O Instituto Estadual de Educação (IEE) Dr. Caetano Munhoz da Rocha, de Paranaguá, conquistou, pelo segundo ano consecutivo, o título de campeão da etapa regional do Hack Tech da Educação Profissional, promovido pelo Núcleo Regional de Educação de Paranaguá. Com o resultado, a instituição vai representar o Litoral do Paraná na segunda edição da competição estadual, que será realizada nos dias 4, 5 e 6 de novembro, em Foz do Iguaçu.
O projeto vencedor, intitulado “Estação Meteorológica com Monitoramento de Enchentes”, foi desenvolvido por estudantes do curso Técnico em Desenvolvimento de Sistemas, sob a orientação do professor Erick Campos. A proposta utiliza recursos tecnológicos para acompanhar condições meteorológicas e monitorar variáveis ambientais que possam contribuir para a identificação de situações de risco.
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Para o diretor-geral do Instituto, Joares Maurício da Rocha, a conquista reforça o potencial dos estudantes e a qualidade do ensino público. “Conquistar o título regional pelo segundo ano consecutivo demonstra que a escola pública tem capacidade de desenvolver projetos inovadores, de qualidade e com potencial para transformar a realidade da comunidade”, destacou.
Segundo o diretor, a participação na competição também permite que os alunos coloquem em prática os conhecimentos adquiridos em sala de aula, além de desenvolver habilidades importantes para a formação profissional. “Eles têm a oportunidade de aplicar, na prática, os conhecimentos adquiridos em sala de aula, desenvolver o raciocínio lógico, trabalhar em equipe e compreender que a tecnologia pode ser utilizada para resolver problemas reais da sociedade. Essa conquista reforça que nossos estudantes podem ocupar espaços de destaque e representar com competência a educação pública do Litoral do Paraná”, afirmou.
Tecnologia a serviço da comunidade
A escolha do tema considera a realidade do Litoral do Paraná, região que enfrenta episódios de chuvas intensas, alagamentos e enchentes, com impactos sobre residências, mobilidade urbana, serviços públicos e a segurança da população.

De acordo com Joares Maurício da Rocha, a proposta surgiu da intenção de aproximar o conhecimento tecnológico das necessidades locais. “Diante dessa realidade, pensamos em desenvolver uma solução que utilizasse a tecnologia para acompanhar condições meteorológicas e monitorar possíveis situações de risco. A proposta da estação é coletar informações ambientais e permitir o acompanhamento de variáveis que possam contribuir para identificar condições favoráveis à ocorrência de alagamentos e enchentes”, explicou.
O diretor ressalta, porém, que o equipamento ainda precisa passar por etapas de aperfeiçoamento, testes e validação antes de uma possível utilização em situações reais. “É importante destacar que a tecnologia desenvolvida ainda precisa passar por etapas de aprimoramento, testes e validação para que possa ser utilizada em situações reais. Entretanto, o projeto apresenta um caminho promissor para demonstrar como a programação, a eletrônica e o monitoramento de dados podem contribuir para a prevenção de desastres”, pontuou.
Incêndio marcou o desenvolvimento
O desenvolvimento da estação meteorológica exigiu pesquisa, planejamento e integração de conhecimentos de programação, eletrônica e monitoramento ambiental. Durante o processo, entretanto, a equipe enfrentou um obstáculo significativo: um incêndio no prédio onde o projeto estava sendo desenvolvido.
O episódio provocou a perda de materiais que já haviam sido preparados para a montagem do equipamento. Na ocasião, aproximadamente um terço das peças estava pronto, o que exigiu mudanças no planejamento e a busca por alternativas para dar continuidade ao trabalho.
“Foi uma situação difícil, pois representou a perda de parte do trabalho que já havia sido realizado e exigiu que organizássemos o planejamento e buscássemos alternativas para dar continuidade ao projeto”, relatou Joares.
O diretor também destaca a importância do apoio da equipe diretiva para que os estudantes e o orientador conseguissem superar as dificuldades e manter o projeto em andamento. “Quero destacar e agradecer à equipe diretiva pelo suporte e pela confiança no trabalho que estávamos desenvolvendo. Esse apoio foi muito importante para que pudéssemos enfrentar as dificuldades, manter a motivação dos estudantes e continuar trabalhando para alcançar nosso objetivo”, afirmou.
Para ele, a conquista regional ganhou um significado ainda maior diante dos obstáculos enfrentados. O resultado representa não apenas o desempenho técnico dos estudantes, mas também a persistência da equipe e a importância do incentivo institucional à inovação na educação pública.
Preparação para a etapa estadual
Com a classificação garantida, os estudantes trabalham no aperfeiçoamento do projeto e na preparação da apresentação que será realizada em Foz do Iguaçu. A equipe precisa demonstrar o problema que motivou a pesquisa, os objetivos da estação, o funcionamento da solução e seu potencial de contribuição social.

“Estamos trabalhando para que os estudantes consigam apresentar com clareza o problema que motivou a pesquisa, os objetivos da estação meteorológica, o funcionamento da solução proposta e seu potencial de aplicação social. Também é importante que eles compreendam cada etapa do desenvolvimento e estejam preparados para explicar as escolhas técnicas realizadas pela equipe”, explicou o diretor.
A competição estadual também será uma oportunidade de aprendizagem e troca de experiências com estudantes de outras regiões do Paraná. “Independentemente do resultado, representar o Litoral do Paraná já é uma grande responsabilidade e motivo de orgulho. Nosso compromisso é preparar os estudantes para que participem com segurança, conhecimento técnico e confiança no trabalho que desenvolveram”, ressaltou Joares.
Possibilidade de aplicação futura
Além da participação no Hack Tech, o Instituto avalia a possibilidade de aprimorar a estação meteorológica para que a tecnologia possa, futuramente, contribuir com iniciativas de monitoramento ambiental e prevenção de riscos na região.
Para isso, será necessário testar o equipamento em diferentes condições, avaliar a precisão dos sensores, verificar a confiabilidade dos dados e estudar a instalação dos dispositivos e a transmissão das informações. Uma eventual aplicação comunitária também dependerá de parcerias com universidades, instituições de pesquisa, órgãos municipais e entidades responsáveis pelo monitoramento meteorológico e pela Defesa Civil.
“Para uma possível aplicação na comunidade, seria fundamental estabelecer parcerias com instituições de pesquisa, universidades, órgãos municipais e entidades responsáveis pelo monitoramento meteorológico e pela Defesa Civil. A integração com sistemas oficiais e a validação técnica são indispensáveis para que as informações possam ser utilizadas com segurança”, esclareceu o diretor.
Joares reforça que a estação ainda não deve ser considerada um sistema oficial de alerta de enchentes, mas destaca o potencial educacional e social da iniciativa. “Ainda assim, acreditamos que a iniciativa pode evoluir e contribuir para projetos de monitoramento ambiental, educação científica e prevenção de riscos. Como professor e orientador, considero muito significativo ver os estudantes compreendendo que aquilo que aprendem em sala de aula pode gerar soluções para problemas reais. Nosso objetivo é formar profissionais capazes de desenvolver tecnologia com responsabilidade, criatividade e compromisso com a sociedade”, finalizou.





