Caro leitor, ao passar pela Praça Prefeito Mario Roque, já notou que há um obelisco próximo ao seu centro?
O obelisco de Paranaguá é mais do que um bloco de pedra. É um guardião do tempo: uma seta silenciosa apontada ao céu, evocando a trajetória de um povo.
Construído em 1943 para celebrar o primeiro centenário de elevação de Paranaguá à categoria de cidade — oficializada pela Lei Provincial nº 5, de 5 de fevereiro de 1842 — tornou-se símbolo de orgulho coletivo: “aqui estamos, aqui permanecemos”.
Inicialmente situado no cruzamento das avenidas Manoel Ribas e Gabriel de Lara, ergueu-se sob olhar festivo, como se toda a cidade comemorasse sua própria história. Mais tarde, foi transferido para a atual Praça Prefeito Mario das Dores Roque, que reúne marcos do desenvolvimento local, como o Chafariz de Ferro e o antigo bebedouro de ferro fundido. Juntos, compõem um verdadeiro museu a céu aberto, em que cada detalhe sussurra memórias.
Inspirados nos obeliscos do Egito Antigo — monumentos erguidos para honrar faraós e deuses solares — os obeliscos modernos também buscam resistir ao esquecimento. Mesmo sem inscrições, o obelisco de Paranaguá fala pela sua presença.
A cidade o interpreta, pois nele pulsa a continuidade de sua própria história.
Imóvel, atravessa gerações como testemunha de festas, encontros, conquistas. Representa uma Paranaguá pioneira: cidade do comércio, da cultura, dos sonhos.
Sua permanência reafirma a vocação de lembrar o passado sem perder o futuro de vista.
Cuidar do monumento é preservar identidade.
É permitir que as próximas gerações encontrem ali um marco vivo, que se observa, se toca e se sente.
Sua natureza transcende a matéria: parece respirar, como um coração de granito que acompanha o ritmo da cidade.
Liga o ontem ao amanhã e nos lembra que o futuro só floresce com raízes profundas.
Cada olhar lançado à sua silhueta ergue perguntas essenciais: quem fomos, quem somos e quem desejamos ser?
De tão simples, o obelisco torna-se poesia muda — uma ponte entre memória e vida, entre pedra e gente, entre vivos e antepassados.
Que seja preservado.
Que volte a ter suas placas informativas, para que todos possam ler a história que nele se inscreve sem palavras.
E que, ao passar por ele, você possa parar por um instante, contemplar suas formas e lembrar que cada pedra guarda uma história que merece continuar sendo contada.





