Sob a Ótica Maçônica

Independência: Um Grito que Ainda Ecoa

(Fonseca.R 07/09/2025)

grande oriente parana

No dia 7 de setembro de 1822, às margens do riacho do Ipiranga, Dom Pedro bradou a frase que entraria para sempre na história: “Independência ou Morte! ”. Ali, simbolicamente, o Brasil rompia seus laços com a Coroa Portuguesa e se tornava uma nação soberana.

Mas, passados mais de duzentos anos, vale perguntar: somos mesmo independentes?

É claro que conquistamos muito desde então. Temos governo próprio, território definido, instituições democráticas, uma cultura rica que nos diferencia do resto do mundo. Podemos dizer, sem dúvida, que não somos mais uma colônia. Mas será que isso basta para dizer que somos livres?

A independência de uma nação não se resume a um ato político. É muito mais do que um grito às margens de um riacho. Ser independente é ter voz própria, capacidade de decidir sem ser coagido. É garantir ao seu povo educação de qualidade, saúde eficiente, segurança, dignidade. É não viver refém de interesses estrangeiros ou internos que favoreçam poucos em detrimento de muitos.

Quando olhamos para o Brasil de hoje, vemos conquistas, mas também muitos grilhões invisíveis. Dependemos de tecnologias que não produzimos, seguimos padrões culturais importados, nossa economia ainda sofre com desigualdades brutais. E, em muitos momentos, decisões estratégicas que deveriam priorizar o bem comum acabam influenciadas por forças externas ou por jogos de poder internos.

Por isso, o 7 de setembro precisa ser mais que um feriado com desfiles e discursos protocolares. Deve ser um momento de reflexão profunda.

Estamos construindo, de fato, uma pátria livre?

A resposta não virá pronta. A independência é uma obra contínua. Requer compromisso com educação e ciência, para que possamos caminhar com nossos próprios pés. Requer fortalecimento das instituições e combate à corrupção, para que a soberania não seja apenas um slogan. E, principalmente, requer cidadãos conscientes, que participem da vida política e social, porque liberdade sem responsabilidade não passa de ilusão.

A verdadeira independência não se conquista de uma vez. Ela se conquista todos os dias. Na escola, no trabalho, no voto, na forma como cada um de nós decide contribuir — ou não — para o bem comum.

Quando olhamos para a nossa bandeira, com a frase “Ordem e Progresso”, precisamos nos perguntar se estamos honrando esse ideal. Estamos construindo um Brasil que ofereça oportunidades reais a todos? Estamos garantindo que cada brasileiro possa viver com dignidade e esperança?

O grito do Ipiranga ainda ecoa. Ele nos chama, não para olhar apenas para o passado, mas para assumir nosso papel no presente. Ser independente não é um ato isolado. É uma escolha diária.

Neste 7 de Setembro, mais do que celebrar o que já conquistamos, é preciso lembrar do que ainda falta conquistar. Porque só quando houver liberdade, justiça social e soberania plena, poderemos dizer, com orgulho e verdade: “Somos, enfim, um Brasil independente. ”

DROPS MAÇÔNICOS

  • 02/09/1828: Nasce o escritor russo Leon Tolstoi que descreve uma iniciação maçônica em seu livro Guerra e Paz.
  • 04/09/1850: Foi promulgada a Lei Eusébio de Queirós, marco na luta contra o tráfico de escravos no Brasil. Eusébio de Queiroz, Ministro da Justiça e maçom filiado `a Loja Comércio e Artes/RJ comprometido com princípios de justiça e liberdade, desempenhou um papel corajoso na sua criação.
  • 18/09/1821: Começa a circular o jornal” Revérbero Constitucional”, editado pelos Maçons Gonçalves Ledo e Cônego Januário Barbosa. Um dos primeiros panfletos periódicos a surgir em oposição ao domínio português. Apontado como o órgão doutrinário da independência do Brasil, tinha a inclinação francamente liberal.

Sereníssimo Grão-Mestre Vladimir Pires Martins

Grande Secretaria de Comunicação e Imprensa

Luís Fernando da Silva Dias

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