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Audiência pública discutirá volta da circulação diária do trem de passageiros

13 de junho de 2018

Passeio de trem de Curitiba ao litoral está entre os dez mais importantes do mundo e movimenta turismo de toda a região (Foto: Divulgação)

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Comerciantes e empresários querem retorno do trem viabilizado por meio do diálogo

Em janeiro deste ano, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) anunciou oficialmente a redução nos dias de vinda do trem de passageiros da Serra Verde Express a Morretes no período de baixa temporada. Desde então, a circulação somente é diária nos meses de janeiro, fevereiro, julho e dezembro, sendo que no período restante do ano só é permitido o tráfego férreo de passageiros nas sextas-feiras, sábado, com possibilidade de extensão para as quintas-feiras em meses específicos.

A decisão foi criticada por comerciantes, empresários e cidadãos e, inclusive, incidiu na criação de movimentos apartidários em Morretes e Paranaguá, que cobraram e conseguiram fazer com que a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) programasse uma audiência pública na quarta-feira, 13, para discutir "a volta da circulação diária de trens para passageiros no trecho entre os municípios de Curitiba e Paranaguá", que ocorrerá às 11h, no auditório da Casa de Leis.

José Reis Juca, empresário e membro do movimento "Paranaguá vai à luta", que está atuando em prol da volta do trem junto com o movimento "Acorda, Morretes", ressalta que a audiência pública é fruto desta mobilização apartidária em diálogo junto ao deputado estadual Ney Leprevost e à Assembleia Legislativa. "A Rumo reduziu a quantidade de viagens de trens para Morretes. Nisto se iniciou uma mobilização de moradores em Morretes contra a empresa, visto que houve reclamações também por parte do trem fechar fluxo em algumas ruas e não deixar passar carros de socorro. Já seriam feitas audiências para discutir o impacto da Rumo na cidade. Como eles reduziram a circulação do trem turístico, a comunidade se organizou mais ainda para a volta do trem", explica.

De acordo com Juca, houve diálogo entre Paranaguá e Morretes através dos movimentos em prol da volta do trem de passageiros. "É também uma questão de passageiros a preço justo, vai além da empresa, que é detentora junto com a Rumo. Eles querem não só a volta do trem, eles querem o trem de passageiros com tarifas abaixo do preço de passagens rodoviárias, visto que o custo do modal ferroviário é mais em conta do que o rodoviário, corresponde a 1/7 do valor que custa o transporte através de rodovias. Teve uma primeira discussão em audiência pública de reativação do ramal entre Curitiba a Paranaguá", completa.

QUESTÃO CONTRATUAL

"A nossa expectativa é saber como está a questão contratual, trabalhamos com as informações que a ANTT dará para a gente. A ANTT tem o contrato firmado com a Rumo e ela pode nos falar a situação contratual atual. No caso dos movimentos não estarem satisfeitos com o que for informado, procuraremos outras instâncias para discutir isso. A audiência é apenas para conversar, é mais para ouvir do que falar", explica o empresário. Segundo ele, o fim da circulação diária do trem de passageiros ao litoral afeta todo o setor turístico da região. "Este passeio está entre os 10 melhores passeios de trem do mundo. É um atrativo a mais para a região. Os empresários de Morretes sentiram bastante, conforme foi repassado também via Adetur. Havia um movimento na quarta-feira de 100% nos restaurantes, o que agora só ocorre no fim de semana", complementa Juca.

"Para uma família descer de trem custa cerca de R$ 95,00, é um passeio caro. Se pensarmos que 90% dos turistas são de Curitiba, precisando ir e voltar, é mais caro ainda. Se você tiver uma tarifa justa e o trem vier até Paranaguá, por mais que a gente saiba do grande fluxo em Morretes, mas alguma coisa virá para Paranaguá, assim teremos um efeito positivo em cadeia, fazendo a cidade e os comerciantes se prepararem melhor", explica José Juca.

"O movimento é totalmente apartidário. Estamos tomando cuidado nesse sentido. É algo comunitário, passamos isso para todas as entidades, Câmara, prefeitura, temos conversado e queremos que quem está nos ajudando venha junto, mas sem servir de palanque para ninguém", diz.

ABAIXO-ASSINADO

De acordo com José Reis Juca, está circulando em toda a cidade um abaixo-assinado nos restaurantes, colégios e faculdades, pedindo a volta do trem de passageiros diariamente ao litoral. São necessárias cerca de 15 mil assinaturas, sendo que atualmente o documento conta com cerca de duas mil assinaturas. O telefone para obter acesso ao abaixo-assinado é o (41) 99248-5382 e a página no Facebook para mais informações sobre o caso possui o nome de "Paranaguá vai à luta", disponível no link https://www.facebook.com/groups/1074446262695627/ .

ASSOCIAÇÃO DE RESTAURANTES E SIMILARES DE MORRETES AFIRMA QUE FATURAMENTO CAIU EM 80%

Maurício Laffitte, empresário e diretor da Associação dos Restaurantes e Similares de Morretes, afirma que a expectativa é que os empresários e força política paranaense reúnam informações na audiência pública para reverter a questão do fim da circulação diária do trem de passageiros ao litoral, podendo pressionar também a esfera federal a rever o caso junto à ANTT, que alterou a conceituação da vinda do trem para "transporte eventual".

"Havia algumas empresas e restaurantes que fizeram contratos com empresas turísticas. O movimento deles dependia da vinda diária do trem de passageiros, bem como com empresas fazendo transporte de retorno passando por Paranaguá, visitando o Aquário e a Ilha do Mel, por exemplo. Esta concentração ocorria em alguns restaurantes, que inclusive já estão demitindo funcionários por causa da queda no movimento", complementa Laffitte.

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