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Semeando Esperança

Edmar Peron é Bispo da Diocese de Paranaguá

O Presépio, anúncio da salvação!

21 de dezembro de 2019

A cada ano, no 4º Domingo do Advento, a Igreja reza: “Derramai, ó Deus, a vossa graça em nossos corações para que, conhecendo pela mensagem do Anjo a encarnação do vosso Filho, cheguemos, por sua paixão e cruz, à glória da ressurreição” (Missal Romano). Natal e Páscoa aparecem unidos nesta oração: Deus nos oferece a salvação em seu Filho, Jesus Cristo, pelo mistério de sua encarnação, morte e ressurreição. O Menino envolvido em faixas e colocado na manjedoura, por Maria, é anúncio do mistério de sua paixão salvadora: José de Arimateia “comprou um lençol de linho, retirou Jesus da cruz, envolveu-o no lençol e colocou-o num túmulo escavado na rocha” (Mt 15,46). Assim, não é estranho cantar na Sexta-feira Santa, ao beijar a cruz gloriosa do Senhor: “Na manjedoura ele chora, o rei eterno dos céus; enfaixa-o nossa Senhora, que pobres panos os seus! Por frágeis laços embora, cativo o corpo de Deus” (Missal Romano).

Em sintonia com o que foi apresentado, podemos recordar o ensinamento do Papa Francisco em sua Carta Admirabile Signum – AS: “desde a sua origem franciscana, o Presépio é um convite a «sentir», a «tocar» a pobreza que escolheu, para si mesmo, o Filho de Deus na sua encarnação, tornando-se assim, implicitamente, um apelo para o seguirmos pelo caminho da humildade, da pobreza, do despojamento, que parte da manjedoura de Belém e leva até à Cruz, e um apelo ainda a encontrá-lo e servi-lo, com misericórdia, nos irmãos e irmãs mais necessitados (Mt 25,31-46)” (n. 3).

Quero destacar, também, o costume de incluir no presépio um céu escuro enfeitado com estrelas. Há nisso um sentido espiritual. Esses elementos nos recordam as muitas noites escuras de nossa existência, iluminadas apenas por uma certeza: não estamos sós, Deus está conosco, ele é Emanuel! “Em tais momentos, Deus não nos deixa sozinhos, mas se faz presente para dar resposta às questões decisivas sobre o sentido da nossa existência: Quem sou eu? De onde venho? Por que nasci neste tempo? Por que amo? Por que sofro? Por que hei de morrer? Foi para dar uma resposta a estas questões que Deus se fez homem. A sua proximidade traz luz onde há escuridão, e ilumina a quantos atravessam as trevas do sofrimento (Lc 1,79)” (AS 4).

O Presépio, portanto, exerce uma atração e nos comove “porque manifesta a ternura de Deus. Ele, o Criador do universo, abaixa-se até à nossa pequenez. O dom da vida, sempre misterioso para nós, fascina-nos ainda mais ao vermos que aquele que nasceu de Maria é a fonte e o sustento de toda a vida. Em Jesus, o Pai deu-nos um irmão, que vem procurar-nos quando estamos desorientados e perdemos o rumo, e um amigo fiel, que está sempre ao nosso lado; deu-nos o seu Filho, que nos perdoa e levanta do pecado” (AS 3).

O Natal está às portas! Deixemo-nos encantar pelo amor de Deus que nos quer envolver e iluminar nossas escuridões espirituais.  

 

 

 

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