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Casa da Memória: registros e recordações enriquecem a devoção à padroeira do Estado

15 de novembro de 2018

Os voluntários Nilande Ribeiro Filho e Beatriz Natel contaram algumas das histórias de fé dos devotos

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A Casa da Memória foi criada no Santuário de Nossa Senhora do Rosário do Rocio em 2005 e, desde então, guarda um pouco da história da padroeira do Paraná e do que ela simboliza para os devotos. Itens como o piano que era utilizado na igreja e o antigo cofre se misturam a objetos que homenageiam a santa como forma de agradecimento pelas bênçãos recebidas.

Uma parede e meia é dedicada à colagem de fotos de fiéis que tiveram seus pedidos atendidos, no centro da sala ficam as vestimentas de anjo, as quais são doadas por pais que vestem seus filhos com essas roupas durante as procissões e entregam como agradecimento. Do outro lado, estão objetos pessoais de antigos bispos e padres que passaram pelo Santuário, além de fotos que revelam a história da devoção por Nossa Senhora. O local também abriga os antigos microfones, máquina de escrever e caixas de som que foram usados pela Rádio Difusora de Paranaguá.

A Casa da Memória é bastante procurada pelos romeiros e é aberta todo terceiro domingo do mês. Já durante o período de festa da padroeira, os agentes de turismo atuam aos sábados e domingos para expor os objetos.

Fitas com bilhetes simbolizam os pedidos atendidos na Casa da Memória

HISTÓRIA E RELIGIÃO

O professor de história e geografia e voluntário no Santuário de Nossa Senhora do Rocio, Nilande Ribeiro Filho, explicou que todo o acervo tem muito valor histórico e religioso. “As pessoas passam por aqui e levam um conhecimento maior não só do local e do bairro como também da cidade. Do lado espiritual, para mim é uma satisfação, é o local onde se encontram os testemunhos. Eu vejo que a Casa é uma forma das pessoas conhecerem a devoção a Nossa Senhora do Rocio e isso me fortalece espiritualmente”, frisou Nilande.

A Casa também tem itens doados, como um incensário do Oriente Médio, bastante diferente dos usados normalmente no Brasil. A intenção é ampliar a Casa, acrescentando mais material. “Muitas vezes, o padre Joaquim Parron pede para que as pessoas levem fotos antigas para enriquecer esse espaço. Acredito que, com isso, teremos cada vez mais visitantes”, ressaltou Nilande.

OBJETOS MARCADOS PELA FÉ

Caminhando pela Casa da Memória, os visitantes podem ver diversos testemunhos de pessoas que se voltaram a Nossa Senhora do Rocio quando estavam diante de uma grande dificuldade e tiveram a graça atendida. Um exemplo disso são maquetes de casas entregues por pessoas que alcançaram o sonho da casa própria. Outra pequena maquete feita de palito de sorvete testemunha a fé de uma senhora que perdeu a casa após um incêndio e conseguiu reconstruí-la em menos de dois meses.

Pessoas que conseguiram reconstruir suas casas doam maquetes para a Casa da Memória

PESCA MILAGROSA DE TAINHA

Em outra mesa, uma tainha empalhada simboliza uma pesca milagrosa ocorrida em 2004. “Alguns pescadores da Ilha do Mel vinham enfrentando no mês de junho uma série de dificuldades na pesca, a tainha estava escassa naquele ano, e pediram que Nossa Senhora do Rocio intercedesse por eles. Para a surpresa dos pescadores, a imagem da santa chegou à Ilha do Mel junto com oito toneladas do pescado. Em homenagem, mandaram empalhar uma tainha e dar de presente ao Santuário”, contou Nilande.

Tainha empalhada é forma de agradecimento à pesca milagrosa ocorrida em 2004

MILAGRE EM ALTO-MAR

Outro objeto em destaque é uma camiseta com a estampa de Nossa Senhora do Rocio bastante suja e rasgada, em que a imagem permaneceu intacta. “Durante uma tempestade, o barco do pescador Raimundo Gonçalves, em 2012, parou e ele não sabia o motivo. Ele ficou à deriva e, depois que passou a tempestade, ele foi ver por que o barco tinha parado e viu a camiseta enroscada com a imagem da santa intacta no meio do motor. Ele chegou ao Santuário chorando e entregou a camiseta da forma como tinha encontrado”, relatou a voluntária Beatriz Natel.

Camiseta da padroeira do Paraná foi entregue por um pescador após enfrentar uma tempestade em alto-mar

Em um armário de madeira estão antigos cálices, outros paramentos religiosos, palas, um registro fotográfico da visita do presidente João Figueiredo em 1979, o relógio do primeiro bispo de Paranaguá, além de fotos da Procissão Marítima.
 


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