erro. Passou a aplaudir políticos desonestos com a mesma facilidade com que rejeita aquilo que nunca conseguiu ser e ter o “Caráter”, a “Honra” e a “Honestidade”.

Armado de textos e vídeos produzidos por Inteligência Artificial, “Seme” tenta simular grandeza. Mas não há tecnologia capaz de fabricar virtude. Pode até imitar voz, imagem e discurso, mas jamais produzir essência.

“Seme”, coitado, não é apenas um homem perdido. É o retrato de uma escolha repetida de fugir da responsabilidade e abraçar a própria decadência.

Ainda assim, a vida sábia e implacável sempre oferece uma última lição. Porque nunca é tarde para recomeçar mas, para isso, é preciso primeiro reconhecer o próprio fracasso.

Entre o “Seme” e o “Sai de baixo” das histórias que a vida nos mostra, sempre vence aquele que tem a coragem de assumir seus erros porque quem foge da verdade, mais cedo ou mais tarde, tropeça numa Praça de Eventos.

E assim segue “Seme”, acreditando ser o grande espetáculo do dia, quando, na verdade, não passa de um aviso silencioso e decadente para todos os outros. “Seme” sem caráter, não há palco que sustente a farsa por muito tempo.

Que essa parábola sirva como corretivo, não como consolo, para quem vive de espalhar rancor, ódio e veneno, como se isso fosse virtude. Porque a conta chega. E não chega suave, nem parcelada, ela vem à vista, com juros de realidade e cobrança moral. E chega da forma mais dura quando o sujeito é obrigado a encarar, sem plateia e sem máscara, a própria miséria que construiu, percebendo tarde demais que virou refém daquilo que sempre plantou.


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Marujo

Navegador dos Sete Mares, bem-humorado e com certa dose de picardia

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