Quase duzentos anos depois, por lei de 1842, a Vila foi elevada à cidade e, desligada de São Paulo para pertencer à Comarca de Curitiba que, por vez, iria se tornar a Província do Paraná em agosto de 1853.
Desde os primeiros anos de vida, Paranaguá existiu como porto e, nas suas imediações, exploravam-se minas de ouro desde 1570.
Escreve-nos Júlio Leal em 1862 sobre os parnanguaras:
“Povo hospitaleiro, sincero, agradável e, em sua maioria, dedicado ao comércio e à marinha, mas não desprezam a poesia e as letras.
A marinhagem é o recurso mais procurado pelos moços que correm à capitania do porto e, ali se preparam para as viagens de cabotagem.
A beleza feminina de Paranaguá!
A natureza deixou nas filhas da terra os mais vivos e finos traços.
Uma légua distante da cidade, encontramos uma povoação de pescadores, conhecida como a Sra. do Rocio.
Sublime é a devoção pela virgem, para aplaudirem a sua festa, que ocorre em novembro.
A estrada, que vai de Paranaguá ao Rocio, é bela e agradável, convida ao passeio mesmo em horas de sol quente, porque fica entre gigantescas e cerradas matas que, entrelaçando as pontas dos seus galhos, ofuscam os raios deste astro e produzem uma sombra fresca.”
Tivemos às margens do Itiberê a passagem do implacável senhor “O Tempo”. Com todas as mudanças ocorridas neste gigante que chamamos de Brasil, viram estas margens a visita da família imperial em 1880, a abolição em 1888, que tantos ilustres filhos desta terra lutaram, o Incidente do Cormorant, a Sumaca Aurora e os escravos “Heróis”, em seguida à “República da Espada”, Revolta da Armada, Revolução Federalista, invasão de Paranaguá e o assassinato do Barão de Serro Azul, entre muitas outras. A “Terra dos índios Carijós” entra no século XX, carregada de histórias, veio o Estado Novo, os anos de “Chumbo”, veio a abertura política e as “Diretas Já” e, Paranaguá sempre contribuindo na Vanguarda da formação de nossa nação, hoje o Porto de Paranaguá é o maior exportador de produtos agrícolas do Brasil e, o maior porto graneleiro da América Latina, exporta e importa grãos, fertilizantes, contêineres, líquidos, automóveis, madeira, papel, sal, açúcar, entre outros, e assim caminha esta terra abençoada rumo ao futuro, mas valorizando sempre sua história que serve como um farol indicando sempre o rumo a seguir.
Hamilton Júnior
Historiador
Sócio Correspondente do IHGP
Referências:
Wikipédia, Ver. Popular Júlio C. Leal 1862.