Logotipo

Paranaguá, terra de mestres de fandango

28 de julho de 2018

Tradição caiçara é patrimônio cultural brasileiro 


O fandango é uma manifestação cultural que está presente na vida dos parnanguaras. A dança faz parte da tradição caiçara que desde 2012 passou a ser patrimônio brasileiro. 
Desde que o fandango foi tombado como patrimônio cultural brasileiro, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a dança passou a ser mais valorizada e respeitada. 

 

HISTÓRIA E RESGATE

O fandango surgiu em Portugal no século XVI e em 1750 já era manifestada no litoral da região Sul, mas foi no Paraná que a dança ganhou a característica atual, ou seja, para cada marca (dança) um sapateado. 
De acordo com mestres locais, como o Zeca da Rabeca, o fandango conseguiu sobreviver a um período difícil, nos anos de 1970 e 1980, quando os jovens perderam o interesse em aprender a dança por causa dos costumes modernos que mudaram muito o modo de vida da população, momento em que  a manifestação artística quase foi extinta, mas em 1993 ressurgiu com força. 

Naquele ano, foi criado o Grupo Folclórico Mestre Romão de Paranaguá, que fez sua primeira apresentação em 1994. O grupo era formado por 12 casais de jovens parnanguaras que se dedicaram a aprender a dança e, posteriormente, passaram a ensinar as crianças nas escolas municiais (de 1999 a 2003). 

 

BAILES QUINZENAIS 

Hoje o fandango é uma realidade e Paranaguá ostenta a fama de ser o berço da tradição. Quatro grupos estão em atividade na cidade e participam dos bailes de fandango que são promovidos pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo no Mercado do Café. 
Os bailes são animados pelos grupos: Mestre Romão, Mestre Brasílio, Mandicuera e Pés de Ouro. As apresentações lotam o mercado a cada 15 dias, sempre aos sábados das 22h às 3h. 

Grupo Mandicuera mantém viva a cultura popular do fandango

 

“Nós temos pessoas de todas as idades que participam juntas. Além de meus netos, outros jovens têm interesse em entrar no grupo porque hoje existe mais respeito pelo fandango. Temos a certeza de que vamos ter grupos para muito mais tempo ainda”, contou mestre Nemésio. 

 

MESTRE ZECA

José Martins Filho, mais conhecido como Zeca da Rabeca, nasceu em Guaraqueçaba, em 1951. Veio morar na Ilha dos Valadares em 1963 juntamente com a família, e foi naquele tempo que se envolveu com o fandango.

Mestres Zeca e Brasílio reforçam a cultura caiçara nos bailes de fandango

 

“Quando cheguei aqui no Valadares vi que havia muitos violeiros, muito mais que hoje. Parecia que todos os homens tocavam viola e dançavam fandango. As pessoas trabalhavam para se divertir no fim de semana, e assim em forma de mutirão os bailes aconteciam. Todo mundo participava. E desde cedo aprendi a dançar fandango. Meu pai era carpinteiro naval e fazia de tudo que fosse de madeira, e com ele aprendi a fazer a rabeca”, contou mestre Zeca da Rabeca. 

 

Mestre Romão é um dos fandangueiros mais antigos em atividade

Grupo Pés de Ouro - Mestre Nemésio repassa a tradição para as novas gerações

 

MESTRE EUGÊNIO 

A casa do fandango que existe na Ilha dos Valadares leva o nome do Mestre Eugênio, um dos responsáveis pela tradição da cultura caiçara no litoral. Eugênio dos Santos nasceu no Rio do Cerco em Guaraqueçaba em 1926, mas teve que deixar sua terra natal para vir morar em Paranaguá.     

Em Paranaguá ele foi um dos fundadores do bairro Sete de Setembro, denominação que ele mesmo escolheu. “Foi ideia minha”, dizia com orgulho. Em 2003, viajou por várias cidades brasileiras apresentando o espetáculo “Mestre Eugênio e tocadores de Paranaguá”, através do Projeto Sonora Brasil, realizado pelo Departamento Nacional do Sesc.  

 

Em 2006, recebeu a Comenda da Ordem do Mérito Cultural e, em 2008, recebeu do Ministério da Cultura o Prêmio Culturas Populares “Mestre Humberto Maracanã”. Faleceu em 4 de setembro de 2011 deixando um grande legado. 

 

 

Fotos: Divulgação e colaboração Prefeitura de Paranaguá

Compartilhe