Ildefonso Pereira Correia, o Barão do Serro Azul, foi um empresário e político paranaense, maior exportador e produtor de erva-mate do mundo no século XIX. Nascido em Paranaguá, em 6 de agosto de 1845, era filho do tenente-coronel Manuel Francisco Correia Júnior e de Francisca Antônia Pereira Correia. Seu pai havia sido destituído de cargos públicos por defender a separação da comarca do Paraná da província de São Paulo.
Estudou humanidades no Rio de Janeiro e, aos 24 anos, retornou ao Paraná para dedicar-se ao comércio de erva-mate. Casou-se com Maria José Correia em 1871 com 26 anos, viveram em Paranaguá um pequeno período e com 27 anos, instalou, em sociedade, seu primeiro engenho em Antonina. Quatro anos depois, expôs seus produtos na Grande Exposição de 1880, nos Estados Unidos, com grande êxito.
De volta ao Paraná, iniciou carreira política como deputado provincial pelo Partido Conservador. Com a construção da Estrada da Graciosa, transferiu-se para Curitiba, onde adquiriu e modernizou o Engenho Iguaçu, construiu o Engenho Tibagi, investiu em serrarias e passou a exportar madeira. Controlou a Companhia Ferrocarril de Curitiba, lançou o Banco Industrial e Mercantil, comprou o jornal Diário do Comércio e foi diretor da Sociedade Protetora de Ensino.
Comparado ao Barão de Mauá, conquistou a simpatia do imperador Dom Pedro II, recebendo a comenda da Imperial Ordem da Rosa. Abolicionista convicto, como presidente da Câmara Municipal de Curitiba comprometeu-se a libertar os escravos do município. Em 1888, a princesa Isabel concedeu-lhe o título de Barão do Serro Azul.
Durante a Revolução Federalista, tentou negociar a paz com o líder maragato Gumercindo Saraiva, mas foi acusado de traição pelos florianistas e executado sumariamente, em 1894, pelo general Éwerton de Quadros. Após sua morte, foi considerado traidor da República, seus feitos foram apagados da história oficial e sua mansão transformada em quartel, obrigando a família a viver em um anexo.
O reconhecimento veio apenas em 2008, com sua inclusão no Livro de Aço dos Heróis Nacionais, no Panteão da Pátria, em Brasília. Sua residência, construída em 1883, hoje abriga o Centro Cultural Solar do Barão.
A baronesa Maria José Correia (1853-1921) destacou-se após a morte do marido, cuidando dos negócios até 1909. Ganhou notoriedade pela carta enviada ao Barão de Ladário, lida no Senado, denunciando as circunstâncias da execução do barão. Em Curitiba, organizou eventos sociais que reuniram figuras como Maria Clara de Leão, Trajano Reis e Cândido de Abreu, além de apoiar ações filantrópicas, como a Sociedade Treze de Maio.
Mudou-se para Paranaguá para viver próximo à sua família, fez grandes obras de caridade em Paranaguá.
Terminou sua vida em sua cidade natal, Paranaguá, onde repousa na eternidade no cemitério Nossa Senhora do Carmo.
Na nossa cidade existe apenas uma rua que faz menção à baronesa.
Já passou do tempo de algum legislador propor a nomeação de alguma rua para Barão do Serro Azul, pelo que ele significou para Paranaguá, pelo Paraná e pelo Brasil.
Fonte: O Barão do Serro Azul e seu papel na história do Paraná. Ref.: Brasil Imperial.





