Logotipo

Personalidades ilustres dão nome às ruas de Paranaguá

28 de julho de 2018

Elas fazem parte do dia a dia dos parnanguaras e dizem muito mais do que muita gente pensa. O nome dado às ruas é uma homenagem a personalidades que ajudaram a construir a história e a cultura de uma cidade, Estado ou País. Em Paranaguá, isso não é diferente.
Ainda mais por ser uma cidade histórica, traz consigo uma infinidade de lembranças e personagens ilustres, mas ainda desconhecidos por muitos dos seus moradores.

 

BENTO MUNHOZ DA ROCHA NETO

Esse nome é bastante familiar para quem reside em Paranaguá, mas esse personagem teve uma abrangência maior em todo o Estado em virtude dos cargos políticos que ocupou. Bento Munhoz da Rocha Neto foi engenheiro, professor, escritor, sociólogo e político, nesta última função atuou como deputado federal, governador e ministro da agricultura. Entre seus maiores feitos no Estado, foi responsável pela construção do Centro Cívico em Curitiba, da Biblioteca Pública do Paraná e do Teatro Guaíra. 

A via hoje agrupa muitos estabelecimentos comerciais e é trajeto para ciclistas devido à ciclovia bastante utilizada na avenida, além de ser trajeto principal de quem reside nos bairros daquela região, já que ela corta diversos deles.

 

RUA NESTOR VITOR

Nestor Vitor atuou na imprensa, na política e como professor

 

Nestor Vitor dos Santos nasceu em 1868 e aos 15 anos se mudou para Curitiba para ingressar no Instituto Paranaense. Entre seus feitos está o de se lançar na política atuando pela libertação dos escravos. Em 1887, já em Paranaguá, fez parte da fundação do Clube Republicano. O nome que se perpetuou no dia a dia dos parnanguaras como uma das principais ruas da cidade, também atuou na imprensa como chefe do jornal “Diário do Paraná” e chegou a integrar a Academia Paranaense de Letras.

Nestor Vitor também foi professor, lecionando Português, Francês e História do Brasil. Além disso, exerceu inúmeros outros cargos e funções já descritos pela literatura. Em 1968, em comemoração ao centenário de seu aniversário, foi inaugurado um busto em sua homenagem na rua que leva seu nome. A Procuradoria da República em Paranaguá e a Mesquita são alguns dos prédios importantes que estão localizados na Nestor Vitor nos dias de hoje.

 

AVENIDA GABRIEL DE LARA

João Fernando reside há cerca de 45 anos na Avenida Gabriel de Lara

 

Este personagem chegou em Paranaguá em 1640 com a responsabilidade de povoar a região e defender a povoação. Entre suas ações está a implantação do pelourinho e a obtenção da Carta Régia, que possibilitou que a cidade passasse da categoria de povoado para Vila.

Gabriel de Lara também esteve à frente das primeiras eleições no Paraná, em 1648. Seu falecimento deu-se em 1682, sendo sepultado nos térreos da igreja de Nossa Senhora do Santíssimo Rosário, padroeira da ainda Vila. A rua que leva o nome do ilustre personagem atualmente também abriga prédios importantes como o Fórum de Justiça de Paranaguá, a Secretaria Municipal de Saúde e a 1.ª Regional de Saúde.

 

RUA JÚLIA DA COSTA

A poetisa Júlia da Costa nasceu em Paranaguá onde viveu até os 24 anos, quando se casou e mudou para São Francisco. Lá, teve que enfrentar as limitações das mulheres da época. Seu refúgio era cantar as conhecidas na época como “madrigais”, composições poéticas para serem musicadas.

Júlia da Costa fez história ao ser a primeira mulher paranaense a publicar um livro (Flores Dispersas, de 1867). Ela atuou também em outras esferas como campanhas políticas, escrevia para jornais, compôs diversas poesias, crônicas e, desta forma, se tornou uma mulher importante para a sociedade.

Durante sua trajetória, apreciava o poeta parnanguara Fernando Amaro e era colega de Iria Corrêa, pintora, que dá nome a outro ponto de Paranaguá, o “Largo Iria Corrêa”, aos fundos da catedral Nossa Senhora do Rosário. 

Região da Rua Júlia da Costa

 

MEMÓRIAS

O morador João Fernando Corio Di Buriasco reside há cerca de 45 anos na Avenida Gabriel de Lara. Ele conta que quando chegou na casa onde vive, a região era praticamente só residencial, mas já continha um prédio dedicado à área da saúde. “Onde hoje é a Secretaria Municipal de Saúde, era a Legião Brasileira de Assistência, um hospital federal onde nasceram meus filhos Fernanda e Fábio. Era um lugar muito bem equipado, com bons médicos e, com as mudanças de governo, ele deixou de existir”, relatou Fernando, destacando uma de suas memórias da rua.


Nos dias de hoje, o que se pode perceber é que a Avenida Gabriel de Lara se tornou uma espécie de referência para os serviços de saúde. “Hoje, a rua se caracterizou pela assistência na área de medicina com muitas clínicas, deixou de ser muito residencial e assumiu essa característica”, analisou Fernando.

Segundo o morador, no início, a avenida levava outro nome. “O primeiro nome dessa via foi Rua Nova, quando foi aberta, possivelmente pelo prefeito Roque Vernalha. Depois ela foi pavimentada e colocaram o nome de Gabriel de Lara”, contou Fernando.

A casa de Fernando está localizada onde antes era conhecida como a Vila do Ipase (Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Estado), órgãos criado em 1938. “A casa que eu moro fazia parte da Vila do Ipase, foi comprada pelo meu sogro em 1952. Várias casas já foram demolidas, inclusive a travessa bem ao lado era chamada de travessa do Ipase. A Gabriel de Lara é uma avenida longa que inicia no centro histórico e vai até o Rocio, corta os bairros de Leblon, Alto São Sebastião, Tuiuti e termina no Rocio”, acrescentou.

 “As ruas deveriam ser nomeadas em homenagem aos seus políticos que influenciaram na história. É importante para que esse público mais jovem possa conhecer mais sobre sua cidade”, acredita Fernando.

Compartilhe