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Os enterramentos nas igrejas

02 de novembro de 2019

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O dia de Finados, também conhecido como o Dia dos Mortos, nacionalmente ocorre no dia 2 de novembro. É comum durante esta data, os cemitérios ficarem repletos de pessoas que vão visitar os túmulos de entes queridos que faleceram. Contudo, o costume de ir ao cemitério é ainda muito recente, se levarmos em conta que até princípios do século XIX, não existiam cemitérios tais como conhecemos hoje.

Enterrar os mortos nas igrejas era algo comum no Brasil Colonial, pois, segundo as crenças do período, no espaço sagrado da igreja, os mortos estariam mais próximos de Deus e da salvação. Ser enterrado na igreja era também sinônimo de status social, quanto mais prestígio e riqueza o indivíduo possuísse, mais próximo do altar seria enterrado. Segundo João José Reis, nos entornos e em volta da igreja, seria o local reservado para escravos e pessoas livres pobres. Já, na parte interna da igreja, seria o espaço destinado ao enterramento de indivíduos de maior prestígio, assim, quanto maior o prestígio e status, mais próximo do altar seria enterrado.

Pensar nessa prática leva também a imaginar os odores e cheiros que pairavam nos templos religiosos. Em princípios do século XIX, médicos sanitaristas começaram a ser contrários a tal prática, sobretudo, com base na crença da teoria dos miasmas (crença na qual as doenças teriam origem nos odores fétidos da matéria orgânica em decomposição). A primeira medida proibindo os enterros nas igrejas foi expressa através de uma carta régia do ano de 1801. A mesma carta também ordenava a construção de cemitérios em locais afastados. Contudo, a população foi contrária a mudança e em muitos locais do Brasil foram organizadas revoltas. Uma das mais conhecidas revoltas, a Cemiterada, ocorreu em 1836, na Bahia, quando mais de mil pessoas de irmandades religiosas se reuniram para protestar contra a lei que proibia os enterros no interior das igrejas. Durante a revolta, os fiéis armados de machados destruíram o cemitério de Salvador.

Na nossa época, a prática de enterrar os mortos no espaço do cemitério é algo comum. Atualmente, existem diversos cemitérios na cidade de Paranaguá, um dos mais conhecidos, o Cemitério Municipal Nossa Senhora do Carmo, é um espaço envolto de histórias. Aliás, os cemitérios em si, diga-se se passagem, têm muita história pra contar, nosso texto, focou apenas num fragmento, na curiosidade de saber onde as pessoas eram enterradas antes da institucionalização dos cemitérios públicos.

 

Priscila Onório Figueira

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