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Valmir Gomes

NÃO SABEMOS PERDER

Sempre que ficamos pelo meio do caminho em uma Copa do Mundo, apontamos erros e escolhemos os culpados, sem nunca reconhecer minimamente uma virtude nas seleções adversárias.

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Sempre que ficamos pelo meio do caminho em uma Copa do Mundo, apontamos erros e escolhemos os culpados, sem nunca reconhecer minimamente uma virtude nas seleções adversárias. Jogamos melhor nas eliminatórias que na Copa, seja pelo motivo que for, a seleção caiu de produção. Em 1950, na derrota para os uruguaios, então bicampeões do mundo, os culpados foram o goleiro Barbosa e o lateral Bigode. De lá para cá, foram muitos, Valdir Peres, Julio César, Roberto Carlos, Toninho Cerezo e por aí vai. A cada derrota surge um novo "cristo" como se não existisse qualidade nenhuma nos adversários do Brasil. Agora o culpado foi Fernandinho, segundo muitos, ele perdeu, ou melhor perdemos por causa dele. Tenham a santa paciência, perdemos porque o adversário foi competente, perdemos porque a Bélgica fez mais gols do que nós. Perdemos porque jogamos abaixo do esperado, os craques da TV não foram craques no campo. Simples assim.

 

DERROTA PEDAGÓGICA

Antes que me perguntem, sou a favor da permanência do Tite, um homem que já mostrou sua capacidade como técnico por onde passou. Porém a CBF tem que contratar um diretor de futebol, alguém que possa discordar do técnico sem criar traumas. Não alguém indicado pelo técnico, como é o caso hoje. Opiniões divergentes com sabedoria, iluminam o grupo, seja em uma empresa ou em um time de futebol. Dou exemplos, o futebol de hoje é praticado por atletas, não somente por jogadores como antigamente. Então temos que ter verdadeiros atletas na seleção, a começar pela envergadura, o ataque que terminou o último jogo, era baixo para os padrões atuais. Os laterais idem. Vou mais longe, temos que valorizar os jogadores que atuam no Brasil, impossível uma seleção brasileira, sem Tiago Neves, Luan, Dudu, Geromel, Diego, para citar alguns. Falta identidade nacional na Seleção Brasileira. A derrota nos ensina mais do que a vitória, que ela tenha sido pedagógica.

 

OS NEGÓCIOS DA BOLA

Antes da Copa do Mundo, tivemos uma lavagem cerebral. Nosso técnico e a maioria dos jogadores invadiram nossas casas via televisão como garotos propaganda. Nas lojas comerciais, fotos deles rindo e aconselhando os mais diversos produtos. Os canais que tinham os direitos de transmissão rasgavam elogios aos craques brasileiros da manhã à noite. O povo acabou acreditando, mais do que devia, que a seleção já era quase campeã. Foi na verdade a parte comercial do futebol. Audiência nas alturas, patrocinadores contentes, povo confiante. Daí vem o jogo. No campo a realidade é outra, os craques são outros, o povo então se depara com a verdade, triste verdade. Assim são os negócios da bola, uma fantasia sem igual que já dura alguns anos, enriqueceu muita gente e nos deixou órfão de títulos.

 

LULA

Afinal o Lula está preso ou foi solto? Tem coisas que só acontecem no Brasil, nossa imagem no exterior está cada dia mais desgastada. O futebol e a política nos causam derrotas amargas. Difícil de digerir.

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