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Boto-cinza é encontrado morto em Matinhos

16 de janeiro de 2020

Boto-cinza está ameaçado de extinção na costa brasileira (Foto: LEC/UFPR)

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Animal foi encaminhado para necropsia na UFPR para investigação da causa do óbito

No domingo, 13, equipe do Laboratório de Ecologia e Conservação (LEC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) foi acionada por populares de Matinhos, no balneário Inajá, que encontraram um golfinho morto na areia da praia. Via Projeto de monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), a equipe atendeu a ocorrência e recolheu a carcaça de um boto-cinza (Sotalia guianensis), com 1,84 m de comprimento total em avançado estádio de decomposição. 

"O animal foi encaminhado para a UFPR onde foi realizada a necropsia, entretanto, não foi possível definir a causa da morte devido ao processo de decomposição dos tecidos. Foi possível verificar que era um macho e amostras biológicas foram coletadas para análises futuras, que possibilitam maior conhecimento sobre as espécies e a saúde do ecossistema costeiro e marinho", explica a assessoria do LEC.

Segundo a assessoria, o LEC da UFPR monitora animais marinhos na costa Paranaense desde 2008, com foco contínuo no registro da mortalidade da fauna marinha nas praias da região. "Desde 2015, este esforço é realizado diariamente e mais de 11 mil indivíduos, entre mamíferos, aves e tartarugas marinhas, foram registrados no estado. Infelizmente, a maior parte dos animais chega às praias sem vida e as carcaças são encaminhadas para universidade que conduz à análise de saúde com avaliação das causas de mortalidade e potenciais impactos à fauna marinha", explica a entidade.

QUINZE ESPÉCIES DE MAMÍFEROS MARINHOS JÁ FORAM ENCONTRADAS NAS PRAIAS NOS ÚLTIMOS ANOS

LEC da UFPR monitora fauna marinha do litoral do Paraná desde 2008 (Foto: LEC/UFPR)

De acordo com o laboratório da UFPR, entre os mamíferos marinhos, quinze diferentes espécies já foram encontradas nas praias nos últimos anos, com destaque exatamente ao boto-cinza. "Esta espécie de golfinho é avistada com maior frequência na região costeira do litoral do Paraná e ocorre na costa brasileira desde a Baía Norte em Florianópolis (SC), até a região norte. No Paraná é avistado ao longo de todo o ano nas baías, estuários e área costeira, onde se alimenta, reproduz e cuida de seus filhotes. O boto-cinza se alimenta de peixes, lula e camarão, tem um filhote por vez e os adultos podem chegar a mais de dois metros de comprimento total", explica. 

COMO AJUDAR A PRESERVAR A FAUNA MARINHA

Segundo a entidade, o boto-cinza está ameaçado de extinção na costa brasileira. "Na avaliação do Paraná, a principal ameaça é a alteração do ambiente onde vivem pela poluição sonora, química e por dejetos de efluentes urbanos. O intenso trânsito de embarcações, o desenvolvimento urbano desordenado, a destruição das encostas, o uso de agrotóxicos e outros compostos químicos na indústria, e mesmo atividades pesqueiras ilegais, são impactos importantes à vida destes animais. Faça a sua parte, consuma alimentos sustentáveis, navegue pelo mar com atenção e baixa velocidade, contribua com o ordenamento urbanos e destinação de resíduos em seu município. Caso você aviste uma tartaruga, golfinho ou ave marinha morta ou debilitada entre em contato com a nossa equipe através do telefone: 0800 642 3341", afirma o LEC.

PMP-BS

"O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) é uma atividade desenvolvida para o atendimento de condicionante do licenciamento ambiental federal das atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural no Polo Pré-Sal da Bacia de Santos, conduzido pelo Ibama. Esse projeto tem como objetivo avaliar os possíveis impactos das atividades de produção e escoamento de petróleo sobre as aves, tartarugas e mamíferos marinhos, através do monitoramento das praias e do atendimento veterinário aos animais vivos e necropsia dos animais encontrados mortos. O PMP-BS é realizado desde Laguna (SC) até Saquarema (RJ), sendo dividido em 15 trechos. O Laboratório de Ecologia e Conservação/UFPR monitora o Trecho 6 (Paraná), compreendido entre os municípios de Guaratuba e Guaraqueçaba", finaliza a assessoria.

 

*Com informações do LEC da UFPR. 
 


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