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Análise inicial do IML confirma que mãe asfixiou bebê

31 de agosto de 2018

O Nucria de Paranaguá aguarda o resultado de mais exames para concluir o caso

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Uma mulher, de 19 anos, foi presa em flagrante em Paranaguá, na noite de 9 de agosto deste ano, após a suspeita de asfixiar o seu filho de quatro meses, que veio a óbito. Desde então, o caso é investigado pelo Nucria (Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes) no município e também pelo Instituto Médico Legal (IML), que realiza os exames para constatar o que de fato causou a morte da criança.

A análise inicial já foi concluída e reforça a tese de que a mãe asfixiou o bebê, cobrindo a boca da criança com as mãos na tentativa de fazer com que parasse de chorar. Após o fato, a mãe passou a ser investigada também pela morte de outros dois filhos, um no ano passado e outro há, aproximadamente, quatro anos.

A delegada do Nucria, Maria Nysa Moreira Nanni, explicou que o laudo necroscópico já foi finalizado, mas ainda faltam outros exames complementares 

A delegada do Nucria, Maria Nysa Moreira Nanni, explicou que o laudo necroscópico já foi finalizado, mas ainda faltam outros exames complementares. “Os laudos que foram solicitados são feitos em Curitiba e são exames laboratoriais. O necroscópico já foi feito pelo IML e o perito está aguardando os resultados dos outros laudos para saber se havia algum outro tipo de doença pré-existente, síndrome ou infecção, por exemplo, que tenha colaborado para a morte da criança. Por isso que o laudo necroscópico só é concluído com base nos outros laudos”, contou a delegada.

A análise inicial do IML, somente com o laudo apresentado até o momento, mostra o que já era esperado pelas autoridades policiais.

“A conclusão que temos é aquilo que já estava evidente no hospital, que houve uma asfixia. Aliás, a criança chegou bem roxinha para fazer os exames. A asfixia que a gente percebe ao olhar é mecânica, mas como havia dúvida de haver alguma outra causa foram feitos os outros exames, para fazer uma pesquisa bem profunda sobre o ocorrido”, salientou a delegada.

Segundo o Nucria, a mãe não confessou o crime em si, mas descreve os atos que foram praticados contra a criança. “Ela não confessa como sendo crime, apenas que colocou a mão na boca do bebê para que ele parasse de chorar e, quando ele parou, ela tirou a mão. Ela descreve os atos, mas não considera aquilo grave”, contou a delegada.

Uma análise também ajudará a entender o comportamento da mulher, já que são crimes incomuns. “São casos muito raros esses em que a mãe é predadora dos próprios filhos, por isso é preciso fazer uma abordagem mais profunda para termos literatura jurídica e psiquiátrica com relação a isso”, esclareceu Maria Nysa.

DOIS PROCESSOS

Outro inquérito policial foi aberto para investigar a morte de outros dois filhos da mulher. “O caso anterior já estava sendo analisado pelo Nucria. A mãe relatou que o bebê havia caído da cama, a questão é que a criança não tinha nenhum tipo de lesão, pelo contrário, dava para perceber que estava bem cuidada. O que provocou a morte desse bebê anterior foi que ele não conseguiu respirar porque estava com leite na traqueia. O primeiro caso nem chegou ao nosso conhecimento, somente agora com o terceiro caso”, explicou a delegada.

Desta forma, dois processos estão em andamento para concluir os inquéritos policiais.

“Houve a prisão em flagrante e também a manutenção da prisão. Temos dois processos, um do flagrante e o outro das duas mortes, foi desmembrado porque não podemos fazer os dois juntos. Mas, o mesmo material com o resultado dos exames será usado para análise nos dois processos”, relatou a delegada.

COMO DENUNCIAR MAUS-TRATOS A CRIANÇAS?

As denúncias de casos de maus-tratos e negligência a crianças e adolescentes podem ser feitas aos Conselhos Tutelares, às Polícias Civil e Militar e ao Ministério Público, podendo ser noticiadas também aos serviços de disque-denúncia (Disque 100, nacional; Disque 181, estadual; e Disque 156, municipal).


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