Logotipo

Tutores devem ter cuidado redobrado com cães e gatos durante inverno

11 de julho de 2019

Confira dicas importantes para garantir a saúde dos animais domésticos, sejam eles tradicionais ou exóticos, durante o inverno (Foto: Divulgação)

Compartilhe

Médica veterinária Juliana Queiróz explica importância do bem-estar animal

As temperaturas mais baixas, características do inverno, acentuaram-se desde a última semana em Paranaguá e no litoral, algo que deve prosseguir nos próximos dias na região. O tempo mais frio afeta a saúde dos animais domésticos, entre eles cães, gatos e pássaros, exigindo cuidado redobrado por parte dos tutores, que devem estar atentos ao conforto térmico e temperatura corporal dos pets, bem como ao cuidado com as doenças, hidratação, vacinação e passeio com os animais como forma de respeito ao bem-estar dos pets. 

De acordo com a médica veterinária Juliana Caroline Ávila Queiróz, o cuidado com as temperaturas mais baixas possui relação com o bem-estar animal, algo já previsto em Lei Federal. “Devemos entender que eles dependem 100% de nós, tutores, é preciso ter a empatia necessária para observar a situação do pet. Se nós sentimos frio no início e final do dia e durante a noite, devemos partir da premissa que eles também sentem, logo promover abrigo para proteção de vento e chuvas, bem como pallets ou estrado para eles deitarem longe do chão e frio”, afirma. Com relação aos animais em situação de abandono na rua, uma alternativa para os cachorros é colocar neles roupas de soft ou lã para garantir a temperatura corporal, algo que pode ser feito também em alguns gatos que aceitam roupa. 

Sobre as enfermidades que mais atingem pets no inverno, a médica veterinária ressalta que as doenças de trato aéreo superior e inferior são as mais encontradas. “Porém, em cidades com clima frio e úmido, como o caso de Paranaguá, devemos entender que as mais diversas doenças oportunistas podem ocorrer, considerando que a umidade aumenta a incidência de fungos em alimentos, fomites (pratos para comida e casinhas, caminhas, quintal), podendo ocorrer inclusive infecções gástricas, dermatites úmidas, dermatites bacterianas e dermatites fúngicas. 

Outro ponto importante é a hidratação, visto que o corpo dos animais é composto por cerca de 70% de água. “Os pets fazem troca de calor pela língua, focinho e coxins, sendo que a manutenção do calor é garantida pela volimia corporal, que é a presença de líquido intracorpóreo, entre eles, por exemplo: sangue, água e fluídos. Ou seja, quanto mais hidratado, mais garantida estará a circulação de sangue. Naturalmente para termos regulação do calor ocorre o aumento da pressão arterial, frequência cardíaca e respiratória. Já para manutenção do calor corporal ocorre a diminuição de frequência cardíaca e respiratória, sendo que por este motivo o cachorro e o gato ficam mais sonolentos e quietos. Isto é feito pelo organismo para preservar a pouca energia que é produzida e para manter a temperatura corporal”, explica, ressaltando que a temperatura corporal ideal para os pets é entre 36ºC e 38ºC. 

Segundo ela, em casos de animais que possuem uma hidratação alta e adequada, é perceptível que é mais fácil manter uma temperatura adequada. “A hipovolemia, que é a desidratação, ocasionada em animais sem acesso a líquido e dieta hídrica, causa comprometimento de função renal e gera uma temperatura corporal baixa por volta dos 34ºC”, explica a veterinária. 

ANIMAIS EXÓTICOS

Para quem tem animais exóticos de forma autorizada pela Lei, Juliana Queiróz afirma que é necessário os tutores compreenderem aspectos biológicos de cada um deles. “Minha preocupação em especial é com os dois mais comuns de encontrarmos nas casas, entre eles os cágados, as tartarugas tigres d’água, eles não conseguem manter sua temperatura adequada em dias mais frios, tendo necessidade de hibernar para não ficar doentes. Então, é importante que a pessoa que tem este animal só dentro da água, em bacias, sem aquaterrário apropriado, que estimule e facilite para que este pet possa hibernar, colocando em uma caixinha, em um ambiente escuro, deixando descansar, a hora que a caixa fizer barulho, que retire o pet e o coloque em seu ambiente”, explica Juliana.

A médica veterinária destaca que é importante os tutores de peixes que deixem os aquários na temperatura adequada. “Se houver necessidade nesses dias mais frios, é importante ligar o aquecedor”, detalha. Ela ressalta que quem tiver pássaros deve ficar atento à gaiola. 

Médica veterinária Juliana Caroline Ávila Queiróz destaca que o cuidado com as temperaturas mais baixas possui relação com o bem-estar animal, algo previsto em Lei (Foto: Divulgação)

ROUPAS PARA PETS E BANHOS

Segundo Juliana, com relação às roupas nos cães e gatos, ela destaca que é algo bastante utilizado por tutores em Paranaguá, durante o inverno. “Entretanto, como já foi explicado, eles não fazem troca de temperatura pela superfície corporal como nós. Então a roupa atua como aliado, um auxiliar, por criar um entremeio entre a roupa, o pelo e a pele, e este entremeio é constituído de ar que atua como isolante térmico. A abrasão de frio, da baixa temperatura, na superfície da pele, acaba se tornando menor. Nesse sentido, é importante usar a roupa”, explica. “É importante frisar que alguns cães não se dão bem com cobertas e acabam as destruindo. Então, é preferível o uso de uma roupa a usar uma coberta na casinha que ele vai acabar rasgando e ingerindo, podendo gerar um processo no intestino”, explica. 

Sobre os banhos em cães e gatos no período de frio, a veterinária destaca que eles devem ter o mesmo preceito com que são tratados no verão. “Então, por exemplo, o animal que tem que tomar banho semanalmente, com pelos longos que se assemelham ao cabelo, a gente encontra raças como lhasa, shih-tzu, maltês, yorkshire, estando frio ou não, precisam de escovação diária e banho semanal. O que dá para fazer no inverno para não judiar muito é intercalar um banho seco com um molhado, mas precisa ser semanal”, explica.

Já os animais com pêlos mais curtos, lanosos, entre outras formas, entre eles cães da raça husky siberiano, chow chow, shar-pei, labrador, golden, dálmata, entre outros, não possuem necessidade de banho constante. “No inverno dá para espaçar ainda mais este banho, que são necessários a cada 30 dias, espaçando para 45 dias, mantendo a higienização das partes íntimas e glândula perianal a cada 15 dias”, explica Juliana Queiróz.

VACINAÇÃO DOS PETS

Segundo Juliana Queiróz, manter a vacinação dos pets em dia deve ser algo presente não somente no inverno, mas no ano inteiro. “Quando a gente fala de doenças sazonais, encontramos doenças virais que conseguem se manter viáveis pelo ar, gotículas úmidas, até em transporte de cercas, portões, por mais tempo devido à ação da baixa temperatura e umidade do ar. Entre estas doenças estão a cinomose e Bordetella, principalmente, que possuem ocorrência aumentada nesta época de ano, porém elas ocorrem o ano inteiro”, explica. De acordo com a veterinária, é necessário deixar a vacinação em dia o ano inteiro, principalmente a de gripe e a múltipla. 

“Quando falamos em felinos, sendo que o nosso consultório é voltado para gatos, estamos percebendo muitos tutores que jamais vacinaram seus gatos. Eles possuem algumas doenças importantes de trato respiratório superior e inferior envolvendo ouvido, garganta e nariz, bem como pulmões. São doenças que podem ser prevenidas pela imunização e o ideal é vacinar antes do auge do frio, que gera estresse térmico e queda de imunidade, mas quem não vacinou ainda dá tempo de gerar esta imunidade”, explica, ressaltando que há doses importadas que geram resposta de imunidade a partir de cinco dias após a vacinação. 

PASSEAR COM PETS É ESSENCIAL

A médica veterinária Juliana Queiróz afirma que os passeios dos tutores com cachorros e gatos são essenciais para a saúde e bem-estar dos pets, reduzindo estresse e ansiedade. “Animaizinhos que vivem em apartamento não têm muito acesso a quintal e à luz solar, por isso eles precisam sair para passear. A interação com o sol é menor no inverno por conta de dias nublados e não podemos esquecer que a vitamina D não é fixada sem ajuda dos raios solares”, explica, ressaltando que há possibilidade de associar à dieta dos pets a reposição das vitaminas D3 e A e alimentos ricos nestas mesmas vitaminas. 

Colunistas