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Ilha dos Valadares: Uma cidade dentro de Paranaguá

28 de julho de 2018

Moradores buscam manter vivas as raízes e a identidade caiçara

Às margens do Rio Itiberê e a pouco mais de 400 metros do Centro Histórico de Paranaguá, a Ilha dos Valadares atrai seus moradores pela simplicidade, beleza e encantos. Terra de fandango, única dança típica litorânea, de pescadores, mas também de muitos que, a partir da década de 1980, escolheram o local para residir em razão de sua proximidade com o continente, hoje sendo considerado o maior bairro de Paranaguá.

A ilha tem aproximadamente três quilômetros de extensão por 600 metros de largura e, segundo estimativas, possui aproximadamente 25 mil moradores. Mas, de acordo com os residentes no local, essa realidade nem sempre foi assim. Segundo relatos de moradores antigos, a Ilha dos Valadares era dividida somente em três bairros: Itiberê, Vila Bela e Sete de Setembro.

Atualmente, a Ilha possui maiores aglomerações também na Vila Nova, Vila Canarinho, Vila do Rocio, Viveiro, Mangue Seco e Beco do Óleo. O acesso à Ilha pode ser feito por uma passarela que liga a Ilha ao Centro Histórico, ou por meio de barcos pelo Rio Itiberê.

Na foto, o artista plástico Emir Roth no início da década de 70 realizando uma pintura da Rua da Praia vista da Ilha dos Valadares (Foto: Arquivo Fujita)

 

O professor aposentado Evaldo Maia, de 69 anos, nascido e criado no local, destaca que houve uma grande transformação no local. “Na minha infância não havia calçamento. Era tudo areia. Jogávamos bola literalmente na rua, no areal. E a ilha passou por uma grande transformação dos últimos 40 anos para cá, foi espetacular. Sabemos que muito tem por se fazer, mas os moradores novos que chegaram ontem precisam conhecer que muito já foi feito e realizado aqui na Ilha, pois vemos pessoas reclamarem, mas não sabem realmente como as coisas eram difíceis”, comenta Maia, lembrando que energia elétrica e água encanada são benefícios que os moradores receberam dos anos 70 para cá. 

 

 

 

“Não tínhamos água nem luz, a travessia era realizada por pequenos barcos ou pelas bateras. A luz quando chegou parou no antigo Chega Mais, e foi um trabalho realizado por moradores nativos do Itiberê através de lideranças locais, que conseguimos junto ao saudoso Antonio José Santana Lobo, que esteve aqui e levou as reivindicações ao então prefeito, na época o interventor, aí se estendeu a luz na ilha. Mais tarde na inauguração da passarela, foi dado o seu nome em homenagem. A partir da inauguração da passarela, houve um enorme crescimento de todas as regiões na ilha, sendo considerada o bairro mais central de Paranaguá. A Ilha dos Valadares é uma cidade dentro de outra cidade”, completa Maia, que foi um dos fundadores da Associação de Moradores da Ilha dos Valadares e da Associação de Moradores do Bairro do Itiberê.

 

 

 

 

 

Nascido há 54 anos na ilha, Claudio Armando dos Santos destaca que era mais difícil morar na localidade antigamente. “A vida aqui era mais difícil, hoje temos uma facilidade grande, podemos dizer que temos quase tudo. Quando construí minha primeira casinha, logo que casei, tivemos que carregar tudo nas costas. Hoje, a Ilha cresceu, veio a luz elétrica, água, estas calçadas, não andamos mais naquele areal. Então o calçamento, através da fábrica de artefatos, a coleta de lixo, fizeram um diferencial, assim como a construção da passarela. Assim como trouxe coisas boas, também trouxe algumas ruins, mas graças a Deus ainda temos uma vida tranquila. Tudo o que foi realizado só veio agregar e beneficiar os moradores nativos. A ilha é um lugar muito bom de se viver, tem o fandango e futebol, tradições que todos tentam manter. Eu nem depois de morrer quero deixar a Ilha, pois quero ser enterrado aqui em nosso cemitério. Este amor que temos pelo Valadares é eterno”, revela Claudio.  

 

 


 

 

 

 

 

Morador no bairro Vila Nova, Roberto Honório relembra que é uma das pouco mais de duas mil pessoas que nasceram na Ilha na época das parteiras. “Sou nativo, nasci aqui onde moro até hoje. Vi todo este crescimento da Ilha de 3 a 4 mil habitantes para este boom para aproximadamente 30 mil pessoas. Com a construção da passarela ficou muito mais fácil morar na Ilha. Posso afirmar que moro em um paraíso, tenho vários tipos de frutas no quintal, tudo plantado e cuidado por mim. Ninguém se atreve a entrar no quintal de ninguém. Só quem vai me mudar daqui é Deus, e espero que possa aproveitar ainda muito esta maravilha que é o Valadares”, destacou Honório.      
 

 

 

Dos 399 municípios do  Paraná, segundo estimativa do IBGE, de agosto de 2016, por população, apenas 73 municípios paranaenses possuem população maior que 26 mil habitantes, por isso a utilização do termo uma cidade dentro de outra.  
Por meio desses relatos, é possível perceber que apesar da urbanização que tomou conta dos antigos sítios dos moradores do século passado, a ilha busca ainda manter vivas as raízes e a identidade caiçara.    

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