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O Rio Itiberê: da colonização ao pão de cada dia

29 de julho de 2017

Paranaguá teve toda sua história ligada ao “Grande Mar Redondo”

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Chamada como o “grande mar redondo” pelos índios, Paranaguá, que também foi chamada de Pernagoá e Vila de Nossa Senhora do Rosário, começou a ser povoada em 1550, na Ilha da Cotinga. Duas décadas depois, os pioneiros guiados por Domingos Peneda, considerado o fundador da povoação, conquistaram a margem esquerda do Rio Taguaré, como era denominado antigamente o Rio Itiberê.

INSPIRAÇÃO PARA MÚSICA

A paisagem formada na Rua da Praia em Paranaguá, com seus casarios, barcos e cenário composto por diversas cores e formas, foi construída em virtude do Rio Itiberê. Uma grande parte da história do Berço da Civilização Paranaense pode ser contada à beira dessas águas. Uma caminhada na Rua da Praia hoje faz as pessoas pensarem como todos os casarões foram construídos há tantos anos e como o Rio Itiberê influenciou na expansão da cidade. A compositora Anita Fontes, já dizia em sua canção “Milha Velha Paranaguá”: “ As margens Calmas deste rio encantador, neste recanto de tantas recordações,
quanta história, quanto vulto, quanta glória(...)”.

FONTE DE RENDA

Para alguns, o Itiberê é o principal cartão-postal de Paranaguá, um local que merece atenção dos visitantes através de um passeio de barco para conhecer as belezas naturais da região. Para outros, é fonte de renda e sustento para suas famílias como para pescadores e barqueiros que trabalham na travessia de passageiros para as comunidades marítimas e ilhas, como a Ilha dos Valadares.

Apesar de uma passarela ligar a ilha ao continente, alguns bairros são bastante afastados e as pequenas embarcações se tornam o meio de transporte mais rápido para realizar a travessia. Adílio de Lima Cardoso, barqueiro, é uma dessas pessoas que oferecem o transporte às margens do Rio Itiberê tanto para a comunidade como para turistas curiosos que chegam até os barcos. “Trabalho há 15 anos com isso, mas também trabalho com carteira assinada e, na folga, costumo dar uma remada. Antes ficava à toa, sem fazer nada, e via a turma remando. Então enxerguei uma oportunidade. Meu irmão já fazia esse trabalho e me influenciou, ele trabalhou com isso na época que não tinha a ponte para a Ilha dos Valadares”, contou.

Os barqueiros ainda levam passageiros para a Ilha da Cotinga, famosa pela presença da Igreja de Nossa Senhora das Mercês. A paisagem ao longo dos anos mudou bastante, segundo Cardoso. “A dragagem foi desmatando os mangues que vemos do outro lado”, observou.

O valor cobrado pela travessia até a Ilha dos Valadares é de R$1, que permanece inalterado há anos. “O rio é muito bom, tiramos daqui o nosso sustento. Pensamos que isso deve virar patrimônio histórico imaterial. Imagino que há uns 60 anos exista a nossa atividade”, defendeu Cardoso.

CONHECER PARA VALORIZAR

O barqueiro Tomé Luiz Barbosa Júnior está há 18 anos na profissão também influenciado pelos irmãos que já estavam na atividade. “Para nós, o Rio Itiberê é uma atração turística”, frisou.

Segundo Barbosa Júnior, é preciso que as pessoas da cidade valorizem mais as belezas presentes em um passeio de barco pelo Itiberê, conscientização que ainda falta e que é mais evidenciada pelos visitantes. “Recebemos muitas pessoas de fora do País, esses dias levei um da Austrália. Não sei falar inglês, mas a gente se vira com gestos. As árvores do manguezal chamaram muito a atenção desse turista. Quem vem de fora valoriza mais. Quem mora aqui já está acostumado, mas quem é de fora fica impressionado com a calma e a tranquilidade que o rio passa”, salientou.

HISTÓRIA

O livro Espirais do Tempo traz a explicação de que Paranaguá dos séculos XVIII e XIX é, ainda, perfeitamente identificável no conjunto urbano, estendendo-se às margens do Rio Itiberê, a cidade velha tem sua paisagem urbana própria.

 


Rio Itiberê é o marco da ocupação dos colonizadores


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