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Meio Ambiente

Tubarão encontrado em Guaratuba é avaliado por pesquisadores

Especialistas esclareceram dúvidas sobre ao aparecimento de animais encalhados no litoral do Paraná

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Na manhã de quarta-feira, 19, um tubarão-mako foi encontrado na areia de uma praia em Guaratuba e o fato foi amplamente divulgado nas redes sociais. Vídeo gravado por populares mostra duas pessoas puxando o animal que ainda estava se debatendo. No entanto, no momento que os pesquisadores chegaram, o tubarão já estava morto. A espécie é oceânica, ameaçada de extinção e não é comum aparecer nas proximidades da praia.

A bióloga e pesquisadora, Camila Domit, que coordena o Laboratório de Ecologia e Conservação (LEC) do Centro de Estudos do Mar (CEM) da UFPR, acredita que é preciso informar a população do litoral sobre o manejo correto desses animais ao se deparar com esse tipo de situação.

“É importante que a gente seja cauteloso, nós não sabemos qual era a intenção das pessoas, se elas queriam ajudar e só não tinham a informação.  No caso desses animais que precisam da água para respirar, o encaminhamento é sempre para que eles voltem para a água. Diferente das tartarugas e golfinhos, que têm pulmão e precisam ser atendidos fora da água. Sempre procurem de imediato comunicar os órgãos ambientais e a universidade para que o melhor atendimento seja dado”, orientou Camila.

Na tarde de quarta-feira, o animal passou por necrópsia na universidade. “Nós estamos buscando tirar a melhor informação científica sobre a ocorrência. Esse tubarão traz informações sobre a qualidade ambiental do nosso litoral e de todo o oceano porque está no topo da cadeia e acumula contaminantes do ambiente”, afirmou Camila.

Desta forma, estão sendo realizadas análises biológicas para saber dados como sexo, idade, assim como doenças que possam ter acometido o animal e se há níveis de contaminação química. “A gente precisa se envolver no processo de conservação desses animais, buscando não consumir pescados como o cação, que são tubarões de espécies ameaçadas”, concluiu a pesquisadora.

O animal foi levado até o Centro de Estudos do Mar (CEM), em Pontal do Paraná, para análise

O que fazer se encontrar um animal encalhado?

O professor no Centro de Estudos do Mar da Universidade Federal do Paraná (CEM/UFPR), Hugo Bornatowski, afirmou que o tubarão encontrado em Guaratuba tinha uma marca grande provocada por anzol do lado direito da boca, em decorrência da pesca recreacional ou mesmo comercial.

“Provavelmente, ele se enroscou e acabou escapando e ficou debilitado. Devido a essa fraqueza ele encalhou e foi encontrado na praia pelos turistas. É uma espécie muito visada pela pesca industrial em virtude do valor das nadadeiras e da carne”, disse Bornatowski.

Segundo o especialista, ao encontrar tubarões, golfinhos, tartarugas ou outro animal marinho encalhado, estando vivo ou morto, o correto é tentar conduzi-lo para a água. “No entanto, se verificar que há um risco, tanto para o animal quanto para ele, o ideal é chamar os órgãos competentes. De preferência ligar para o Programa de Monitoramento de Praias por meio do 0800-6423341, assim uma equipe irá fazer todo o procedimento necessário”, orientou Bornatowski.

Desta forma, a atitude adotada pelas pessoas em Guaratuba não foi a ideal. “Levar o animal para a direção da areia e não da água gerou um certo desconforto, muita gente criticou o ato nas redes sociais. As pessoas agiram de forma errada porque se manipulou o animal, deveriam primeiro tentar salvá-lo, puxar de volta para o mar e chamar alguém responsável para coletar as informações biológicas para analisar a causa da morte. O problema é que ele ainda estava vivo quando foi arrastado”, destacou Bornatowski.

O risco de acidente com banhistas era baixo, de acordo com o professor, justamente pelo animal estar debilitado e também pela espécie em questão não apresentar risco de ataques a seres humanos. “Não é uma espécie agressiva, potencialmente perigosa, e os registros de ataque são muito pequenos”, acrescentou Bornatowski.

Caso moradores e turistas visualizem um tubarão na parte rasa da praia, a recomendação é para não mexer no animal. “O mar é o habitat deles, não é a nossa casa. Então, se encontrar um tubarão na praia deixe o animal nadar tranquilamente porque qualquer movimento ele pode atacar por defesa. Mantenha a distância e ligue para os órgãos competentes para isolar a área”, enfatizou o professor.

Por que animais têm encalhado nas praias?

Vários fatores podem fazer com que os animais marinhos encalhem nas praias. Um deles é a pesca, que pode fazer com que fiquem presos em anzóis por longas horas e, quando conseguem se soltar, ficam debilitados. “Pode ainda ser um fator cerebral, tem casos de tubarões que apresentam distúrbios e encalham naturalmente, isso pode ser analisado por uma necrópsia. Mas, geralmente, os encalhes são frutos da pesca”, disse Bornatowski.

Para o professor, a atual legislação pesqueira está desconstituída em virtude da ausência de um monitoramento de pesca.

“Temos muitas espécies ameaçadas de extinção que não estão sob fiscalização tanto quanto a pesca artesanal, amadora, recreacional, industrial, todas elas ainda capturam tubarões, raias e outros que estão ameaçados. Por isso, temos que ter um controle melhor entre pescadores e pesquisadores e órgãos competentes para que a gente consiga trabalhar com o plano de manejo adequado para essas espécies”, analisou Bornatowski.

Segundo o professor, ficará agora a cargo dos órgãos competentes avaliar a situação ocorrida em Guaratuba e decidir se o caso se configura como crime ambiental.

Fotos: Divulgação

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