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Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá

O Rocio de Paranaguá

15 de novembro de 2019

A festa de Nossa Senhora do Rocio, a padroeira do Estado do Paraná, é uma tradição na cidade de Paranaguá. Falar em Nossa Senhora do Rocio, remete a popular história de Pai Berê, pescador que residia no Rocio Grande. Em um dia, quando lançou a sua rede no mar, Pai Berê foi surpreendido quando encontrou presa a rede, a imagem de Nossa Senhora. Ele levou a imagem para sua casa e ali instituiu em honra a santa, terços e orações.

A lenda, história e tradição que envolve a devoção a Nossa Senhora do Rocio emociona, mas também provoca no imaginário popular as distintas fases de construção da igreja e a paisagem do Rocio antigamente. Antes da construção do porto Dom Pedro II, que hoje ocupa praticamente todo o entorno do bairro Rocio, o Porto D’água e seus entornos, mormente mencionado em documentos como Rocio Grande, era um espaço com presença de chácaras e sítios. Na segunda metade do século XIX, Antônio Vieira dos Santos relata que o caminho que ia em direção às margens da baía, próximas a capela do Rocio de Paranaguá, era de terrenos barrentos, de terras negras, apropriadas para plantações de cana, milho, arroz, café e feijão. De acordo com Vieira dos Santos, “Principia a costeira chamada de Rocio, por ser do terreno propriamente dito e pertencente aos bens do Conselho, até a entrada do rio Emboguaçu; Nessa costeira coberta de mangais aparece uma nova capelinha dedicada à milagrosa imagem de Nossa Senhora do Rosário do Rocio, [...] Outros anos há em que somente se fazem em sua capela os nove dias da novena e que os jovens paranagüenses muito apreciam de ir assistir às mesmas por terem a grande satisfação de irem a cavalo com suas senhoras, de passeio por esse belo caminho. De um solo areento e marginado de arvoredo, de araçaieiros, goiabeiras e outras frutas silvestres, com muitas chácaras e sítios de lavradores”. No entanto, Vieira dos Santos não foi o único a se encantar pelo Rocio. Alfredo Andersen, pintor norueguês que residiu no Porto D’Água, representou em várias de suas pinturas o Rocio. Na pintura “Rocio com canoas”, o artista representou a paisagem, com a igreja envolta por árvores e palmeiras e a sua pequena praia com canoas.  No contexto atual, pessoas que nasceram no bairro relatam o quanto a paisagem mudou. Dario Humberto de Souza relata na obra, “Caminhos do Rocio e a Caserna Vermelha”, as árvores frutíferas que compunham os caminhos do Rocio, os cantos de passarinhos, os sons dos animais que existiam nos espaços de mata fechada.

Em conclusão, se a paisagem mudou, a devoção a Nossa Senhora do Rocio atravessa os séculos, pois o Rocio é o espaço sagrado onde foi encontrada a Nossa Senhora, o Santuário, onde todos os anos peregrinos das mais distintas localidades vem para honrar e celebrar a fé. Viva Nossa Senhora do Rocio!!!!

Priscila Onório Figueira

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