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Semeando Esperança

Edmar Peron é Bispo da Diocese de Paranaguá

Somos filhos e filhas do Deus da Paz!

11 de janeiro de 2020

O Tempo do Natal chegou à sua conclusão: a Festa do Batismo do Senhor. Depois de ser batizado por João, os céus se abriram, o Espírito Santo desceu sobre Jesus e se ouviu a voz do Pai: “Este é o meu Filho amado, no qual eu coloquei o meu agrado” (Mt 3,17). Em Jesus Cristo, cada pessoa pode fazer a experiência da filiação divina; nele somos filhos e filhas do Deus da Paz.

Considerando os acontecimentos destes últimos dias, quero trazer à nossa meditação alguns elementos da mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial da Paz 2020 (08/12/2019). Nela, o Papa afirma que:

“A paz é um bem precioso, objeto da nossa esperança; por ela aspira toda a humanidade. Colocar esperança na paz é um comportamento humano [...] que nos ajuda a caminhar, dá asas para continuar, mesmo quando os obstáculos parecem intransponíveis”.

A nossa comunidade humana traz, na memória e na carne, os sinais das guerras e conflitos que têm vindo a suceder-se, com crescente capacidade destruidora, afetando especialmente os mais pobres e frágeis. Há nações inteiras que não conseguem libertar-se das cadeias de exploração e corrupção que alimentam ódios e violências. [...]

Sabemos que, muitas vezes, a guerra começa pelo fato de não se suportar a diversidade do outro, e cresce pelo desejo de posse e a vontade de domínio. Nasce, no coração do homem, a partir do egoísmo e do orgulho, do ódio que induz a destruir, a dar uma imagem negativa do outro, a excluí-lo e cancelá-lo. [...]

É paradoxal, como pude [o Papa Francisco] ressaltar na recente viagem ao Japão [precisamente em Nagasaki], que o nosso mundo viva a dicotomia perversa de querer defender e garantir a estabilidade e a paz com base numa falsa segurança, sustentada por uma mentalidade de medo e desconfiança, que acaba por envenenar as relações entre os povos e impedir a possibilidade de qualquer diálogo. A paz e a estabilidade internacional são incompatíveis com qualquer tentativa de as construir sobre o medo de mútua destruição ou sobre uma ameaça de aniquilação total. São possíveis só a partir de uma ética global de solidariedade e cooperação ao serviço de um futuro modelado pela interdependência e a corresponsabilidade na família humana inteira de hoje e de amanhã.

Toda a situação de ameaça alimenta a desconfiança e o fechamento dentro da própria condição. Desconfiança e medo aumentam a fragilidade das relações e o risco de violência, num círculo vicioso que nunca poderá levar a uma relação de paz. Neste sentido, a própria dissuasão nuclear só pode criar uma segurança ilusória.

Por isso, não podemos pretender manter a estabilidade no mundo através do medo da aniquilação, em um equilíbrio muito instável, pendente sobre o abismo nuclear e fechado dentro dos muros da indiferença, onde se tomam decisões socioeconômicas que abrem a estrada para os dramas do descarte do homem e da criação, em vez de nos cuidarmos uns dos outros.

“Então como construir um caminho de paz [...]? Como romper a lógica doentia da ameaça e do medo? Como quebrar a dinâmica de desconfiança atualmente prevalecente? Devemos procurar uma fraternidade real, baseada na origem comum de Deus e vivida no diálogo e na confiança mútua. O desejo de paz está profundamente inscrito no coração do homem e não devemos resignar-nos com nada que seja menos do que isso”.

É bom retomar, cada dia, este ideal: “Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz”!

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