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Bicicletas e parnanguaras: uma relação que perdura por décadas

28 de julho de 2018

Saiba por que Paranaguá é considerada a “cidade das bicicletas”

Estima-se que, no Brasil, existam mais de 60 milhões de bicicletas e metade delas é usada pela população para ir ao trabalho. Não importa a renda, o meio de transporte é considerado acessível a todos os públicos que têm disposição para utilizá-lo para ir ao trabalho e também de parte da população que considera a “bike” um meio de transporte mais econômico e sustentável. Além disso, ainda há a questão da prática de atividade física.

A Organização das Nações Unidas (ONU) elegeu a bicicleta como o transporte mais sustentável do planeta. Mas, apesar disso, muitos países não concedem a atenção necessária aos ciclistas. Em Paranaguá, as ciclovias e ciclofaixas estão presentes em vias de grande movimento, em especial, em horários de pico como entradas e saídas de escolas e nas proximidades da área portuária.

MAIS DE 27 MIL METROS DE CICLOFAIXAS

Este é um dos motivos de o município ser conhecido como a “Cidade das Bicicletas”. O último levantamento realizado pela Secretaria Municipal de Segurança, responsável pelo trânsito parnanguara, apontou que são cerca de 115 mil bicicletas em Paranaguá para a população de, aproximadamente, 150 mil moradores. Com o aumento no número de “bikes”, também surgiram mais ciclofaixas e ciclovias, que hoje já possuem, no total, 27.150 metros. 

Os espaços dedicados estão localizados nas avenidas Roque Vernalha, Bento Munhoz da Rocha Neto, Ayrton Senna, Bento Rocha e Belmiro Sebastião Marques; na Alameda Coronel Elísio Pereira e ruas Júlia da Costa e Manoel Corrêa.

 

 

AMOR ANTIGO

Paulo Grani é um entusiasta nos assuntos que envolvem a pesquisa das histórias e hábitos dos parnanguaras. Em 1960, sua família que morava em Curitiba se mudou para Paranaguá. Pedagogo e Andragogo, Paulo começou a se interessar pela parte histórica do município e no quanto as pessoas já gostavam de utilizar a bicicleta que, em uma cidade plana, é a alternativa mais viável entre a população há muito tempo.

“Desde criança me envolvi pela parte histórica da cidade. Sempre busquei ter mais informações de textos escritos e livros sobre a história”, destacou Grani. Hoje, ele se dedica a escrever textos que tratam de algumas características da cidade que mais lhe chamam a atenção. Um deles, sobre a utilização de bondinhos para o transporte em Paranaguá, teve muitas visualizações nas redes sociais, publicação na qual também reúne fotos de uma época jamais imaginada pelos parnanguaras mais jovens. Em 1960, quando chegou a Paranaguá com sua família, Paulo se lembra de já ter ficado espantado com a quantidade de ciclistas. “Era algo impressionante, quase não havia carros no começo da década de 1960, a população era pobre e as linhas de ônibus eram poucas, cerca de quatro, no máximo. Lembro que todo trabalhador que ia para o Porto de Paranaguá para as suas atividades sindicais tinha sua bicicleta. Naquela época, as bicicletarias se proliferaram muito rápido em Paranaguá”, acrescentou Grani.

 

 

Foto registra um dos passeios ciclísticos realizados na cidade na década de 1970 (Foto: Arquivo)

 

Uma das memórias que ele dividiu com a reportagem da Folha do Litoral News é com relação a uma certa competição que existia entre as “bikes” mais enfeitadas. “Uma coisa que tenho bastante lembrança é o fato de um vizinho estivador que tinha sua bicicleta toda cheia de penduricalhos. 

O que é impressionante é que hoje quando vamos comprar um carro, ficamos pensando nos complementos, e naquela época os complementos eram nas bicicletas, por isso elas tinham fitinhas no guidão, buzina, uma lanterna frontal que iluminava bem à noite, uma série de coisas. Cada um enfeitava cada vez mais suas bicicletas como se fosse uma competição entre eles, principalmente estes que trabalhavam na faixa do porto”, contou Grani.

Além disso, ele ainda relatou uma curiosidade que as pessoas comentavam na época.

“Havia uma farra muito grande e era comum ouvir falar que determinado estivador ou ensacador abria garrafas de cerveja para lavar suas bicicletas”, destacou.

Agora, Grani está preparando um material sobre os diversos nomes que Paranaguá já teve e pretende publicar em livro. Já foram 200 horas de pesquisa aplicadas para a produção do material que pode ajudar a entender mais sobre o passado de Paranaguá.

 

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