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Nova gestão da APPA se prepara para receber 80 milhões de toneladas até 2030

16 de março de 2019

No aniversário de 84 anos do Porto de Paranaguá, o novo diretor-presidente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA), Luiz Fernando Garcia da Silva, concedeu entrevista exclusiva para a Folha do Litoral News, em que revelou a expectativa de chegar a 80 milhões de toneladas até 2030. O diretor-presidente contou como a gestão deve se preparar para receber esta ampliação.

Com o compromisso de impulsionar ainda mais o Porto de Paranaguá, Luiz Fernando discursou sobre a dragagem para aprofundamento do calado; a ampliação do modal ferroviário, o qual julga importante para a relação porto-cidade; a articulação das entidades de classe como G7, Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná) e Fecomércio (Federação do Comércio do Estado do Paraná); e sobre a expectativa de ampliação dos Portos do Paraná. Confira:

 

Folha do Litoral News: Sobre a dragagem, qual a expectativa de aumento de profundidade do calado do porto e o que está sendo feito na manutenção de dragagem de aprofundamento?

Luiz Fernando: Tivemos um contrato executado pela Secretaria Nacional de Portos, de quase R$ 400 milhões, talvez o maior do Brasil relacionado à dragagem e ele terminou no último trimestre do ano passado e agora falta a homologação da Marinha. Tivemos o protocolo de duas áreas já da Marinha e a expectativa é que todas as áreas estejam protocoladas em amparo à homologação ainda neste mês. Quanto à questão da manutenção, temos uma licitação pronta, que a gestão anterior deu andamento, no valor de mais de R$ 400 milhões, de manutenção continuada para os próximos cinco anos, decorrentes já deste aumento de profundidade. Por uma questão natural, de mudança de gestão, o contrato já foi assinado, não se coloca em dúvida o processo licitatório ou do contrato em si, mas é natural que um contrato deste vulto, assinado e comprometendo cinco anos de recurso da Administração, a gente tenha por obrigação fazer uma verificação para um entendimento melhor. Foi instaurada uma comissão para que a gente dê ou não sequência a este contrato. Esta comissão técnica envolve a área jurídica, de engenharia, financeira, para que nos dê um veredicto sobre isso.

 

Folha do Litoral News: Como o senhor observa a articulação das entidades de classe como G7, Fiep e Fecomércio com relação ao apoio logístico para o desenvolvimento dos portos paranaenses?

Luiz Fernando: É muito interessante, a gente olha no Paraná uma condição sui generis, são todas as federações que acabam chegando ao porto, direta ou indiretamente, e que trabalham em prol de um único caminho. Nós temos aqui a ferrovia que o G7 e, principalmente, a Fiep brigam muito, essas entidades trabalhando de forma uníssona junto com o porto nos dão um respaldo muito maior. Inclusive ajuda no planejamento, pois não adianta termos alguma ideia espetacular e, de repente, o comércio, a indústria e a agropecuária apontam que vão para outro lado. A nossa ideia é fazer um planejamento integrado e esse grupo tem essa função de nos orientar para os próximos anos.

 

Folha do Litoral News: Sobre a questão das outorgas, qual a visão do senhor sobre o retorno da concessão para a administração portuária e como isso irá beneficiar a questão da celeridade no porto?

Luiz Fernando: Nós somos o primeiro e, até agora, o único porto a pedir a delegação de competências mediante a portaria 574 e isso é muito importante. A lei 12.815 nivelou por baixo, ou seja, tirou todo o poder da autoridade portuária por entender que havia uma má gestão de forma generalizada em todas as autoridades, essa portaria busca restabelecer, dá a oportunidade de fazer um alinhamento por cima, e Paranaguá mostrou que tem condição, nós atendemos com quase nota máxima todos os itens da portaria, os objetivos. Quando estivermos com a possibilidade de gerir esse processo de arrendamento, de renovação contratual e fiscalização, ficará mais fácil. Não que a equipe do Governo Federal seja incompetente, mas eu estava lá e via como era. Paranaguá está disputando com Santos, Itajaí, com Santarém e, de repente, Paranaguá está tão bem organizada que um atraso aqui não impactará no nacional porque os portos do Pará e do Ceará estão realmente pegando fogo, então temos uma gestão, pela limitação de pessoal, um pouco mais difícil. E a hora que trazemos esses processos para cá, somos nós cuidando da nossa vida, mas integrados com o Governo Federal. Os passos seguidos serão os mesmos, tem que se submeter à audiência pública, nova licitação, passar pelo TCU e fazer uma licitação, quem sabe, na Bolsa de Valores de São Paulo, mas teremos a gestão desse processo. Os tempos serão nossos e, sem dúvida, o Paraná ganha com isso, assim como todos os usuários que utilizam o porto.

 

Folha do Litoral News: Qual a expectativa para a ampliação do Porto de Paranaguá nos próximos anos?

Luiz Fernando: São 80 milhões de toneladas chegando nos próximos 20 anos e a gente não pode esperar chegar para ter algum tipo de ação. Essa questão das novas licitações, com novas áreas, nós temos hoje cinco áreas, que chamamos de brownfields, ou seja, áreas ocupadas que estão de alguma forma com o contrato precário, que nós pretendemos colocar em licitação ainda nesse ano, quer seja com a delegação de competência, quer seja com parceria do Governo Federal. Vamos fazer essas cinco novas licitações, além de duas que devem sair neste mês, a de veículos e a de carga geral e celulose, que em algum momento do ano passado foi lançado e foram desertas. A ideia é ter essas sete licitações publicadas ainda neste ano, já estimulando, vendo os investimentos privados na infraestrutura. Temos que olhar a capacidade de recebimento, de armazenagem, que são essas licitações, e de expedição. Estamos vendo os novos berços de atracação, os píeres em L, F e T. Fizemos uma audiência pública, buscando o licenciamento, a ideia é que em algum momento a gente consiga vincular esses investimentos aos novos arrendamentos, ou executarmos direto, isso é o tempo que vai nos dizer. Mas, todos esses investimentos em berços, em capacidade de armazenagem e a chegada que é a questão rodoviária, na melhoria dos acessos na ferroviária, formam a matriz que será atacada nessa gestão.

 

Folha do Litoral News: Como percebe a questão da vocação de Pontal do Paraná para criação de um porto, aumentando a cadeia logística portuária do Paraná?

Luiz Fernando: Os portos privados vieram com a ideia de complementar essa operação portuária que se daria até 2013, sendo 90% nos portos públicos, e isso é muito bom. Ele complementa nosso nível de serviço, passamos a falar do complexo portuário do Paraná. Esse porto trará uma concorrência ao terminal de contêineres, mas uma concorrência sadia. A demanda que se estuda para os próximos anos é muito além do que o terminal de contêineres nosso tem, mesmo com a expansão. A questão do porto de Pontal eu vejo como uma complementação, nós continuaremos tendo muita carga em Paranaguá, teremos condições de atender também muita carga no Porto de Pontal, tudo se complementará para que os Portos do Paraná sejam competitivos e com um nível de atendimento muito bom para o cliente. Ou seja, um custo baixo e uma operação adequada.

Foto:Claudio Neves/APPA

 

Folha do Litoral News: O que a APPA pretende fazer de novo na questão da gestão pública dos Portos do Paraná e como isso irá melhorar a nossa competitividade?

Luiz Fernando: De novidade trago a estruturação interna. O governador Ratinho, junto com a controladoria geral do Estado já se posicionou quanto à questão do “compliance” e nós não seríamos diferente. Teremos uma estrutura muito boa de “compliance”, estamos no final dos ajustes para criar essa estrutura, seguindo a diretriz do governador, porque toda grande empresa hoje tem. Teremos maior transparência em todas as ações, isso não significa que antes tínhamos uma situação caótica, é a busca pelo melhoramento e aperfeiçoamento da situação burocrática, com transparência, critérios a serem seguidos e normativas, para que a gente tenha uma tranquilidade na questão burocrática e, a partir disso, desenvolver todos esses projetos. Estamos em uma primeira fase de estruturar os projetos executivos, quer seja sobre a Avenida Ayrton Senna, de remodelação do corredor. As gestões anteriores contrataram quatro novos shiploaders de duas mil toneladas. Os terminais estão investindo e chegando na linha do corredor de exportação com duas mil toneladas de produção por hora e, nós temos um corredor de exportação com uma capacidade de mil toneladas por hora e se olha um gargalo. Além de ser um equipamento muito útil, é a vida, o coração, sem isso não temos produção, mas é um equipamento antigo, sem as melhores técnicas tecnológicas, operacionais e para o meio ambiente. Existe um grande projeto que a gente pretende lançar para que se contrate um projeto executivo, nessa remodelação do corredor de exportação e, assim, a gente se adéqua às condições ambientais com uma maior e melhor produção no giro desses berços.

 

Folha do Litoral News: Deixo espaço aberto para uma mensagem à comunidade portuária e cadeia logística paranaense para o ano de 2019.

Luiz Fernando: Tenho a felicidade de estar à frente dessa administração. Serão 84 anos do porto e a expectativa é que venhamos, conforme o governador Ratinho Júnior determinou, para contribuir. O porto é um parceiro de todos os agentes privados atuantes aqui e tem por intenção chegar a arrendar uma área ou operar diretamente conosco. A partir de hoje, que fique claro a toda a comunidade que o porto é um parceiro e a gente buscará todas as ações possíveis para que o custo seja menor e Paranaguá seja atrativa aos operadores de carga.

 

Confira a entrevista na íntegra

 

 

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