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Um “tour” pelas igrejas históricas da Cidade Mãe do Paraná

28 de julho de 2018

A religião sempre exerceu um forte papel sobre a comunidade de Paranaguá. A cidade possui quatro igrejas centenárias que fazem parte da história do Estado.

CATEDRAL
a mais antiga igreja do Paraná

Quando o pequeno vilarejo, 85 anos após a descoberta do Brasil se transferiu da Ilha da Cotinga para o continente, ganhou seu primeiro templo religioso, a igreja de Nossa Senhora do Rosário, hoje a mais antiga do Paraná. 

A igreja de Nossa Senhora do Rosário, data de 1585, e não demorou por ser conhecida como Matriz, por ser o principal templo da região. Ao longo dos anos, sofreu uma série de mudanças, duas delas muito importantes: em 1857, sob responsabilidade do Comendador Manuel Antonio Guimarães. Outra em 1946, marcando a substituição dos padres Josefinos pelos redentoristas. Com a criação da diocese de Paranaguá, a igreja foi elevada à Catedral. 

Durante quatro séculos, a igreja de Nossa Senhora do Rosário foi palco de memoráveis eventos alguns pouco conhecidos. Em 1665, foram celebradas na Catedral as exéquias do Rei Dom João IV de Portugal e da Rainha dona Maria I. Em 1816, foi celebrado o solene Te Deum pela ascensão ao trono de Dom João V, e pelo nascimento de Dom João VI. Em 1822, o clero, a nobreza e o povo de Paranaguá escolheram a igreja como local para realização do ato de aclamação de Dom Pedro I como primeiro imperador do País. 


SÃO BENEDITO
A igreja construída pelos escravos

Por volta de 1677, Manoel de Lemos Conde, com ajuda de fiéis, ergueu a Ermida de Nossa Senhora das Mercês, na Ilha do Cotinga. Em 1699, o filho de Conde, Antonio Morato, obteve autorização do bispado do Rio de Janeiro para demolir a Ermida da Cotinga. Com o mesmo material, reconstruíram na antiga Gamboa, hoje a Rua Conselheiro Sinimbu, onde atualmente se encontra a igreja de São Benedito. As obras do atual prédio são datadas de 1783 e 1784, sendo concluídas em 1793, passando a ser frequentada por aqueles que ajudaram em sua construção: a irmandade dos negros escravos, já que eram proibidos de frenquentar os demais templos.

Trata-se de uma das melhores e mais autênticas edificações do estilo colonial brasileiro em solo paranaense. Tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico do Paraná em 1962 e pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1967. Possui em seu interior, magnífico acervo sacro que também foi tombado.  


IGREJA DA ORDEM
Terceira de São Francisco das Chagas

Após dezoito anos da expulsão dos padres Jesuítas, por decisão do Marquês de Pombal, os religiosos desempenhavam um importante papel na vida de Paranaguá. Em 1741, ganhava a Igreja de São Francisco. A torre foi construída em 1841 e inaugurada em 1842 juntamente com o sino. Naquele tempo, o terreno da igreja ia até as margens do Rio Itiberê, que na época se chamava Taguaré. A igreja tinha fortes ligações com o Império brasileiro, sendo mantida por uma irmandade composta por membros da sociedade. Com a Proclamação da República, em 1889, a confraria que mantinha a igreja terminou. De acordo com relato do professor Manoel Viana, “a igreja da Ordem, que vivia em função da riqueza de seus membros entrou em abandono”. A igreja foi atingida por um incêndio em 1961 e quase foi demolida.


Após passar por reformas,  foi tombada como patrimônio histórico nacional em 1967. Sua arquitetura carrega o estilo barroco e havia deixado de abrigar atividades religiosas. Em 1958, voltou oficialmente a pertencer à Mitra Diocesana e a celebrar cultos. 


IGREJA DE NOSSA SENHORA DO ROCIO
Primeiro templo foi construído em 1813 e o Santuário data de 1920

A igreja do Rocio está fortemente ligada aos milagres e manifestações de fé. A devoção a Nossa Senhora do Rocio teve início no século XVII, logo após a elevação do pelourinho em Paranaguá, em 1648. 
Em 1686, os habitantes da cidade foram assolados por uma peste e a população recorreu a Nossa Senhora para que livrasse o povo da doença. Desde aí, Nossa Senhora do Rocio vem sendo o socorro das aflições dos devotos cristãos paranaenses. 
Rocio era o perímetro das Vilas, onde terminava a povoação, o arruamento, e começava a se condensar orvalho matutino. Rocio quer dizer orvalho, em português arcaico. Nossa Senhora do Rocio é Nossa Senhora do Orvalho Matutino, Nossa Senhora do Amanhecer. A imagem da Virgem do Rocio foi encontrada numa pesca, nas redes do Pai Berê, no século XVII, na baía de Paranaguá. A primeira igreja foi edificada em 1813 e o Santuário em 1920.


Devido aos muitos milagres e graças alcançadas por intercessão, a devoção se espalhou entre o povo do Paraná e de diversos lugares as multidões faziam romarias ao Santuário da Virgem do Rocio. Assim, em 1977 o Papa Paulo VI declarou Nossa Senhora do Rocio como a Padroeira do Paraná.

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