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Semeando Esperança

Edmar Peron é Bispo da Diocese de Paranaguá

O Advento renova a nossa esperança!

30 de novembro de 2019

Quando será o fim do mundo? Muitas pessoas se perguntaram e perguntam sobre esse assunto; e outras, ao longo dos séculos, têm dado resposta, indicando-lhe o dia e a hora. Os Evangelhos, porém, nos oferecem uma outra perspectiva: ninguém sabe nem o dia nem a hora em que isso acontecerá. Neles descobrimos como, vivendo a esperança, poderemos aguardar a vinda do Senhor: “Vigiai, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor”. E acrescenta: “Ficai preparados, pois na hora em que menos pensais, virá o Filho do Homem”. Assim, o fim está intimamente ligado à vinda gloriosa do Senhor, à renovação e não à destruição de todas as coisas criadas.

Os Evangelhos nos apresentam imagens impactantes: aparecerão “falsos cristos e falsos profetas, que farão grandes prodígios e maravilhas para enganar, até os eleitos”; as potências do céu serão abaladas, “o sol escurecerá, a lua perderá sua claridade, as estrelas cairão do céu” (Mt 24,24.29); os cristãos serão perseguidos, presos e mortos. Todas essas imagens, porém, têm em vista chamar a atenção para algo mais importante: a necessidade de erguer a cabeça, testemunhar a fé e renovar a confiança em Deus (Lc 21,12-18).

Tal perspectiva cristã do nosso fim e do fim do mundo marca o início do Tempo do Advento, que começa sempre quatro domingos antes do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo. Esse tempo possui dupla característica. Sendo, sim, um tempo de preparação para as solenidades do Natal, em que se comemora a primeira Vinda do Filho de Deus entre os homens, é também um tempo em que, por meio desta lembrança, voltamos os corações para a espera da segunda vinda do Cristo no fim dos tempos. Por este duplo motivo, o Tempo do Advento se apresenta como um tempo de piedosa e alegre expectativa.

Iluminados pela celebração da primeira vinda de Jesus – que João anunciou e Maria esperou com amor de mãe, vinda em nossa carne, gente como nós, “em tudo igual a nós, menos no pecado” –, aguardamos confiantes a sua vinda gloriosa: “ressuscitou ao terceiro dia e subiu aos céus de onde há de vir para julgar os vivos e os mortos”. Esta é a nossa fé! Nela se ancora nossa esperança. É esse futuro, a vinda gloriosa de Jesus, que enche de luz o nosso presente e renova a nossa esperança. Isso, podemos alcançar vivendo com fidelidade o Tempo do Advento. Tempo forte que renova o nosso olhar, possibilita-nos enxergar além das aparências, vislumbrando a plenitude da nossa vida e do Reino de Deus: a quem padece sob a maldade e a violência, Deus fará justiça. Esperamos novos céus e nova terra, onde reinará a justiça (Ap 21,1). A música pode ajudar a cantar nossa fé e esperança: “Venha o teu Reino, Senhor, a festa da vida recria. A nossa espera e a dor, transforma em plena alegria”.

Olhemos, pois, o futuro sem tirar os pés da realidade presente, cientes de que não sabemos nem o dia nem a hora em que o Senhor virá (Mt 24,42-44).

 

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