Logotipo

Casarões antigos são a história viva de Paranaguá

28 de julho de 2018

Arquitetura dos conjuntos históricos encanta turistas e moradores

Os edifícios históricos de Paranaguá estão presentes em diversos pontos da cidade. A Rua General Carneiro, no Centro Histórico, é ponto de maior concentração turística graças às paisagens formadas por seu conjunto de edifícios históricos, pelo Rio Itiberê, seus usos e por todo conhecimento que transmite do passado. 


No entanto, outras regiões da cidade também abrigam prédios relevantes que fizeram e fazem parte da história de Paranaguá. É o caso, por exemplo, da Anfândega, na Avenida Coronel José Lobo, e da igreja de Nossa Senhora do Rocio, edificações que carregam características específicas sobre a época em que foram construídas sendo pioneiros em seus bairros.

“Às vezes, um imóvel importante está longe do centro. A Rua General Carneiro é uma das primeiras que surgiram, juntamente com a Rua da Catedral. Por isso, concentram uma grande quantidade de edifícios históricos. Como não houve a ideia de preservação por um longo tempo, muitas casas e monumentos foram demolidos. Paranaguá poderia ser uma cidade muito mais completa, pois é a mais antiga do Estado, já que tudo começou por aqui”, explica o arquiteto especialista em restauração, Luiz Marcelo Bertoli de Mattos.


Em 1994, o arquiteto desenvolveu, por meio da prefeitura, o Programa de Revitalização do Setor Histórico de Paranaguá, que tem como objetivo estabelecer parâmetros, diretrizes e ações para orientar e desenvolver a recuperação do patrimônio histórico. Como, por exemplo, a criação de leis para estimular as restaurações como a que estabelece os descontos de IPTU de 100% para os imóveis restaurados totalmente e de 30% para imóveis que tiverem tratamento da fachada e publicidade ao ar livre de acordo com as normas e orientações dos órgãos do patrimônio histórico.

 

“É importante informar e orientar as pessoas para que conheçam as normas de uso e ocupação do setor histórico tombado e como cada imóvel pode ser tratado de acordo com sua antiguidade, para isto existe na Secretaria Municipal da Cultura e Turismo o setor de Patrimônio Histórico, localizado na Casa Cecy, na Rua XV de Novembro n.º 499”, acrescentou o arquiteto.


Segundo Luiz Marcelo, os prédios devem ser tratados como bônus e não ônus. “É uma raridade, uma joia que quem tem precisa valorizar, pois só chegou até nós graças a este reconhecimento. Se os proprietários tiverem essa noção, vão poder presentear as novas gerações com esses registros do passado que estão vivos e presentes em nosso cotidiano”, analisou o profissional.

 

Palácio Mathias Böhn teve fachada reformada no século XIX

A IMAGEM DO PASSADO

A maioria das edificações remanescentes é do século XIX e começo do século XX, algumas do século XVIII como o Colégio dos Jesuítas e as igrejas da Ordem, a Catedral e a de São Benedito. A Fontinha e a Fortaleza da Ilha do Mel datam do século XVII. Independente da época em que foram construídas, o profissional defende a ideia de que as edificações históricas sejam integradas ao cotidiano da cidade. “Não precisa ser só museu, tem que fazer parte da cidade como um todo”, disse Luiz Marcelo.

No começo do século XX, surgiram as casas com mais riqueza de detalhes, como o Palácio Mathias Böhn e o Clube Literário. “Chamamos de arquitetura eclética, que é a mais ornamentada. Diferentes da maioria das casas localizadas na Rua General Carneiro, da  Monsenhor Celso com sua arquitetura colonial ou luso-brasileira, mais simples, quase sem ornamentos”, comparou o profissional.

Segundo o arquiteto, os proprietários podem e devem realizar intervenções em prédios tombados pelo patrimônio histórico desde que haja a orientação e o cuidado em preservar suas principais características. “Só não podemos destruir ou abandonar o patrimônio. Não devemos descaracterizá-los, mas sim realçar estas imagens do passado com todos os seus detalhes”, ressaltou

 

O CASARIO E SUAS UTILIDADES

Os casarões no passado eram usados para moradia, comércio, empresas e armazéns em função do porto que se localizava na região da Rua da Praia. “Geralmente com dois pavimentos, a parte de baixo funcionava como comércio e a de cima como residência. Esse aspecto ainda se mantém, temos vários proprietários que moram na parte de cima e têm seu estabelecimento comercial na parte de baixo. O ideal é que o setor histórico tenha esse uso múltiplo para que a área esteja sempre viva”, opinou Luiz Marcelo.

rua da praia paranaguá

O que diferencia uma cidade como Paranaguá de outras e valoriza o potencial turístico, é justamente o patrimônio histórico. “Se a gente observar, nas cidades modernas tudo é muito parecido e o que diferencia as cidades históricas são seus aspectos peculiares, o que cada uma dessas edificações antigas tem, como livros de pedra que contam nossa história. E é isso que muitas pessoas que vão viajar procuram e que as próprias pessoas da cidade precisam e devem se orgulhar.

Conhecer, valorizar e proteger o patrimônio histórico é também um exercício de cidadania, pois se trata do registro vivo de nossa memória social e afetiva, nossa cultura, nossa identidade”, concluiu o arquiteto.

Foto Destaque: Claudio Neves

Compartilhe