Logotipo

Voluntárias Cisne Branco Paranaguá trazem especialista para falar sobre pedofilia

05 de junho de 2019

Palestra da sargento Tânia Guerreiro aconteceu na Capitania dos Portos com uma abordagem objetiva e clara sobre o tema

Compartilhe

Na tarde de terça-feira, 4, a Capitania dos Portos do Paraná recebeu para uma palestra a sargento da Polícia Militar, Tânia Guerreiro, única militar do Brasil a travar um combate contra a pedofilia. Com o tema “Quebrando o Silêncio”, a abordagem clara e objetiva foi uma iniciativa das Voluntárias Cisne Branco Paranaguá, sendo esta a segunda palestra oferecida para a população.

A coordenadora do grupo, Renata Alves Casal Machado, afirmou que o objetivo é levar conhecimento sobre temas que merecem a atenção da comunidade.

“Nós tivemos a abertura das Voluntárias Cisne Branco Paranaguá e a proposta é abrir para a sociedade e para a família naval novas oportunidades. Esta foi a segunda palestra, tivemos a primeira sobre depressão e suicídio e agora estamos com o tema pedofilia, temas atuais que precisam ser tratados, divulgados e cada vez mais informados”, destacou Renata.

Estiveram presentes integrantes do grupo, assim como professores, pedagogos, membros da Capitania e demais interessados em conhecer como os pedófilos agem e, assim, poder ajudar a proteger as crianças. “Tivemos a participação de representantes de escolas públicas e particulares, que têm um papel bastante importante neste aspecto, e pais. Todas as palestras são abertas para a comunidade e a proposta é realizar uma por mês com um tema que mova e transforme a sociedade”, disse Renata.

Coordenadora das Voluntárias Cisne Branco Paranaguá, Renata Alves Casal Machado, e a sargento Tânia Guerreiro destacaram a relevância de trazer temas como este para a comunidade

“QUEBRANDO O SILÊNCIO”

A sargento Tânia Guerreiro tem uma vasta experiência na área de combate à pedofilia, atua há 30 anos com o tema, está há 15 anos à frente do Movimento Nacional em Defesa da Criança Desaparecida no Paraná, possui licenciatura em Pedagogia e especialização em Metodologia de Enfrentamento à Violência contra a Criança e o Adolescente. Além disso, ainda é autora de vários manuais voltados a orientar pais, policiais, professores e crianças com o intuito de prevenir o problema.

“A pedofilia não tem classe social e nada que a possa definir, ela está em todos os lugares, sem exceção. Infelizmente, os pedófilos são extremamente organizados e nós ainda vemos o tema como um tabu, o que prejudica e faz com que eles criem mais espaço para agir. O que temos que fazer para diminuir esses casos é prevenir. Quanto mais prevenção, menos espaço eles terão. Uma pessoa a mais que assiste a uma palestra como esta é uma criança a menos abusada”, frisou Tânia.

Segundo ela, a prevenção começa pela orientação às crianças. “Temos que ensinar os nossos filhos o nome dos órgãos genitais. Ou falamos abertamente ou teremos adultos com eternos problemas”, disse Tânia.

A abordagem da sargento durante a palestra é direta aos participantes, com exemplos de casos que ela acompanhou durante o trabalho na Polícia, para que não haja dúvidas sobre a realidade da pedofilia no Brasil e os mecanismos para evitá-la. Entre eles, a mudança de comportamento dos pais, que devem evitar a postagem de fotos de crianças na Internet.

“Uma pessoa a mais que assiste a uma palestra como esta é uma criança a menos abusada”, afirmou a sargento Tânia Guerreiro

“Há vários tipos de pedófilos, no nosso meio familiar, religioso, social, amigos, vizinhos, são sete tipos, além do crime organizado pela Internet. Na palestra, mostrei como os pedófilos chegam até as crianças, leis de combate à pedofilia, os sinais que a criança apresenta. Apenas 5% das crianças do sexo feminino falam, mas do sexo masculino não falam. No mundo, apenas 1% é pego em flagrante, é um crime silencioso e precisamos estar preparados. Precisamos ler mais sobre o assunto, tenho uma fanpage e sete perfis no Facebook, Instagram, sempre dando dicas”, finalizou Tânia.


Colunistas