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Maré alta é fenômeno periódico no litoral e monitorado pelo CEM da UFPR

16 de agosto de 2018

Maré alta ocorre em Paranaguá e no litoral do Paraná periodicamente e exige atenção da população em pontos de erosão

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Mauricio Almeida Noernberg, oceanógrafo, explica como ocorre o fenômeno

Repercutido com inúmeras fotografias no fim de semana, o fenômeno da maré alta, em que as águas do mar e do Rio Itiberê invadiram espaços urbanos no Centro Histórico e em bairros de Paranaguá, apesar de assustar, é mais comum do que se pensa no litoral paranaense. Segundo o oceanógrafo, Dr. Mauricio Almeida Noernberg, professor e diretor do Centro de Estudos do Mar (CEM) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), destaca que a maré alta é um fenômeno periódico ocorrido pela atração gravitacional do sol e da lua, ou seja, pelo movimento das marés. Além de ser normal, o fenômeno é um dos vários que são monitorados pelo CEM que inclusive conta com uma boia meteoceanográfica para acompanhamento.

"A maré é um fenômeno periódico governado pela atração gravitacional do Sol e da Lua. Por este motivo temos maiores variações de maré nas luas Nova e Cheia (chamamos de maré de sizígia). Ou seja, sempre nestas fases da lua as marés subirão mais e descerão menos, pois as forças gravitacionais do Sol e da Lua estão se somando, enquanto nas marés de quadratura (crescente e minguante) as forças estão em sentidos opostos", explica Noernberg.

Segundo o diretor do CEM, as marés de maior amplitude ocorrem quinzenalmente, por meio das luas Nova e Cheia. "O que pode ocorrer é uma variação dessa maré astronômica por influência meteorológica, que chamamos de maré meteorológica. Neste caso, a influência da pressão atmosférica e principalmente do vento pode amplificar ou reduzir as marés. Na nossa costa, os ventos do quadrante Sul, associados às frentes frias, normalmente têm um efeito de 'empilhamento' de água na costa. Isso causa uma maré meteorológica positiva, que é quando a maré alta sobe mais que o esperado pelos efeitos astronômicos. O efeito contrário também pode ocorrer, quando as marés vazam mais que o normal", completa.

Boia meteoceanográfica do CEM da UFPR, marégrafo e estação meteorológica em Guaratuba fornecem dados em tempo real da maré no litoral paranaense (Foto: CEM/UFPR)

"Esse é um processo relativamente normal e frequente, porém em algumas condições especiais a maré pode subir até 80 centímetros mais que o normal, caso estes ventos sejam fortes o suficiente e perdurem por alguns dias. Essa variação pode ser pequena na vertical, mas se for uma área muito plana pode influenciar grandes extensões", destaca Noernberg, explicando exatamente o que ocorreu na maré alta dos últimos dias, em que as águas subiram até a área urbana de Paranaguá. "Quando estamos em uma maré de sizígia, quando naturalmente as marés sobem mais, e ocorre essa amplificação pelo vento, as águas atingem áreas em que normalmente não chegam. Se essas condições ocorrem de forma combinada com a incidência de ondas grandes na costa (ressacas), então a probabilidade de haver processos erosivos nas praias é grande", complementa.

De acordo com o oceanógrafo, o ciclo da maré é de 12 horas. "A maré vai da sua condição mais alta para a mais baixa nesse período, não havendo riscos mais significativos, além do aumento gradual do nível do mar", complementa.

ORIENTAÇÕES PARA POPULAÇÃO

Segundo Dr. Mauricio Noernberg, a principal orientação para a população em caso de maré alta, é que nos locais em que esteja havendo uma ressaca se evitem os espaços com risco de erosão. "No caso das baías somente observar a aproximação da água e se houver necessidade deixar o local", explica. Outra questão que demonstra à população a preocupação de monitoramento em tempo real da maré alta e outros fenômenos do oceano, é a presença de uma boia meteoceanográfica, que fornece dados em tempo real das correntes, ondas, ventos e outros parâmetros no litoral do Paraná. "Esses dados são disponibilizados na Internet e ajudam na segurança da navegação, previsão do tempo e outras atividades", explica o diretor sobre o dispositivo, o qual é gerido pelo Centro de Estudos do Mar da UFPR.

"Infelizmente sofremos muito com o vandalismo. É comum o furto de sensores das boias por embarcações de pescadores. Isso prejudica a obtenção das séries de dados que são fundamentais para as previsões e alertas. É preciso uma maior consciência de que estes dados são importantes e aquele material da boia não tem nenhuma utilidade fora dela. No momento o equipamento está em terra para manutenção. Contudo, frente aos cortes do Governo Federal nas universidades estamos com dificuldade para instalar a boia novamente. Infelizmente, no Brasil o apoio do setor produtivo para este tipo de monitoramento, que pode evitar inúmeros prejuízos, ainda é modesto", lamenta o oceanógrafo, destacando que o CEM também instalou um marégrafo (instrumento que registra automaticamente o fluxo e o refluxo das marés em um determinado ponto da costa) e uma estação meteorológica em Guaratuba.

Os dados em tempo real obtidos pelo CEM da UFPR podem ser acessados no seguinte link: http://www.simcosta.furg.br/home .

Oceanógrafo Dr. Mauricio Almeida Noernberg é professor e diretor do Centro de Estudos do Mar (CEM) da Universidade Federal do Paraná (Foto: UFPR)

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